Estou em meu escritório entretido tentando definir alguns por menores de um caso a qual estou resolvendo, quando ouço batidas em minha porta. Peço para que entre. Ouço passos mas não olho. Sobre a minha mesa, está com uma porção de papéis amontoados, todos para arquivar. Estou tentando esclarecer algumas questões do caso que estou em mãos.
– Preciso falar com você. Surgiu um caso grande e precisamos de sua ajuda. – Diz Robert um amigo policial que fiz quando passei pela clínica de reabilitação. – Sei que você não gosta de fazer este tipo de coisa mas, como nenhum analista tem as informações necessárias, o pessoal da operação precisa de você e de sua experiência.
Meses depois daquele almoço com João naquele restaurante, decide me internar em uma clínica de recuperação para tratamento de alcoolismo e dependência química. No centro de tratamento de álcool, tive orientação em cada etapa do processo de recuperação – da desintoxicação à vida após a reabilitação. Tive um suporte por vinte e quarto horas por dia, sete dias por semana. Não foi um tempo fácil, na verdade foi muito difícil. Eu bebia sem parar e minha dependência era extrema e quando fui para a clínica eu quase desisti. Fui diagnosticado como dependente alcoólico de intensidade grave pois, já estava comprometendo minha saúde física e psíquica. Fiquei em tratamento por seis meses na clínica e após sair de lá, passei a frequenta-la três vezes na semana e continuei participando das palestras, passando com a psicóloga, o terapeuta e ia nas reuniões do AA - Alcoólicos Anônimos – e lá relatava minhas experiências e ouvi de meus colegas. Foi um tempo de trevas confesso mas, eu consegui e estou limpo há mais de cinco anos.
– E o que seria Robert? – Pergunto tirando meus olhos dos papéis e dando atenção ao que me é falado. Cruzo meus braços. Ele se senta e suspira pesado.
Robert me ligou algumas horas antes de vir a meu escritório que fica no centro da capital paulista. Pelo jeito a coisa está feia. Para ele vir até mim e falar assim com certeza vou à campo sendo que, este serviço é para o pessoal da Operação da Inteligência e não para uma pessoa que está desvinculado da Agência a tempos.
Após sair da clínica e voltar a minha vida de trabalho e casa, decidi fazer um curso de investigação criminal pela FBI – Federação Brasileira de Investigação. Fiz também o curso de detetive particular com noções em investigação. Ainda trabalhava na Polícia Federal, quando decidi mudar de ramo e entrar na ABIN – Agência Brasileira de Investigação. Precisei estudar muito e prestei o concurso e passei dentre os primeiros. Dentro da Agência, as áreas de atuação é dividida em três: Produção e proteção, Suporte e Operação. Eu fazia parte do suporte. Este por sua vez, consiste na gestão administrativa da Agência e no apoio às ações de Inteligência desenvolvido por pessoas especialistas com conhecimento na área de Administração, Direito, Engenharia, Jornalismo e Tecnologia da Informação. Trabalhei na Agência por três anos e há dois anos sou detetive particular . Ajudo a polícia federal em alguns casos ainda. Quando precisam, eles recorrem a mim pois, sou muito bom no que faço.
– O Juarez quer que você vá a campo pois, de acordo com os dados que ele colheu nas investigações e no relatório que foi redigiu, tem alguma coisa que está faltando e, ele sabe que você é um ótimo investigador e que tem olhos de águia para ver e achar brechas que muitas vezes não vemos. – Ele me olha. – Você é ótimo no que faz Paulo e não sei por que não fez parte do grupo de operações. O pessoal perdeu um ótimo agente. – Dá um sorriso de lado. – O pessoal precisa de alguém como você nas ruas. Um cara que enxerga ao longe e arquiteta tudo de forma minuciosa.
Respiro fundo e solto o ar de forma ruidosa olhando pra baixo, me ajeitando na cadeira. Já tive esse tipo de converso ele. Eu gosto de ir à campo mas, me sinto desconfortável quando o assunto é investigação para a polícia federal. Sei que não é coisa boa para ele vir até meu escritório.
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A lei é o Amor.
De TodoEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
