Capítulo 6 - Paulo.

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Após arrumar minhas malas, decido ir à casa de meus pais. Não sei por quanto tempo estarei fora da cidade, então passarei o domingo com eles. Antes de ir para lá, passo em meu escritório para pegar alguns equipamentos que usarei nesta missão. Pego meu notebook, as câmeras, as escutas, o GPS e alguns disfarces que tenho guardado caso precise.

Quando ainda era um menino, me imaginava como aqueles detetives dos filmes do Sherlock Holmes ou até mesmo como o Inspetor Bugiganga com seus cacarecos, seu, sobretudo, lupas e chapéu. Imaginava trabalhando com um parceiro e juntos desbravando lugares e cidades. Imaginava-me totalmente disfarçado, colocando grampo no telefone ou até mesmo entrando na casa das pessoas em busca de evidencias para o caso. Hoje atuando como, sei que isso é crime e a invasão de privacidade também é ilegal. Pode sim utilizar equipamentos e métodos legais para realizar as buscas. Jamais podem ser usados os métodos que imaginei usar quando criança.

Chego à casa de meus pais por volta das onze e meia da manhã. Meus pais moram na Vila Mariana um dos bairros nobres na capital paulista próximo ao Teatro Novo e Cinemateca Brasileira. O bairro é muito seguro além de possuir vários atrativos para quem curti sair.

Mamãe sempre faz o almoço de domingo cedo. Estaciono o carro e entro pela porta da sala recebendo o aroma maravilhoso da comida. Encaminho-me até a cozinha e paro na porta observando a interação deles. Meus pais sempre foram muito unidos. Quando tinha algo para fazer, eles conversavam entre si, para ver qual a melhor forma de resolver os problemas e as dificuldades e isso funcionava muito bem com eles. Somos de uma família de classe média alta. Papai senhor Bernardo é médico em um hospital da rede pública e tem um consultório próximo de casa. Mamãe dona Núria é pedagoga, mas, exerce o cargo de diretora de uma escola particular de renome na cidade. Tanto ela como meu pai amam o que fazem. Vou me aproximando deles e vejo que estão fazendo uma lasanha de berinjela. Eu amo essa comida! Como eu os avisei que viria, pelo jeito eles fizeram os pratos que mais gosto de comer.

– Não acredito que vocês estão fazendo esta lasanha? – Digo e vou até minha mãe e lhe dou um abraço e beijo sua bochecha. Faço o mesmo com meu pai. Pego uma fatia de presunto e queijo enrolo e começo a comer. – A senhora sabe que eu amo sua comida né mãe? Queria te levar escondida em minha bagagem para poder comer sempre sua comida maravilhosa. – Digo e volto a comer o enroladinho que fiz com os frios.

– Sério mesmo que você vai ficar aí falando que sua mãe cozinha bem? Eu cozinho bem também. Eu sou o Sous Chef aqui meu caro. – Meu pai diz erguendo uma colher de pau e balança a cabeça e solto um hum com desdém. Dou risada e volto a abraça-lo.

– VOCÊS são os melhores cozinheiros do mundo. Está bom assim senhor Bernardo? – Pergunto rindo. – Pra que tanto ciúmes assim? Isso não faz bem ao coração. – Digo dando risada. Mamãe nos observa, meneia a cabeça e sorri.

– De coração eu entendo muito bem meu filho. E, pode ter certeza que isso, não tem nada a ver com coração. – Diz e volta a mexer nas panelas. Além da lasanha eles fizeram mousse de chocolate, para sobremesa. Papai disse que fez arroz branco e um assado que está no forno terminado o cocção. Vou até lá e abrindo-o. O cheiro está maravilhoso. Fecho e volto minha atenção a eles.

– Querem ajuda? – Pergunto já tirando minha jaqueta e enrolando a manga da camisa.

– Por favor, querido, pegue na geladeira os ingredientes para você fazer aquela sua salada verde maravilhosa. – Dou risada e me encaminho até lá. – Vê se tem tudo o que precisa se não tiver peço para seu pai ir buscar no mercado aqui perto.

Vejo que tem tudo o que preciso e começo a lavar as folhas de alface e das rúculas, os tomates, o pepino e coloco alguns ovos para cozinhar. Estamos todos entretidos na cocção dos alimentos, quando uma cabeleira esvoaçante entra correndo e gruda em minhas pernas. Olha para baixo e veja Priscilla, minha sobrinha ela tem quatro anos. Ela é uma garotinha esperta. Tem os cabelos totalmente cacheados. Ela é morena. Puxou a cor de pele de sua mãe a Olga que é um amor de pessoa. Fico parado olhando meu irmão Guilherme se aproximar segurando a mão de Olga. Eles estão casados há sete anos e eles estão esperando a chegado de mais um membro para completar a família. Olga está de cinco meses e está grávida de mais uma menina. Minha mãe se derrete por elas. Me abaixo e pego Priscilla no colo que já gruda em meu pescoço me dando um abraço apertado. Beijo sua bochecha e cheiro seu cabelos fechando os olhos em seguida. Isso que dá um aperto no coração. Ela me solta e segura meu rosto com suas mãos.

A lei é o Amor.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora