Capítulo 55

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Os últimos três dias foram um verdadeiro inferno

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Os últimos três dias foram um verdadeiro inferno. Âmbar, Hannah, Enrico e Niklaus estavam sobrecarregados, revisando horas e horas de imagens de câmeras de segurança espalhadas por Nova Iorque. Erick aparecia em poucos locais, mas esses lugares eram tão dispersos que tornavam quase impossível traçar uma linha lógica ou um padrão para onde ele poderia ter ido. Cada nova pista parecia apenas levar a mais dúvidas, e o cansaço começava a cobrar o seu preço.

Enquanto isso, a minha sede de matar crescia de forma insuportável. A ausência de Erick parecia alimentar o monstro dentro de mim, deixando-me à beira do descontrolo. Tentar focar nas aulas na faculdade era uma tortura. Cada rosto que eu via, cada corpo que passava por mim nos corredores, era uma possível vítima, uma chance de saciar aquela necessidade desesperadora de sentir o sangue nas minhas mãos. Por mais que tentasse me concentrar nas aulas, no trabalho, na rotina, a cada segundo que passava, eu sentia o controlo escapar um pouco mais.

Às vezes, conseguia me perder num ou outro tópico nas aulas, forçando a minha mente a focar em algo que não fosse a falta dele. Mas essas distrações eram fugazes, momentâneas, e logo o pensamento voltava para ele, para onde poderia estar, para o que poderia ter acontecido.

Agora, estava no meu quarto, a saborear alguns morangos enquanto mexia no computador. De repente, uma notificação no meu telemóvel chamou a minha atenção. Era o Matteo, chamando para uma reunião de emergência.

Levantei-me rapidamente, o coração batia cada vez mais forte. Algo me dizia que finalmente tínhamos uma pista concreta. Desci para a sala de reuniões e encontrei o Matteo e o Elijah já à espera.

— Localizamos o Erick. — disse Matteo, indo direto ao ponto. — Ele foi visto pela última vez hoje, às 19h38, no cemitério do centro da cidade.

Sem perder tempo, nós três saímos rapidamente da casa, entrando num dos carros do Erick. A tensão no ar era palpável enquanto nos dirigíamos para o local. Ninguém dizia uma palavra.

Chegamos ao cemitério e saímos do carro, o lugar estava silencioso e sombrio sob a luz fraca da lua que já aparecia. Caminhamos por entre as lápides, procurando por qualquer sinal do Erick. O meu coração batia descontroladamente no peito, enquanto a minha mente imaginava cenários cada vez piores.

Finalmente, vimo-lo. O Erick estava deitado no chão, ao lado de uma lápide que destacava uma bela mulher gravada na pedra. Ela tinha traços semelhantes aos do Erick, a beleza fria que imediatamente me fez pensar num membro da família. Aproximei-me lentamente, osmeus olhos estavam fixos nele. Ele estava acordado, mas claramente bêbado, tão bêbado que o seu corpo mal conseguia se mover.

— Erick? — chamei suavemente, ajoelhando-me ao seu lado. Os seus olhos abriram-se lentamente, mas ao contrário do alívio ou confusão que eu esperava, havia apenas um vazio frio. Ele olhou para mim com uma expressão apagada, como se a realidade estivesse distorcida, como se não tivesse certeza se eu era realmente ali ou apenas uma ilusão.

— Marly... — disse, a voz arrastada e sem emoção. — Pensei que... pensei que me tinhas deixado. Todos deixam-me.

— Estou aqui, Erick — respondi, a tentar transmitir segurança, mas ele parecia preso noutro mundo, perdido nas suas alucinações. Os seus olhos desviaram-se para a lápide ao lado, fixando-se na imagem da mulher esculpida.

— Ela era tão linda... igual a ti. Eu não queria que fosse assim... — A sua voz ficou ainda mais baixa, quase um sussurro. — Ele disse-me que foi minha culpa... tudo foi minha culpa...

— Quem disse isso, Erick? Quem é ela? — perguntei, tentando alcançá-lo de alguma forma, mas ele não parecia me ouvir. A sua mente estava noutro lugar.

— A minha mãe... — murmurou, o rosto pálido e sem emoções. — E ele... ele disse que eu a matei. Que tudo era culpa minha. — A menção ao pai pareceu abrir uma nova ferida, e os seus olhos de repente se arregalaram, como se visse algo terrível à sua frente.

— Erick, está tudo bem. Ele não está aqui — tentei tranquilizá-lo, mas ele recuou um pouco, o medo começou a se espalhar pelo seu rosto, substituindo a frieza anterior.

— Não... ele está aqui, eu vejo-o... Ele veio para me levar de volta. Ele disse que eu nunca vou escapar... nunca me vou livrar dele. — Erick começou a tremer.

— Vamos, Erick, eu vou te levar para casa — disse, tentando tirá-lo do chão. O Elijah e o Matteo aproximaram-se, ajudando a levantá-lo. Erick estava fraco, vulnerável, muito diferente do homem forte e controlado que todos conheciam.

— Não me deixes... Marly... — repetia.

— Eu não vou a lugar nenhum, Erick. Estou aqui contigo. — sussurrei, sentindo a necessidade de protegê-lo crescer dentro de mim.

Quando chegamos a casa, não perdi tempo. Sabia que precisava de tirá-lo daquele estado de choque, então o levamos diretamente para a casa de banho. O ambiente era iluminado apenas pelo brilho fraco da luz, e tudo ao redor parecia diferente. Comecei a encher a banheira com água gelada, esperando que o choque térmico o ajudasse a voltar a si.

— Erick, precisas de entrar na água. — digo calmamente, ajudando-o a se despir. O Elijah e o Matteo estavam do lado de fora, respeitando a nossa privacidade, enquanto eu o guiava para dentro da banheira. Ele entrou sem resistência, mas o frio da água o fez estremecer, trazendo um pouco de cor de volta ao seu rosto pálido.

— Frio... tão frio... — ele murmurou, os dentes começaram a bater, mas o olhar dele ficou mais focado, mais presente.

— É para te ajudar a acordar, Erick. Estou aqui, não vou a lugar nenhum — continuei, mantendo os meus olhos nos dele, segurando a sua mão como uma âncora. Ele respirou fundo algumas vezes, ainda a tremer, mas lentamente começou a relaxar na água.

Depois de alguns minutos, quando percebi que ele estava a começar a recuperar a sanidade, ajudei-o a sair da banheira e enrolei-o numa toalha, guiando-o para a cama.

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