Saio da sala de reunião e me encaminho até a minha. Preciso pegar o relatório que Paulo e eu fizemos. Isso tem que bater com o que o senhor Frederico nos mostrou! Abro o armário e retiro de lá tudo o que preciso para assim, não precisar voltar para cá. Pego tudo e quando estou saindo esbarro em uma parede de músculos. Ergo minha cabeça e me deparo com o delegado Marcondes me olhando com um sorriso de lado que o deixa muito sexy.
Ele é um homem que aparenta ter cinquenta anos. Tem fios grisalhos na barba, mas, seus cabelos são castanhos escuro, olhos castanhos, um sorriso lindo. Não dá para saber como é seu corpo por debaixo do terno, mas, deve ser musculoso a única coisa que sei é que ele não tem barrigão de chopp, ah... isso ele não tem mesmo.
Enquanto fico tentando segurar os arquivos e pastas, ele fica me olhando de baixo para cima como se eu fosse algum pedaço de carne pronto para ser servido. Me irrito com essa ousadia dele. Eu odeio que me olhem assim. Eu sei que sou durona, na verdade eu preciso ser assim. Eu não posso demonstrar para as pessoas as minhas fraquezas e inseguranças.
Eu nunca namorei. Eu já me apaixonei diversas vezes, por 'N' garotos e carinhas da faculdade, mas nunca, NUNCA fiquei com nenhum deles. Eu ouvia o que diziam de mim, eu via as pessoas zombarem do meu peso, da minha cor então perdi as contas. O melhor jeito de não sofrer ataques de ninguém é me mascarando, me blindando mostrando para quem me humilha, despreza ou zomba que eu sou melhor do que ela. Não pelo meu nível de instrução ou meu cargo dentro da polícia eu não preciso disso, mas, sim pelo caráter, pela pessoa que sou, pelo cidadão que me tornei. Eu sei que não é fácil controlar o impulso de ir pra cima, bater, xingar. Sei que se fizer isso me igualarei a elas e não é isso que eu quero. Eu não sou assim, eu sou melhor do que isso.
Tenho notado que o detetive Paulo tem falado coisas para mim que me deixam muito, mais muito envergonhada. Eu nunca recebi um elogio. Dos meus pais e familiares sim, mas de um homem, ainda mais do Paulo que é lindo? Não. Isso é demais para mim. Deve ser coisa da minha cabeça isso sim. Para um homem como ele me olhar com certeza ele deve ter algum problema. Eu não faço o tipo dele. Quando olho para homens como ele, eu sempre vejo uma mulher linda, com corpo perfeito, sem gordurinhas, alta, com cabelos que brilham ao sol, com maquiagem perfeitas que as deixam deslumbrantes, com roupas da Chanel e sapatos do Louboutin. É assim que vejo caras como Paulo. É triste pensar nisso, mas, é a realidade. Homens querem mulheres que tenham seus corpos perfeitos, sem estrias, celulites e barriga, uma verdadeira deusa Afrodite.
É engraçado pensar, mas, analisando as palavras ver e olhar há uma diferença grande. O ver só te leva ao que é superficial, não traz consideração, reflexão de nada e nem de ninguém, agora o olhar te leva a transformação, a compreensão, a enxergar ao redor. O olhar é a ação, é perceber, é conviver, é observar as coisas sutis do outro e de si mesmo. Por isso, quero alguém que olhe além do meu corpo, além da minha aparência, além do que os olhos possam ver. Eu quero alguém que me olhe não alguém que me veja.
Suspiro ao pensar sobre isso.
Olho para frente e Delegado Marcondes ainda está com aquele sorriso no rosto. Me indireto sobre meus pés calçados com um sapato sem marca, com um salto de doze centímetros e o encaro.
– Bom dia senhor delegado em que posso te ajudar? – Por mais que ele tenha me tratadoo mal eu não consigo ser grosseira com ninguém. Ele me olha e depois olha para meus lábios e lambe os seus de forma lenta. Vejo seus olhos brilharem. Ele torna a fixar seus olhos nos meus e ele não fala nada. – Delegado? Está tudo bem? – Ele abre a boca e nada diz. – Está passando mal? Quer um copo com água? – Deixo as pastas e arquivos sobre a mesa da policial que ficou com minha secretária e vou atrás de água. Quando ia saindo ele segura meu braço. Volto-me para ele que está com o olhar confuso ele franze o cenho e balança levemente a cabeça.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A lei é o Amor.
AcakEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
