[...] seu rosto molhava novamente devido as lágrimas. [...]
Eu senti um toque macio sobre meu braço, depois foi para o meu rosto, era tão bom que meu sono ficava ainda mais pesado:
- Acorda seu preguiçoso – Ela sussurrou no meu ouvido. Eu conhecia muita bem aquela voz. Abri os olhos e virei para o outro lado. Ela sorriu para mim.
- Natasha? – Perguntei com medo de que sumisse.
- Oi – Tocou o meu rosto com delicadeza.
- É você – Fiquei com os olhos arregalados – Você está aqui – Eu a abracei apertado, ela era minha âncora e eu precisava disso para me firmar no chão. Ela caiu de costas no colchão e eu fiquei por cima abraçando seu pequeno corpo.
- É claro que estou. – Continuou tocando meu rosto, suas mãos eram macias e quentes como eu lembrava.
- Não vá embora, por favor – Escondi meu rosto na curva do seu pescoço. Seu cheiro era tão bom. Beijei seu pescoço.
- Eu não vou a lugar algum – Ela mirou em meus olhos e eu me senti inteiro quando me afoguei naquele mar azul, eles estavam brilhantes e cheios de magia, eu amava aqueles olhos. – Eu sempre estarei aqui com você.
- Não me deixe, eu não vou sobreviver sem você, é a minha vida, meu mundo, se você se for o que me restará?
- Ei! Fique calmo meu amor – Empurrou meu cabelo para trás e me olhou com carinho – Eu não sairei do seu lado, eu prometi ficar sempre com você, não é?
- Mas você está muito mal – Não consegui conter a lágrima quando me lembrei dela deitada naquela cama de hospital totalmente imóvel – Você não reage, não acorda.
- Tudo vai ficar bem, eu só estou cansada. Quando eu estiver pronta acordarei.
- Eu preciso de você – Recostei minha testa na dela – Volta pra mim, por favor. Você é tudo o que eu tenho, toda minha força vem de você, meu motivo de continuar vivendo, meu coração está em suas mãos, se você morrer eu também vou.
- Não diga isso, sabe que não gosto quando fala desse jeito – Ela beijou a ponta do meu nariz – Mesmo se eu for eu quero que continue aqui, você viverá por mim, eu sempre estarei do seu lado te guiando.
- Não, não, não, eu nunca vou aceitar isso – Segurei seu rosto com firmeza para que me entendesse bem – Você é minha outra metade, se você for eu ficarei incompleto, e se não estiver ao meu lado nada mais terá sentido. Por isso, você não pode ir, precisa ficar por mim. – Eu dei um selinho nela – Eu te amo minha linda, amo mais do que minha própria vida.
- Eu também amo você – Suas mãos deslizaram sobre minha costa e o fio de eletricidade percorreu todo o meu corpo, isso era bastante comum entre nós dois, bastava ela me tocar e algo em mim ligava, um choque me conectava a ela, e eu adorava essa sensação, pois tinha certeza de que Natasha era a única que causava esse efeito em mim.
Seus lábios recostaram nos meus, a saudade varreu minhas veias, eu a queria tanto, meu peito ansiava por isso, meus braços se agarravam a ela não querendo deixa-la ir, tinha medo de acordar. Lentamente eu aprofundei nosso beijo, poder sentir seu gosto novamente foi mágico, seus lábios macios deslizavam sobre os meus com familiaridade e me tiravam todo o ar. Eu só queria ela, para sempre.
Natasha afastou ligeiramente sua boca da minha e disse baixinho:
- Eu só preciso de você – Tocou suavemente meu rosto e olhou em meus olhos – Só você.
John acordou com uma cortada respiração. Levou uns segundos para saber onde estava e que tudo não passara de um sonho. Após dois dias Mary conseguiu convence-lo a voltar para o apartamento para descansar e recuperar as forças, o quadro da Natasha continuava o mesmo, e ninguém tinha a resposta de quando ela acordaria. Ele virou para o lado, e para sua infelicidade ela não estava ali. Fechou o punho agarrando o lençol e respirou fundo. Largou o travesseiro o qual dormia agarrado sentindo o cheiro dela, não encontrou outra maneira para conseguir dormir. Ele sentou na cama e passou as mãos sobre o rosto e seguiu para o cabelo. Olhou o relógio sobre o criado e viu que faltavam poucos minutos para as oito da manhã. Suspirou e então levantou. Não tinha vontade de ir para a revista, nada mais daquilo importava, não havia mais sentido ir para lá e tentar agir como um chefe disposto a tudo. No momento ele só queria dormir e acordar apenas quando Natasha também acordasse. Parou em frente ao criado para pegar a pulseira dela, haviam lhe entregado um dia depois do acidente. Olhou para cima e viu o quadro pendurado com um desenho que havia feito dela, Natasha adorava seus desenhos e sempre que John tinha a oportunidade a desenhava e colocava todos em um quadro. Havia vários. Esse foi desenhado durante o natal, ela estava sentada com as pernas em cima do móvel e dobrada, acenava para ele com um lindo sorriso, bem a frente dela havia uma fogueira, a mesma da casa dos avós dela. Nesse dia ela estava mais do que feliz, estava radiante, e esse foi um momento que John nunca esquecera, ficou gravado na mente, e decidira que iria desenhar para nunca mais esquecer.
Ele levou a pulseira ate a boca e a beijou, fez o mesmo com a sua em seu pulso. Deixou a joia de volta no criado e saiu do quarto.
Ao chegar à cozinha sua mãe já estava de pé e tomando café:
- Bom dia filho – Não sorriu como habitualmente, ate porque nem tinha porque, John não sorria mais.
- Bom dia
- Bom dia meu menino – Tina apareceu com uma jarra de suco – Quer tomar café?
- Não, obrigado, estou sem fome – Já ia sair da sala quando Mary falou.
- John você precisa comer, nesses dias você mal tem se alimentado, come uma coisa ou outra, assim vai acabar passando mal.
- Não se preocupe comigo
- Por favor, filho, eu sei que está sofrendo, mas não pode deixar de cuidar de si – Mary levantou da sua cadeira – Você precisa estar forte.
- Sua mãe tem razão John. Tivemos muita dor esses dias, se você adoecer será o fim. Deve estar muito bem de saúde quando Natasha acordar.
Ele abaixou a cabeça por um instante e respirou fundo:
- Pelo menos tome um suco – Mary encheu um copo e se aproximou do filho – Por favor.
- Tudo bem – Cedeu pegando o copo.
- Tome na minha frente – Pediu.
Ele revirou os olhos, mas fez o que ela pediu, tomou todo o suco e entregou o copo a ela:
- Você vai trabalhar hoje? – Ela perguntou sentindo uma pontinha de alivio.
- Não, não tenho cabeça para trabalhar, pedi ao Sam para ficar no meu lugar.
- Certo. Bom eu vou para o meu consultório, adiei varias consultas esses dias, sou obrigada a ir hoje.
- Não se preocupe. Daqui a pouco vou para o hospital.
- Tá! Qualquer coisa me ligue e eu venho correndo – Tocou o rosto dele.
- Ok – Deu um sorriso sem ânimo e saiu da sala de jantar subindo as escadas para voltar ao quarto.
Mary e Tina se olharam tristes e contiveram as lágrimas. John ficou vários minutos debaixo do chuveiro sentindo a água fria cair em seu corpo. Olhou para os produtos de higiene na pequena prateleira e pegou o sabonete líquido, o preferido de Natasha, tinha cheiro de morango, ela adorava sentir o aroma em seu corpo. Ele abriu a tampa e inspirou o cheiro, nunca se atreveu a usar, apenas sentia seu perfume para lembrar-se dela. Devolveu o sabonete a prateleira e pegou o seu.
Quando entrou na ala para onde Natasha foi transferida ele encontrou Michelle sentada bebendo café:
- Mich – Se aproximou.
- Oh! John, bom dia. – Olhou para cima mostrando um suave sorriso.
- Tudo bem?
- Sim, sim.
- Onde estão todos?
- Ethan e Naya tiveram de ir trabalhar, Tia Susan mal estava se aguentando em pé então tio Taylor a levou para casa.
- E quanto a você? Parece cansada.
- Estou um pouco – Esticou as costas.
- Por que não vai para casa descansar um pouco? Eu fico aqui.
- Não, tudo bem.
- É melhor Mich, eu ligo para você se algo acontecer.
- Hmmm – Ela pensou na proposta, mas no fim acabou concordando, ela havia passado a noite ali e não dormira nada, deitar em uma cama confortável agora seria muito bom – Certo. A Kate daqui a pouco vai chegar.
- Tá
A loira levantou e jogou o copo no lixo:
- Eu volto assim que acordar
- Tudo bem – Acenou com a cabeça e a esperou sair antes de entrar na sala.
Ele se aproximou de Natasha, e a mesma não tinha mais um pingo de sangue sobre seu corpo, estava totalmente limpa. Ela continuava igual, inconsciente e com o tubo de respiração na boca, aquilo o incomodava bastante, mas isso a mantinha viva então tinha de aguentar. Ela estava pálida e parecia sem vida, ate seu cabelo havia perdido o brilho, seu tom azulado desaparecera, e isso fez o coração dele se apertar. John tocou a mão dela e deslizou suavemente a outra em seu rosto antes de dar um beijo em sua testa:
- Oi meu amor, eu vim ver você como prometi. Desculpe se não passei a noite aqui, minha mãe me convenceu a ir para casa e tentar descansar. Você sabe como ela é, nunca deve contraria-la – Sorriu. Puxou o banco ao seu lado e sentou sem soltar a mão dela – Sabe eu estive pensando sobre quais flores plantar no jardim de casa, eu sei que você adora flores e aquele jardim, mas eu estou em dúvida entre rosas brancas e tulipas roxas, o que você acha? – Ele olhou para ela como se fosse receber uma resposta – Rosas brancas, é eu também gosto dessas, são nossas preferidas, tem um significado não é?! – Soltou uma leve risadinha. Aproximou seu rosto e beijou a costa da mão dela e a olhou por cima dos cílios. – Eu também tava pensando em outra coisa, o que acha de fazer um campo inteiro com apenas rosas brancas? Ou seria melhor tudo colorido? Todos deram suas opiniões, mas a sua é a única que me interessa, então o que acha?
Fez carinho em sua mão beijando outra vez e recostando em sua bochecha:
- Colorido, é bem o seu estilo. O jardim vai ficar muito bonito, você vai adorar, já posso ate ver você correndo no meio das flores, passando boa parte do seu dia lá – Soltou uma risadinha e tentou segurar o sorriso, mas logo desapareceu. John abaixou a cabeça e fechou os olhos por uns segundos – Você precisa acordar – Ficou de pé curvando-se sobre ela para ficar bem próximo do seu rosto. Tocou seu cabelo – Por favor, acorde... Abra esses olhinhos para mim, por favor. – Esperou ansioso para que ela de alguma forma o escutasse e abrisse os olhos, mas nada aconteceu, ela continuou imóvel – Natasha... – Abaixou a cabeça recostando sobre seu ombro.
De repente o aparelhou começou a apitar mais rápido que o normal e mais alto. Ele ergueu a cabeça assustado olhando direto para a tela, o gráfico estava aumentando consideravelmente. Algo estava errado. Ele correu para a porta da sala e gritou:
- Por favor, alguém me ajude, por favor, ela está passando mal – Uma enfermeira e um médico escutaram os gritos e vieram correndo.
Eles entraram na sala apressados, e logo mais enfermeiros chegaram. O gráfico começou a cair. O médico se aproximou do nariz para sentir sua respiração e em seguida checou o pulso
- É uma parada cardíaca. – Mais do que as pressas todos começaram a correr para pegar o equipamento necessário.
- Por favor, senhor – Uma das enfermeiras se aproximou de John – Espere lá fora.
- Não, eu não vou sair
- Por favor, você acabará desconcentrando o médico
- Eu não vou sair
- Ela não está reagindo – O médico falou após tentar a massagem cardíaca – O desfibrilador rápido.
- Por favor, senhor.
- Escute você tem que sair, eu preciso fazer o meu trabalho, eu tenho que salva-la, mas com você aqui gritando não vai adiantar. Saia daqui. – O médico respondeu com raiva olhando o moreno por cima do ombro
Um dos seguranças que apareceu segurou o braço de John e o levou para fora:
- É para o seu bem, espere aqui. – O segurança fechou a porta.
- John? – Kate o chamou, mas o mesmo não se virou, continuou paralisado no lugar olhando a porta – O que aconteceu? – Ela correu. Assim que viu seu rosto seu coração deu um salto, ele estava chorando.
- Não, por favor... – Ele caiu de joelhos no chão – Não faça isso, por favor, não faça isso, por favor. Não faça. – Tocou seu peito.
Kate arregalou os olhos, estava começando a entrar em pânico, olhou pelo vidro da janela e viu o peito de Natasha pular com o choque do aparelho:
- Oh Meu Deus – Cobriu sua boca.
- Não, não, por favor, você não pode Natasha... Não faça isso
- Fique calmo John – Se ajoelhou ao lado dele e o abraçou – Ela vai ficar bem, você vai ver – Respirou fundo alisando suas costas – Vai ficar bem.
Os minutos pareciam que não passavam, cada segundo era uma maldita espera. Kate conseguiu fazer com que John sentasse em uma das cadeiras e saísse do chão. Finalmente o doutor saiu da sala e passou a mão no cabelo. John deu um salto assim como Kate:
- Como ela está? – Ele perguntou com medo do pior.
- Está bem, por um minuto achei que a perderia de vez, ela não reagia nem com a massagem e muito menos com os choques, mas por sorte no último minuto ela voltou – Ele respirou fundo – Ainda continua em coma, mas pelo menos evitamos o pior.
- Eu posso vê-la? – Ele perguntou.
- Sim, a Doutora Denver está lá, mas creio que não há problema
- Obrigado – Ele passou pelo médico e entrou na sala.
- Muito obrigada doutor por ter salvado minha amiga – Kate segurou a mão dele.
- Não me agradeça, é o meu trabalho. Sua amiga é jovem demais para ir embora.
- Eu sei – Sorriu suspirando de alivio. Quando ele saiu, ela mais do que as pressas pegou o celular.
John parou um pouco longe da cama dela quando viu a doutora Lily conversando com Natasha enquanto aplicava algum medicamento:
- Querida eu sei que deve estar sofrendo pela perda do seu bebê, mas não deve desistir da sua vida – Deixou a seringa na bandeja ao lado – Há muita gente que está torcendo pela sua recuperação – Tocou o cabelo dela – Eu prometo que farei de tudo para fazer você se recuperar, mas o resto é com você, vou precisar da sua ajuda. Está bem? – Deu um suave beijo em sua testa e se virou deparando-se com John – Ela já está melhor, foi por pouco, mas Natasha é uma garota forte.
- Eu sei – Foi à única coisa que conseguiu dizer.
- Eu vou deixar vocês dois a sós – Se retirou da sala.
John com passos vagarosos caminhou até ela. Olhou para todo o seu corpo e depois para o aparelho que apitava ao seu lado mostrando que ela ainda estava viva, e que seu coração batia. Fixou o olhar em seu rosto e tocou sua bochecha:
- Você me assustou, eu pensei que iria perde-la para sempre... Não faça mais isso, eu não sei se vou aguentar da próxima – Sentou na cadeira ao lado da cama – Você tem que se recuperar, por favor, faça isso por mim, reaja, por... Favor... Nat... Eu te amo tanto... O que vou fazer sem você? – Cruzou os braços sobre a cama e recostou a cabeça neles chorando sem reservas, chegava a soluçar quando lembrava os minutos de terror que acabara de passar. Ainda na mesma posição segurou a mão dela e começou a pedir a quem quer que estivesse escutando para traze-la de volta, que a salvasse, ofereceu sua vida em troca se isso a fizesse acordar, mas apenas queria sua Natasha sorridente de volta.
Continua...
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Simply, I love you
RomanceO que acontece em Paris deve ser levado para a vida toda. O que você faria se, literalmente, esbarrasse no amor da sua vida na cidade mais romântica do mundo? Natasha Donovan tinha acabado de se formar em Publicidade, e ganhou de seus pais como pres...
