Passei o sábado trancado em minha sala. Estive de plantão no prédio e graças a deus não houve ocorrências, foi tudo tranquilo, tudo dentro dos conformes. Releio os relatórios fazendo algumas anotações sobre o caso da morte da modelo e sobre a substância roubada no hospital Santa Gertrudes. Agora o que nos resta é descobrir quem roubou o medicamento da casa do senhor Juan. Será que foi ele quem forneceu para a mesma pessoa matar as outras vítimas? Preciso investigar sobre isso.
Encerro meu turno, tranco tudo e saio indo para meu apartamento e ao entrar encontro com João. Ele está deitado na sala todo esparramado no sofá com um balde de pipocas na barriga e uma garrafa de refrigerante no chão. Olho aquela cena e meneio a cabeça.
- Vida boa né? Enquanto uns ralam de trabalhar outros ficam de barriga pra cima, comendo pipoca assistindo sabe deus o que. - Sento-me na poltrona e apanho a vasilha de pipoca. Ele tenta pegar de minha mão, mas sou mais rápido. Encho a mão e coloco na boca.
- Tenho que aproveitar meu caro chefe! Não é todo dia que fico de" boas" sem nada para fazer. - Coça a cabeça. - Acho que vou me deitar um pouco. Estou cansado de não fazer nada. - Pego um punhado de pipoca e jogo nele que coloca as mãos no rosto para não ser atingido.
- Mas é um folgado mesmo. Toma vergonha nessa sua cara rapaz! Não fez nada o dia inteiro e ainda diz que está cansado. - Meneio a cabeça. - É pra cabar mesmo. - Ele se levanta pegando o refrigerante e o copo levando para a cozinha. - Viu, você vai amanhã ao almoço na casa dos avós da Bárbara? - João volta e pega pipoca da vasilha e coloca na boca.
- Não. A Bárbara veio me chamar, mas eu avisei que não iria. Eu e a Cristina vamos sair. - Ele suspira frustrado. - Estou tentando mostrar para ela que o que eu sinto por ela é real. Eu não quero e nunca quis brincar com o sentimento de ninguém. - Ele passa as mãos no rosto. - Ela me contou o que o namorado dela fez com ela e cara eu não sou ele, eu sou diferente do cara que ela se envolveu. Já brincaram comigo cara e eu sei o que ela passou e por isso eu nunca brincaria com os sentimentos dela. - Olho para ele que está de cabeça baixa depois olha para mim. - Quando você estava enfrentando aquela barra com a morte de Laura e o vício da bebida, eu comecei a namorar e ficamos juntos por oito meses. Eu realmente gostava da garota. - Ele se senta no sofá novamente. - Quando completamos os oito meses de namoro eu estava no COT fazendo plantão quando ouvi uma conversa. Alguns rapazes diziam de uma mulher que eles transavam constantemente e que fazia seu namorado de trouxa, pois ela ficava não só com ele, mas com vários caras e depois pagava de santinha para o namorado. Fiquei escutando a conversa até ouvir o nome da pessoa: Luana. Eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Até que um belo dia ao sair de uma cafeteria eu a vi saindo de um motel aos beijos com um cara. Ela me viu, sorriu de modo sarcástico e me mandou um tchauzinho com as pontas dos dedos. Depois daquele dia nunca mais a vi e não a procurei, pois não havia motivos para isso. Fui viver minha vida. Eu gostava mesmo dela sabe e foi duro ver aquela cena e a maneira como fui tratado me deixou péssimo. E é por isso que eu sei como é ter seus sentimentos massacrados, pisados, esmigalhados. - Ele suspira pesado. - Eu quero fazer a Cristina feliz cara e eu sei dos meus sentimentos por ela. A Cristina só precisa acreditar que nem todos os caras são como o ex dela. Existem homens e homens e eu sou um homem que sabe valorizar a mulher que tem. - Vejo seus olhos marejarem. - Espero muito mesmo que ela me dê uma chance de mostrar quem eu sou. - Ele se ajeita no sofá.
- Eu não sabia dessa sua história meu amigo, eu sinto muito mesmo. - Ele meneia a cabeça.
- Já passou Paulo foi difícil, mas já foi. Eu superei isso fique tranquilo. Você estava passando por um momento muito complicado e eu não podia te encher com meus problemas que diante do seu era fichinha. - Ele diz.
- Mesmo assim meu amigo me perdoe por não estar lá para você. - Ele sorri fraco. - Com relação à Cristina, ela tem um passado bem complicado com relação ao ex. Dê um tempo para ela. Não desista desse sentimento que vem crescendo em seu coração João. Eu sei que não é fácil gostar de alguém e esse sentimento não ser correspondido. - Passo a mão na boca. - Eu também estou apaixonado por alguém e estou com muito medo de não ser correspondido. -João inclina o corpo para frente.
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A lei é o Amor.
AléatoireEm uma cidade pataca no interior de São Paulo que de dois ano e meio para cá vem sendo aterrorizado por assassinatos hediondos. Mulheres com mais de vinte e cinco anos sendo brutalmente assassinadas, tendo seu couro cabeludo arrancado. A única pista...
