Sempre acordei cedo, nunca fui uma pessoa que fica horas deitado, principalmente depois do que aconteceu comigo há anos. Quando durmo sempre acordo sobressaltado com pesadelos daquele dia fatídico. Muitas vezes tenho medo de dormir, acho que é por isso que passei a dormir pouco. Não durmo mais de quatro horas todos os dias.
Desde que me entendo por gente, papai sempre trabalhou a noite nos hospitais pegando plantões quase que diariamente. Quando eu e Guilherme éramos crianças ficávamos até tarde esperando ele chegar em casa para poder vê-lo. Acho que isso também contribuiu e muito para eu dormir pouco e muito mal. Ele nos trazia coisas para comer como lanches do McDonald's, ou chocolates, balas, enfim, nós sempre o esperávamos ansiosos para vê-lo e para comer o que ele trouxe para nós. Não nos julguem, éramos crianças.
Mamãe nunca nos deixou ociosos. Sempre tínhamos algo para fazer depois das aulas. Estudávamos no período da manhã, então, acordávamos bem cedo. De segunda-feira a sexta-feira tínhamos diversas atividades como aulas de inglês, espanhol e francês, natação, futebol, informática enfim tínhamos nosso tempo tomado por essas coisas além de termos sempre e todos os dias nossos horários para brincar com nossos amigos e vizinhos. Nossa rua era fechada por uma corda a qual amarrávamos nos portões e jogávamos vôlei. Quando algum caminhão iria passar, tirávamos a corda esperávamos ele passar para depois colocá-la de novo em seu devido lugar. Quando não, fazíamos torneio e crianças de outras ruas vinham disputar contra nós. Algumas vezes ganhávamos em outras, não tínhamos tanta sorte. O prêmio? Bom, não tinha. Era apenas pelo prazer de jogar e estar com os amigos. Chegávamos em casa pretos de sujeira.
Quantas vezes íamos para o famoso campinho jogar bola. Juntávamos com os adultos, montando o time e isso durava quase que o dia todo jogando. Adorava quando brincávamos de bolinha de gude, futebol de botão...cara minha infância foi demais! Lembro-me quando entrávamos no canavial para pegar cana ou laranja. Quando aparecia um guardinha largávamos tudo e saíamos correndo levando as canas no peito tamanho o desespero de sermos pegos. Depois do caso passado ríamos de doer a barriga. Bons tempos!
Estou caminhando pelas ruas da cidade de Monte Alegre do Sul tendo essas lembranças ao ver crianças indo uniformizadas para a escola. Vim comprar pão para meu desjejum. João saiu ontem à noite e voltou bem tarde. Hoje, ele deve ir para a base no período da tarde. Robert disse que vem tomar café da manhã comigo. Ele veio para trabalhar na operação junto conosco. Ele não conseguiu um apartamento no mesmo prédio em que eu e o João estamos. Ele e Cristina estão hospedados no mesmo hotel.
Quando o ex-namorado de Cristina foi preso Robert foi um dos policiais que ajudou a prendê-lo. Eu os apresentei e depois disso eles se tornaram amigos. Cristina ainda mora em Campinas de vez em quando aparece por São Paulo e quando dá, nos reunimos na casa do Robert para conversarmos ou em qualquer outro lugar, pois o tempo sempre é curto.
Chego em casa e começo a preparar o café. Desta vez ele será coado no coador, nada de cafeteria. Começo a arrumar a mesa com os pães, os frios, as frutas, suco, leite e a garrafa de café. Estava indo em direção ao banheiro quando a campainha toco. Vou até a porta e verifico pelo olho mágico e vejo que é Robert. Abro dando passagem.
- Eae soldado como é que está? - Diz ao nos afastar de nosso abraço.
- Estou bem Robert e como você está? - Pergunto me dirigindo a cozinha trazendo-o junto comigo.
- Vou bem meu amigo, só sentindo falta da Karine e das crianças. - Suspira. - Eu nunca fiquei longe deles. Está bem complicado, mas, é por uma boa causa. - Vou até o armário e pego duas xícaras e dois copos.
- E o hotel onde está hospedado é bom? - Ele anui.
- É sim. Lá é bem no centro na cidade então estou perto de tudo. Sempre que preciso comer ou tenho vontade de algo é só descer e ir atrás. É bem de boa. - Diz e passa a comer um pão de queijo que tirei do forno. - Huum...caramba que coisa boa. Onde você comprou? Cara isso tá bom demais. - Ele diz e eu sorrio.
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A lei é o Amor.
RandomEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
