Liberdade.
Esta palavrinha com nove letras traz uma sensação boa ao pronunciá-la. Segundo o dicionário, liberdade é o direito que todos temos de agir segundo o nosso livre arbítrio, de acordo com nossa própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém.
Eu era uma pessoa livre. Tomava minhas próprias decisões, sendo elas ruins ou boas independente do que isso acarretaria sobre mim. Era eu quem assumia a autonomia de meus atos, desejos e vontades. Eu assumia os riscos e o peso das minhas decisões.
Com a liberdade em minhas mãos, eu planejava e construía meu caminho decidindo como, onde e com quem o percorreria. A liberdade me fazia autônoma para decidir por mim mesma.
Hoje, isso eu não posso fazer mais. A liberdade me foi tomada, arrancaram-na de minhas mãos como se toma um doce de uma criança. Passei a seguir à vontade e desejos de outrem e não mais a minha. Meus desejos, vontades e anseios foram todos jogos, quebrados, destruídos. Eles foram substituídos por servidão, sujeição, subordinação, dominação e controle. Tudo o que tenho me foi imposto. Eu a perdi e sei que nunca mais irei encontrá-la.
Eu não vivo, apenas tento sobreviver. Minha vida mudou desde aquele dia, o dia em que tudo se transformou em caos, destruição e escuridão. Não sei mais como é ser livre, ter liberdade de ir e vir, ser livre para olhar o céu estrelado, ver com o astro maior de todos o meu querido Sol brilha no céu azulado ou ainda sair andando na chuva sentindo suas gotas gélidas caírem em minha pele trazendo a lembrança de aconchego dentro do meu lar enquanto ouço o som de seus pingos caírem fazendo subir um cheirinho bom de terra molhada trazendo uma fragrância agradável.
Eu faria de tudo para tê-la de volta, mesmo que fosse por alguns segundos. Me agarraria a ela como uma válvula de escape e pediria aos céus que prolongasse minhas forças para que pudesse ficar presa a ela sem me soltar.
Vivo em um quarto de cinco metros quadrados. A única coisa que tem aqui é um banheiro muito pequeno. Dentro deste cômodo tem uma cama, um guarda roupa que possui pouquíssimas peças de roupa. Há somente uma porta que dá entrada ao quarto e uma janela muito pequena que fica próxima ao teto. Estou neste lugar desde quando tudo aconteceu.
Quando cheguei aqui eu ficava trancada, enclausurada sem poder sair. Eu gritei, esmurrei a porta, mas, nunca ninguém veio me ajudar, nunca ninguém me ouviu. Eu estou sozinha, desamparada, abandonada.
Penso muito em meus pais. Como eles estão? Será que ainda me procuram? Será que esqueceram de mim? Eu sinto tanta falta do cheiro de lar, do conforto de seus abraços e do carinho imenso que seus beijos me faziam sentir. Eu era protegida, amada, respeitada.
Hoje eu sou abusada. Constantemente abusada. Carrego em meu corpo marcas terríveis, cicatrizes que também estão em minha alma.
Passados tantos anos, hoje posso sair do quarto. Sou faxineira do lugar. Sempre faço a limpeza na madrugada. Ele me pega todos os dias e me faz limpar todo o local e se deixo algo sujo ou fora do lugar eu apanho. Uma vez deixei a vassoura em um dos cômodos, fui chamada até o local e quando me perguntaram o porquê de ela estar ali eu não tive tempo de dizer nada, apenas senti quando uma faca afiada foi cravada em minha coxa deixando apenas o punhal para fora. Naquele dia apanhei, pois, meu sangue havia sujado o local.
Agora estou em meu quarto com uma venda em meus olhos e amordaçada esperando meu castigo por deixar algo sem fazer. Quase todos os meus dias são assim.
Sou levada para um lugar onde minha roupa é tirada com brutalidade. Sou algemada e presa em pé na parede. Ouço quando uma porta é aberta e alguém entra. Eu não sei quem é. Nunca soube. Sua voz é meio computadorizada e essa pessoa nunca me deixa encostar nela. Não sei como é seu corpo e textura de sua pele e cabelo. Nada. A única coisa que eu sei é que essa pessoa tem um cheiro característica. Um perfume forte amadeirado e ao mesmo tempo doce. Sinto que se aproxima. Um medo descomunal me toma e passo a tremer. A crueldade com que me trata é desumano.
– Como você está minha bonequinha? Fiquei sabendo que você foi uma menina má. E você sabe o que as meninas más merecem não é mesmo? – Não posso dizer, pois estou impossibilitada. Apenas tremo e passo a chorar. – RESPONDA SUA ORDINÁRIA! – Meu choro se intensifica. – Ah, não quer dizer então você verá o que uma menina má como você merece.
E a partir daí sofro as mais terríveis torturas e estupro. Sinto-o próximo ao meu rosto.
– Eu não queria fazer isso com você minha Esperança, mas você não me dá outra opção. – Ele passa seu dedo em meu rosto. – Você é tão linda. – Em seguida, ele me beija mordendo meus lábios. – Leve-a daqui. – Ordena com tom de voz dura e gélida.
Saio carregada e não sinto mais nada.
Esperança!
Sou chamada de esperança e é isso que me move. Sei que preciso tê-la e me agarrar a ela para poder continuar viva e seguir crendo que um dia sairei daqui e terei minha vida de volta, minha tão sonhada liberdade.
Eu preciso ter Esperança.
***
Bom dia pessoas!
Obrigada por estar comigo nessa minha loucura. 🤪🤪
O capítulo é pequeno, por isso postarei um outro mais tarde.
Espero que gostem.
Um beijão.😉😚😚
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A lei é o Amor.
RandomEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
