Capítulo 55.

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Uma menina/ mulher estou. O próprio espelho me informa isso. E tenho muito orgulho de ser parecida com minha mãe. Meu vestido azul royal, recheado de pedras brilhantes, estilo sereia, corte no busto reto, até o pescoço. A cicatriz em meu peito quase não aparece, apenas uma linha fina é visível somente de perto. Ótimo trabalho dos médicos.

Aliso-a. Que saudade sinto. A cada dia a saudade aumenta. Mas se não fosse por sua ajuda não estaria aqui.

Deixo a tristeza de lado, e visto a minha Beca preta com detalhes em verde.

Hoje é a minha formatura. Estou realizando o sonho de minha mãe.

Tornar-me uma fisioterapeuta.

Ela deve estar tão orgulhosa de mim, onde quer que esteja.

Aprendi que na vida todos devem passar por desafios, sejam ele auxiliares para a nossa maturidade, ou desavenças com o presente. Na maioria de nossos dias habitáveis neste planeta, pensamos, imaginamos que todo final de algo, seja ele um livro, um filme, uma novela deve ser concluído com fogos de artifícios com todos sorrindo e se abraçando encantados com a cena na imensidão que é o céu presenciando um final feliz. Mas a vida real é muito diferente, muito diferente, pois não tenho mais a pessoa que me concedeu a vida, ela se fora, ela deu a sua vida para salvar-me. O espelho a minha frente insiste em espelhar uma mulher madura, mas eu não consigo vê-la, pois falta algo. Mesmo nunca ter falado, abraçado, ou ter presenciado nem um singelo sorriso que fosse, eu ainda sentia sua falta.

Um lagrima fica fixada no canto de meu olho esquerdo, ela não desliza pela minha face, está impregnada na imensidão de meus olhos verdes, olhos esmeraldas como minha mão costumava falar.

Forço um sorriso no fundo de meu ser. Hoje é um dia feliz e especial, depois de longos anos esforçando-me para ser alguém, para ter uma profissão que completa-me, e claro para orgulhar minha mãe, este é o dia, o dia que serei uma fisioterapeuta formada.

Aliso a enorme vestimenta que está meu corpo, mesmo sem precisar, necessariamente. Ajeito o capelo quadrado com uma fita verde, cor do curso que estou me formando e a cinta em minha cintura da mesma cor. Estou com um penteado simples, apenas um moicano e uma trança escama de peixe terminando na lateral de ombro esquerdo.

Sapatos pretos, e o vestido escolhido por baixo da beca, completam meu visual, mesmo sem ninguém olhando, até o baile iniciar.

Um frio toma conta de todo meu interior, uma ansiedade fora de comum. Como queria que mamãe estivesse aqui.

Escuto uma batida na porta, e logo ela é aberta.

- Filha? Está pronta?

Meu pai, Willian, adentra meu quarto. Analisa-me dos pés a cabeça.

-Você é muito parecida com sua mãe pequena. Ela tem muito orgulho de você.

Ele diz, sorri para mim, e vem caminhando até ficar em minha frente, aconchego-me em seus braços, um abraço acalentador, estava precisando de um.

-Obrigada papai. Adorei ouvir isso.

- Estamos todos te esperando no auditório para ver a sua colação. Você que fará o discurso da turma, não? Está preparada?

Minhas bochechas envermelham, só de lembrar-me deste detalhe muito importante.

- Nem me fale papai. Estou correndo-me por dentro só de me imaginar falando em publico. Vai ter milhares de pessoas lá.

Ele olha em meus olhos, afasta-me de mim, e acaricia minha bochecha.

- Você será a melhor oradora de todos os tempos, escreveu, decorou, estudou. Você se sairá bem. E todos ficaremos orgulhosos de você, inclusive sua mãe pequena.

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