Saí do prédio com Verônica e vamos à casa de dona Joana. Fomos o caminho todo conversando. Contei para ela o que foi encontrado nos exames laboratoriais. Verônica ficou estupefata assim como eu. Agora, preciso organizar minha mente para a conversa que terei com dona Joana.
Estacionamos o carro de frente a uma casa simples, porém muito bonita. É um sobrado com uma varanda grande, tem um jardim bonito na frente com várias rosas vermelhas e brancas. De cada lado da casa tem um corredor. Descemos e nos direcionamos até o portão, aperto a campainha e logo ouço uma voz feminina pelo interfone.
– Pois não? – Uma voz cansada atende.
– Sou a delegada Bárbara Salomom preciso falar com dona Joana. Ela se encontra? – Pergunto enquanto Verônica se posiciona ao meu lado olhando ao redor.
– Oh claro. Estou indo abrir o portão. Só um momento. – Diz e desliga.
Segundos depois, aparece dona Joana vestida de forma simples. Ela é uma senhora mais baixa do que eu, bem magrinha, de pele clara cabelos escuros com vários fios brancos. Seus olhos castanhos carregam tristeza, seu semblante abatido mostra o quanto tem sofrido. Ela abre o portão nos dando passagem para entrar.
– Por favor entrem e fiquem à vontade. – Entramos enquanto ela fecha o portão. – Fiquei muito feliz em saber que viria delegada. Estou esperando por nossa conversa desde o dia em que fui ao Departamento. Eu sinto que a senhora vai me ajudar a encontrar a minha filha. – Ela diz isso enquanto nos leva para dentro de sua residência.
A casa é uma graça por dentro. Tudo muito limpo e organizado. Na sala tem um sofá grande de três e dois lugares na cor branca, um tapete bem peludo, uma mesa de centro preta. O painel para a TV pega uma parede toda do teto até a altura do rack tudo em tom preta. Uma TV grande de sessenta polegadas e em cima do rack e no aparador em uma parede próxima tem algumas fotos de família.
Peço permissão e vou até o aparador, pego um dos porta-retratos e vejo duas moças. Uma é Vanessa e a outra é uma moça morena clara, cabelos castanho que caem como cascatas, aparentemente baixa, olhos cor de mel e é gorda. Uma jovem linda, com um sorriso muito lindo. Radiante.
– Ela é linda né? – Afirmo e dona Joana se aproxima pegando uma outra foto. – Ela sempre foi uma ótima filha. Nunca me deu trabalho. Não ia para esses negócios que os jovens de hoje em dia fala como é mesmo reiv,reivin...ah...não sei como se fala. – Nessa hora eu e Verônica rimos sem emitir som ao ver a simplicidade dela. – Luiza era uma boa filha. Estudiosa, trabalhadora. Nunca se envolveu com coisa ruim, nunca namorou. Ela só vivia dentro de casa quando não estava trabalhando ou na faculdade. – Ela olha saudosa para a foto alisando onde está a filha. – Sua diversão eram os livros. Ela me dizia sempre: "Mamãe os * Livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação, e vida a tudo". – Suspira. – Ela dizia que ali ela vivia as mais incríveis aventuras que jamais em outro lugar ela encontraria.
– Como foi que ela sumiu dona Joana? – Verônica pergunta. Dona Joana deixa o porta-retrato no lugar e nos leva até o sofá.
– Sentem por favor. – Ela aponta e nos sentamos.
– Luiza saiu de casa como todo dia as sete da manhã para entrar no serviço as nove. Ela trabalhava em uma cafeteria que também é uma livraria. Lá ela trabalhava no balcão servindo os clientes. Ela nunca reclamou do serviço na verdade ela adorava, ela estava em seu universo. No dia em que ela sumiu, nós estranhamos sua demora em voltar para casa. Ela trabalhava aqui na cidade e fazia faculdade em Serra Negra uma cidade próxima. Ela tinha um horário para chegar ela sempre foi pontual, nunca se atrasava para nada, e naquele dia ela não veio para casa. Como ela não tinha amigos não tínhamos para quem recorrer. Fomos até a delegacia informar o desaparecimento dela, mas aí o delegado de plantão disse que deveríamos esperar vinte e quatro horas para depois dar queixa. Fizemos isso e no outro dia eu e meu esposo fomos até lá de novo. Falamos com o delegado e ele começou as investigações. Eu fui naquela delegacia todos os dias por um ano para saber se eles tinham alguma novidade e sempre saia pior do que entrava. Foi quando o delegado deu por encerrada a procura e arquivou o caso. Eu gritei eu briguei e de nada adiantou. E de lá para cá tenho sobrevivido. Sempre faço cartazes e vou nas ruas colar nos postes. Já recebi várias ligações enganosas me mandando para um local quando chegava lá não havia nada. – Nessa hora ela junta as mãos e coloca no meio das pernas encolhendo os ombros. – Eu só queria minha menina de volta. As pessoas dizem para eu esquecer que não vou encontrá-la nunca mais, ou dizem que ela morreu, mas, eu sinto dentro do meu coração que ela está viva em algum lugar deste mundo...eu sinto isso. – De seus olhos descem grossas lágrimas que logo são secas por suas pequenas mãos. – Eu sei que isso parece burrice da minha parte, mas eu sei que ela está viva. Eu ainda vou tornar a abraçar minha filha antes de partir desta terra. – Diz fungando.
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A lei é o Amor.
RastgeleEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
