Lua 🌙
Enquanto o Índio tava tendo uma conversa séria com o Kauã no quarto ao lado, eu me peguei, quase que sem querer, alisando minha barriga.
Lua: Desculpa, mas tenho certeza que alguém vai te amar mais que eu.- Sorri fraco.
Sentir um frio percorrendo pelo meu corpo me fazendo arrepiar.
Neguei com a cabeça e ajeitei a blusa.
Eu me levantei de vez da cama e eu tive tontura, seguida por ânsia de vômito.
Sentei na cama novamente e acabei vomitando ali mesmo.
Os meninos entraram no quarto, Índio me olhou preocupado e Kauã estranho.
Kauã: Que foi isso? - Olhei pro Índio.
Lua: Tô grávida.- Sorri falso vendo o Kauã se animar.
Kauã: Eu vou ter um irmão? Iala porra, tá zoando? - Victor me olhou.
Índio: A gente não vai criar o menor.- Falou coçando a cabeça.
Kauã me olhou com a carinha de um bebê.
Kauã: Pq? Vocês tão malucos? Cadê a tua cabeça, Lua?
Lua: Tem alguém que merece e que não pode ter filhos. Essa pessoa vai dar todo amor que essa criança precisa e agora, não somos nós que vamos conseguir fazer isso.- Falei me levantando.
Kauã: Mas Lua...- Me olhou todo triste.
Meu coração fica muito pequeno com isso, não dá.
Lua: Eu prometo que eu falo com você depois, tá bom?
Índio: Quer filho? É só fazer um, mano.- Gastou ele que mandou dedo.
Kauã saiu e eu fui limpar o vômito.
Limpei logo o quarto todo de vez enquanto o Índio tinha ido comprar comida.
Tomei banho e sai de toalha, troquei de roupa e fiquei sentada na cama.
Decidi ir até o Kauã, entrei no quarto dele e ele nem olhou, tava concentrado no jogo.
Lua: Tá perdendo, cara! Que isso.- Ele me olhou rapidão e eu sentei do lado dele.
Kauã: Não faz nada com esse bebê lua, na moral.- Falou ignorando tudo e pausando o jogo.- Se eu te falar uma parada, promete segredo?
Lua: Claro.- Fiz toque com ele.
Kauã: Quando minha mãe morreu, ela tava grávida.- Falou triste.- Eu tinha cinco anos e era o único que sabia disso, mas eu já amava aquela criança pra caralho! Fica com essa criança, por mim.
Eu já tinha começado a chorar e ele me olhava sério.
Kauã: Pensa de outras cabeças pô, como tu tá se sentindo por tua mãe tá te tratando desse jeito?
Lua: Mal.
Kauã: Tu quer que teu filho, uma criança que dependa de tu, sinta o mesmo? Sendo que tu pode sim, aprender a cuidar dela! Eu vou tá aqui, as minas vai tá, os manos, meu pai também.
Lua: Ele é o que menos quer.- Solucei.
Kauã: Tu sabe que consegue mudar a cabeça dele, só depende de tu.- Respirei fundo.
Lua: Tudo bem, eu fico com a criança.- Passsei a mão no rosto.
Índio: Tu viu a...? - Falou entrando no quarto do Kauã.- Tá chorando de novo pq?
Kauã: Pq perdeu pra mim.- Levantou dando um tapinha na minha cabeça.
Passei a mão no rosto e levantei também.
Fui puxada pro lado do Índio, Kauã ficou do meu lado e a gente foi almoçar.
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No Morro
Ficção AdolescenteFoi no morro aonde tudo começou, aonde eu descobrir o amor e a dor, que eu descobrir que as pessoas que amamos podem nos dar o mundo, pra depois destruir ele da pior forma possível...
