Capítulo 48 - Paulo.

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Então, bora ler meu povo

***

Sigo caminho até a delegacia para conversar com o esposo da senhora Rogéria. Ela nos detalhou que sofre de violência doméstica a pelo ou menos uns a quatro anos ou mais. Com o depoimento dela e o e-mail que ele recebeu pedi para um agente fazer algumas pesquisas sobre Mauro Brito Gomes e enviar-me tudo por e-mail assim, terei tempo de ler enquanto aguardo o momento para liberação dele.

Chego à delegacia e logo o delegado Marcondes vem ao meu encontro.

– Boa tarde Paulo tudo bem? – Ele estende a mão em cumprimento que correspondo de imediato me levantando.

– Boa tarde delegado Marcondes. Estou bem. Vim para interrogar o rapaz que foi trazido para cá mais cedo o nome é Mauro Brito Gomes. – Falo indo em direção à sala dele. – Já colhemos o depoimento da esposa e agora só falta o dele. – Digo enquanto caminhamos. Ele abre a porta, entramos e logo ele vai para sua cadeira me indicando para fazer o mesmo. Desabotoo o terno e sento-me.

– Os policiais me disseram que você o prendeu por desacato. – Ele fala ergue o cenho sorrindo ladino. – O que ele fez? – Ele coloca os braços na mesa unindo as mãos. Fico de olho em suas feições e em seu sorriso sarcástico.

– Bárbara e eu estamos trabalhando no caso da jovem desaparecida. Recebemos a confirmação de algo e fomos averiguar os fatos. Chegando ao local ele não nos deixou entrar e rasgou o mandado judicial. Por isso ele está aqui, ele estava obstruindo a polícia de fazer o seu serviço. – Ele se ajeita na cadeira e suspira.

– Esse caso foi arquivado a anos. Por que vocês não deixam isso pra lá e apenas assumam o caso a qual vocês foram chamados para trabalhar? Deixe como está assim ninguém mais sai machucado. – Ele me olha e sorri. – Eu fiquei sabendo das ameaças que andam sofrendo detetive. As notícias voam. – Odeio ouvir o tom de sarcasmo em sua voz. – Por isso um conselho... – Ele encosta seu tronco na mesa. – Foque no caso da filha do vereador e deixe este caso de lado. Não quero que nada aconteça com a Bárbara ou você não liga para o que pode acontecer a ela? – Olho em seus olhos, sorrio e meneio a cabeça.

– Por que a preocupação com o que vai ou não acontecer com a Bárbara delegado? – Ergo uma sobrancelha. – Fique tranquilo eu estou cuidando muito bem dela. – Me levanto indo em direção à porta. – Ah, muito obrigado pelo conselho, mas vou seguir com as investigações. Com licença. – Saio sem esperar sua resposta.

Me encaminho até uma sala onde pego meu notebook e verifico se o agente me enviou o e-mail com as informações sobre o Mauro. Envio para a impressão e insiro no relatório que tenho em mãos. Depois de um tempo uma agente me chama me indicando a sala de interrogatório. Ao entrar encontro Mauro sentado todo relaxado. Ele olha para mim com um ar debochado.

– Eae delegado, quando vou sair daqui? – Ele cruza as pernas e sorri. Sento-me em sua frente colocando minha pasta sobre a mesa. Retiro o relatório e começo a folhear. Vejo-o me olhar de forma curiosa.

– Só farei algumas perguntas aí eu te libero. – Olho para ele e em seguida pego um papel e coloco em sua frente. Ele olha e vejo seu sorriso vacilar. – Aqui diz que você recebeu uma multa por transporte irregular de passageiro e a retenção do veículo. – Continuo falando e pego outro papel e coloco em cima do outro. – E outra multa por transporte irregular de carga. Ambas você teve seu veículo apreendido e mesmo assim continuou fazendo trabalhos por fora. – Ele não me olha e fica com o olhar fixo nos papéis. Pego uma foto de Luiza e entrego para ele que franze o cenho e me olha. – Você conhece esta moça? – Vejo-o analisar a foto. – Esta jovem foi sequestrada a mais de três anos na rua Das Flores aqui em Monte Alegre. Temos uma testemunha e ela disse ter visto a jovem ser levada para dentro de uma perua Kombi. – Ele arregala os olhos e me olha assustado. – O que estava fazendo por aquelas bandas senhor Mauro. Fizemos algumas investigações e vimos que esteve por lá no dia e no horário em que a jovem desapareceu. – Ele engole em seco. Não há mais sorriso há apenas um olhar assombrado. Pego a cópia do e-mail que ele recebeu e entrego para ele. – Você pode ler para mim por favor? – Peço. Ele pigarreia e passa seus olhos na folha e meneia a cabeça. – Não quer ler por quê? O gato comeu sua língua? – Sorrio ao ver sua expressão. – Senhor Mauro sabemos que foi o senhor quem sequestrou a jovem Luiza eu só quero saber a mando de quem? Quem te enviou este e-mail pedindo seus serviços? Quero nomes e os quero já! – Ele suspira passando a mãos no rosto.

A lei é o Amor.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora