Deu para perceber que Bárbara é do tipo de pessoa cabeça dura. Ontem passou mal o dia todo e hoje, pelo jeito, ainda não está bem. Percebi isso ao vê-la meio letárgica na reunião de hoje mais cedo. Ela me pediu para ampliar a lista de anestesistas. A princípio, eram somente os que trabalhavam no hospital da cidade, mas, como tudo aqui é movido em torno da cidade de Serra Negra ela me pediu para incluir os de lá também.
Não foi trabalhoso fazer, muito pelo contrário foi interessante. As vítimas morreram dopadas isso é um fato comprovado. Elas receberam uma dosagem de brometo de pancurônio na veia e o escopolamina via oral. O brometo só pode ser aplicado por um profissional de saúde, por isso estamos atrás pois, essa substância é aplicada em pacientes que farão alguma cirurgia agindo junto com o a anestesia geral para promover o relaxamento muscular.
Hoje, o perito que fez o confronto das impressões digitais me ligou informando que a imagem que aparece no vidro do carro é de uma pessoa mascarada. A pessoa que fez isso não queria ser reconhecida e isso me mostra que estamos lidando com profissionais e não com pessoas tolas e inexperientes. Mandei uma mensagem para Bárbara avisando sobre isso e ela me responde com uma carinha triste. Sorrio ao ver isso e suspiro voltando para a investigação. Isso poderia nos dar uma alavancada no caso, mas infelizmente não tivemos o resultado que imaginávamos.
Liguei nos hospitais público e privados das cidades e me informaram que tem apenas três anestesistas que atendem as duas cidades e que tem consultório próprio, trabalham em plantões de meio turno nos hospitais e nas clínicas. Pego seus nomes, telefones e endereço de seus consultórios.
Pego o número de telefone de um deles, marco um horário e me encaminho até lá. O endereço é de uma clínica no centro. Chego antes e aguardo ser chamado. A recepcionista e secretária pedem meus dados.
– Não precisam pegar meus documentos senhoras, sou do departamento de polícia e estou aqui para fazer algumas perguntas ao doutor. – Falo e logo elas me pedem para entrar na sala. Assim que entro vejo um jovem médico da minha altura, cabelos negros, olhos na mesma tonalidade, pele clara. Ele sai de trás de sua mesa e vem até mim para me cumprimentar e assim o faço.
– Bom dia senhor em que posso lhe ajudar. – Ele pergunta solícito.
– Bom dia doutor William, sou delegado Paulo do DEIC e queria lhe fazer algumas perguntas. – Ele anui me indicando o assento e sentando-se em seguida. – O brometo de pancurônio você tem ele aqui na clínica ou em seu consultório? – Ele cruza os braços em cima da mesa.
– Não delegado. Esta substância só é vendida para os hospitais. Mesmo nós que somos os responsáveis em aplicar nos pacientes, não temos acesso a elas. Como ele paralisa o diafragma e os pulmões, seu uso é restrito. – Ele encosta da cadeira. – Qual o motivo do interesse delegado? – Ele me olha fixamente.
– Sou um dos responsáveis pela investigação da morte da modelo Paloma Durante filha do vereador Carlos Durante. Foi encontrada esta substância em seu sangue, eu queria saber se o senhor tem fácil acesso. A dosagem aplicada foi consideravelmente alta e sei que para ser aplicado é somente um profissional da saúde que pode fazê-lo. – Ele anui.
– Como eu disse, somente os hospitais podem fazer a compra. Eles compram o lote e demarca todos que são usados, então, o melhor seria você investigar nos hospitais da cidade. – Suspira. – Desculpe não poder ajudar delegado. Espero que consiga as informações que precisa. – Levanto-me e estendo a mão em cumprimento.
– Obrigado pelas informações doutor. E me desculpe tomar seu tempo. Até mais. – Ele aperta minha mão e saio de sua sala. Preciso conversar com o diretor do hospital da cidade. Preciso saber quem tem acesso a farmácia lá dentro e quem pode ter entregado este medicamento.
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A lei é o Amor.
De TodoEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
