Capítulo 11 - Bárbara.

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Quando o detetive Paulo foi embora, fiquei com alguns agentes para fazer a varredura no local e conversar com os moradores que moram próximo ao barracão. Vi que a maioria das casas residências estão trancadas. Algumas pessoas passam cadeado nas janelas e nas portas.

Fiz um longo percurso a pé pelas ruas próximas ao local do crime. Bati palmas em algumas, chamei e muitos não saiam para me atender e quando o faziam iam até a janela e após me verem meneavam a cabeça e as mãos em sinal negativo. Vendo por outro ângulo o bairro não me parece perigoso, é um bairro pobre, mas tem toda infraestrutura com mercados, padaria, açougue, farmácia, enfim. Estranhei a negativa dos moradores em falar comigo e com os agentes.

Voltei para o barracão com os equipamentos de perícia. Eu sei que já foi feito todo o ritual com a polícia especializada, mas, eu preciso ver se encontro algo a mais do que um tanque vazio, fezes e pelo de animais espalhados e agora esses símbolos nas paredes. Eles podem ter deixado passar algo e eu preciso encontrar. Pego a mala com os equipamentos abro-a e tiro as pinças, lanternas com luzes capazes de identificar material biológico. Deixo dentro da mala os pós para encontrar impressões digitais, líquidos luminescentes que reagem em contato com manchas de sangue.

Dois agentes vão até o local que arrombamos e eu vou até onde está a tanque. O outro agente está comigo. Fico olhando e aparentemente não vejo nada demais nele. Pego a lanterna e começo a passar em volta com cuidado para não deixar escapar nada. Estou tão distraída que não vi quando uma pessoa entrou e ficou de frente para mim. Levei um susto quando me virei. Era um adolescente beirando seus treze anos de idade.

– Olá garoto! Tudo bem? – Pergunto me levantando do chão. Passo as mãos nas calças para sair um pouco do pó.

– O que vocês estão fazendo aqui? – Ele fica olhando ao redor como se estivesse procurando algo.

– Sou a delegada Bárbara e você quem é? – Estendo a mão para cumprimentá-lo e ele volta seu olhar em minha direção e depois olha para minha mão estendida e aperta-a.

– Me chamo Lucas, moro aqui perto. – Noto que ele está com uma mochila, deve estar vindo da escola.

– Ainda é cedo para sair da escola não é mesmo Lucas? – Olho em meu relógio de pulso.

– Minha turma não teve a última aula. A professora faltou e não havia quem a substituísse. – Diz dando de ombros. Ele começa a andar pelo lugar olhando em todos os cantos e eu o sigo. – Nunca tinha entrado aqui. Sempre tive curiosidade em ver como era por dentro. Algumas vezes vejo alguns carros parados em frente, mas só durante a noite e não é sempre que isso acontece. – Ele vai me falando e continuo atrás dele o observando. – Há alguns dias atrás eu vi uns carros bem chic parados aqui de frente, eu não vi quando saíram, mas, sei que ficaram muito tempo. Eu sempre durmo tarde e já se passava das duas da manhã e ainda podia ver e ouvir que havia gente aqui dentro. – Lucas continua com seu olhar curioso.

– Então, você mora aqui perto Lucas? – Sei que ele já me falou, mas faço essa pergunta para ver se ele solta mais alguma coisa.

– Sim. Moro duas casas a direita daqui subindo a rua. – Ele para onde está e me olha curioso. – A senhora é policial mesmo? – Afirmo. – Legal! – Diz e dá um meio sorriso.

– Você disse que ouviu e viu alguém. Você pode em dizer como eram as pessoas? – Chego perto dele.

– Ah, eu vi uns homi entrando e saindo daqui de dentro. Eu não consegui escutar as conversas, só ouvia burburinhos como se fosse um cochicho. Não dava para entender nada. – Diz e arruma a mochila nas costas e começa a sair. – Preciso ir. Se minha mãe descobrir que entrei aqui, ela pode me bater. – Foi legal conhecer aqui dentro. Tchau moça. – Segura as alças de sua mochila e sai. Neste momento ele para e volta para mim. – Viu, você sabe o que é Pandora? – Anui. – Eu perguntei para minha mãe ela não soube me dizer. – Me aproximo dele.

A lei é o Amor.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora