Capítulo 37 - Bárbara.

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Sábado de manhã!

Não há nada melhor do que estar de folga e o melhor rever meus avós. Deixei para avisá-los de quantas pessoas vão amanhã para o almoço quando for para lá mais tarde. Preciso me distrair um pouco e sei que ao lado de meus avós eu me sentirei em casa. Papai pediu para eu ficar de olho para ver se está faltando algo. Ele e mamãe ajudam-nos financeiramente sendo em espécie e com mantimentos. Eu pago o plano de saúde deles, pois com a saúde precária que temos em nosso país achei melhor pagar. Não que o plano seja ótimo. Está longe de ser, mas em caso de internação, operação e algumas coisas urgentes eles não tem que ficar em cima de uma maca em um corredor de um hospital aguardando uma vaga para ser avaliado e internado. É um absurdo o valor dos planos de saúde para idosos, uma verdadeira roubalheira.

Pego uma bolsa e passo a arrumar algumas mudas de roupa para passar esses dois dias com eles. De bolsa pronta peço um UBER, desço as escadas e fico aguardando na entrada do prédio. Estou distraída mexendo no celular quando sinto um cheiro bem familiar. Olho para o lado e vejo Paulo vindo em minha direção com as mãos nos bolsos com um sorriso de lado. O homem é lindo demais.

– Aonde vamos uma hora dessas da manhã dona delegada? – Ele para ficando em minha frente com um sorriso ladino e com as mãos nos bolsos da calça. Sorrio ao ver seu jeito descontraído.

– Vou à casa de meus avós. Decidi ir hoje, pois estou de folga. – Levanto as mãos para o alto e ele gargalha e eu o acompanho. – Não via a hora de tê-las e poder desfrutar de um bom descanso. – Suspiro e vejo o carro que pedi estacionar. – Paulo, você vai mesmo né? – Ele anui. – Não me dê um bolo bom? – Caminho em direção ao veículo. – Vou te passar o endereço por mensagem. A Verônica vai também, então, combinem um horário para vocês irem juntos. – Falo e fecho a porta do carro. Ele coloca a mão na janela que está aberta abaixando seu tronco para poder conversar comigo.

– Não perderia este almoço por nada. Eu adoro estar com você e acho que amanhã será um dia perfeito para conversarmos. Tenho uma coisa para te falar e não posso mais esperar. – Ele se aproxima do meu rosto. – Estou no meu limite Bárbara. Eu não aguento mais. – Ele fixa seu olhar em meus lábios. Minha boca seca, passo a língua nos lábios que também ressecaram. Vejo seu olho brilhar. Ele me olha nos olhos, sorri ladino e me dá um beijo demorado na bochecha. – Estou ansioso para o amanhã chegar. – Paulo se afasta do carro, acena, faço o mesmo. Ele coloca as mãos no bolso e entra no prédio. Volto a respirar olhando-o até desaparecer dentro do prédio. Passo o endereço para o motorista e seguimos viagem.

O caminho foi feito de uma forma muito descontraída. O motorista seu Joaquim é uma pessoa superbacana, divertido, me fez rir muito com suas histórias. Um homem simples e de bom coração. Depois de um certo tempo o veículo para.

– Chegamos meu bem. – Ele diz e vira-se para mim dando um pequeno sorriso. – Eu conheço seus avós dona Júlia e seu Ricardo. – Ele meneia a cabeça e sorri. – Esses dois são demais. Você acredita que foram eles que me apresentaram a minha esposa? Estamos casados a mais de trinta anos. – Dou risada. – Eles são os santos casamenteiros da cidade. – Gargalhamos. – Vai lá menina e diga e eles que passo aqui ainda esta semana para tomar um café com eles. – Saio do carro.

– Pode deixar seu Joaquim, eu digo a eles. – Ele anui. – Obrigada e tenha um bom dia. – Fecho a porta e me dirijo ao portão.

Fico parada olhando para a fachada da residência. Uma casa com uma frente toda de grama bem aparada, janelas e portas de madeira. A casa tem uma varanda grande com uma rede e a velha e maravilhosa Bette a caminhonete do vovô. Vejo que o portão está fechado então, toco a campainha. Segundos depois aparece na porta da frente à velhinha mais linda e maravilhosa do mundo, dona Júlia minha avó.

A lei é o Amor.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora