– Chefe! – Ouço alguém me chamar ao longe.
– Chefe ... você está bem? Está acordado? – Abra os olhos devagar piscando várias vezes por conta da forte luz que entra no ambiente. Remexo-me na cama me sentando. Passo as mãos no rosto com certa força sentindo uma forte dor de cabeça. Abro apenas um olho e fixo na pessoa à minha frente.
João é meu parceiro de todas as horas. Um cara alto de um metros e noventa de altura, cabelos castanhos claros quase um loiro. Tem uma barba fechada na mesma tonalidade, olhos azuis e é gordo. Não aquele tipo de gordo desleixado com uma barriga enorme. Não definitivamente não. O cara se cuida e muito. Eu falo que ele é um falso musculoso. É boa pinta um ótimo amigo. Conheci João quando entrei para a Polícia Federal. Fiquei dois anos desempenhando atividades administrativas dentro da corporação. Sou advogado formado mas nunca atuei na área. Meu sonho sempre foi ser um atirador, por isso, sempre me especializei. Fiz o curso especial de atirador em precisão, melhor dizendo eu era um franco-atirador um Sniper . E foi seguindo este sonho que me alistei para entrar no COT – COMANDO DE OPERAÇÕES TÁTICAS DA POLÍCIA FEDERAL. Passei por um período de testes de condicionamento físico e mental por mais de um ano sendo admitido com louvor. Depois disso, tive que passar por mais um tipo de estágio probatório. Este por sua vez, avalia a convivência em grupo a presteza nas ações policiais para ver nosso desempenho em tudo o que aprendemos. Foi um tempo bem difícil na verdade mas, me trouxe muita satisfação, pois, fazia o que nasci para fazer, ser atirador principalmente, ser o melhor. Me tornei o chefe das operações e nosso lema era "Em qualquer hora, em qualquer lugar para qualquer missão".
E foi assim, entre conversas e meu fascínio pela profissão que fiz a cabeça de João para nos alistar no comando. João está lá até hoje. Agora eu... já é uma outra história.
– Pô cara, para de gritar! Estou com uma tremenda dor de cabeça e você ainda fica gritando meu, que saco! – Digo com raiva. Ele me olha levantando uma sobrancelha, tomba a cabeça para o lado e cruza os braços. Já sei que vou ouvir um monte. – Fala logo o que você quer caramba! – Ralho com ele.
– Sério mesmo que você vai fazer isso? Tenho que ir te buscar quase todo dia naquele muquifo porque você bebeu demais e arrumou briga com alguém. Isso já tá ficando chato. – Ele diz me avaliando, olhando em meu rosto com certa frustração .
Eu sei que eu tenho falhado desde aquele dia. Eu não sou mais a mesma pessoa. Tenho me afundado na bebida e isso me acarretou a saída do comando. Eu amava o que eu fazia e depois daquele dia eu perdi não só o amor pela profissão, perdi muito mais do que isso.
– Paulo, sei que você está sofrendo, está quebrado. Eu não imagino a sua dor e o seu sofrimento. – Passa a mão pelo rosto de baixo para cima indo para seus cabelos. – Já faz tempo que tudo aconteceu. Aquilo foi uma fatalidade. Quem imaginaria que o cara pegaria logo ela? – Nessa hora eu me levanto com raiva indo em direção ao banheiro. Ouvir sobre este dia me tira do eixo.
– Paulo, onde você vai? Estou falando com você. – João, vem em minha direção. Retiro minhas roupas, entro no box ligando o chuveiro. – Sei que não é fácil lidar com essa dor mas, cara...olha como você está! Tenho certeza que se Laura te visse assim, ela ficaria arrasada. – Saio debaixo da ducha indo em direção à ele com toda raiva existente. Prenso o seu corpo contra a parede colocando meu antebraço em seu pescoço, apertando com força impedindo-o de respirar.
–CALA A BOCA!CALA SUA MALDITA BOCA! NUNCA MAIS OUSE MENCIONAR O NOME DELA. – Solto o meu antebraço de seu pescoço. João cai no chão puxando o ar com força. Ele fica alguns minutos desse jeito. Entro no box, desligo o chuveiro, saio do banheiro voltando ao meu quarto.
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A lei é o Amor.
RandomEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
