Acordei com uma estranha sensação, minha cabeça girava, acho que corri uma maratona, quando abri os olhos... areia, sim areia, areia de praia. Me levantei meio cambaleando e notei que não estava mais em casa, aquele cenário não era estranho para mim. De repente, um moço apareceu, parecia um soldado, um soldado grego.
-Quem é você? O que quer? -Me perguntou ele empunhando uma espada um pouco espantado, acho que pelo meu look.
-Oi, meu nome é Safira, onde estou? -Eu ainda estava meio zonza.
-Vamos, vou te levar até o rei. -Falou ele pegando em meu braço e me conduzindo em direção a vários navios.
Eu cheguei a um grande navio com tendas armadas e percebi: aqui se parece com Tróia, com o acampamento de Agamenon... Ah Safira, fica quieta, isso não é possível. Afastei aqueles pensamentos porém comecei a observar as coisas ao redor, os homens todos estavam de saia, o que era estranho, não havia mulheres, tinham várias tendas e estacas de madeira, aparentemente formando um tipo de proteção. O soldado me levou para dentro do navio e quem estava lá? Brian Cox, ou melhor, Agamenon -eita! Eu estou realmente no filme Tróia- pensei rapidamente e mais rápido ainda o soldado me levou a frente de Agamenon que estava sentado no trono.
-Βασιλιά μου (Vasiliá mou/ Meu rei), encontramos essa garota próxima aos navios.
-Olha só quem está de volta... Safira. -Ele se levantou do trono e parou em pé na minha frente com um sorrisinho no rosto.
Como é que ele sabe meu nome? Pensei e resolvi falar alguma coisa.
-Você me conhece? -Acho que falei alguma coisa errada porque ele ficou sério.
-Claro que sim e, agora que você voltou, não vai sair de novo...
Eu voltei? Isso não tinha explicação, eu nunca havia ido para Tróia, para o filme (sei lá) antes. Tudo aquilo era novo para mim e acho que deixei isso claro na minha cara de espanto porque ele falou em seguida:
-Ah... ela não se lembra, mas isso é maravilhoso -ele bateu palmas- Afarel, leve ela para a nossa φιλοξενία (filoxenía/ hospedagem) -Agamenom riu e fez sinal para o guarda me levar de lá.
Eu estava com medo, apavorada, não sabia o que ia fazer, como assim eu voltei? Por que ele me conhece? E que língua é aquela que eles falam? Não, espera, deve ser grego né...
Enquanto me afundava nesses pensamentos fui sendo levada para um tipo de barco, cheio de guardas em volta, acho que era tipo uma prisão, não sei, algo assim. Fiquei apavorada ao ver aqueles homens altos, com armadura, espadas, lanças, escudos, armados até os dentes e bateu o famoso desespero então, eu agi... pisei no pé do soldado, que gritou e saí correndo com todas as minhas forças.
Os outros soldados até foram atrás de mim só que Afarel os impediu:
-Deixem a garota é só uma menina, não é uma ameaça.
Eu corri tanto, nem olhei para trás, senti meus pulmões queimarem, as pernas estremecerem e, de repente, dei de cara com o portão de uma enorme muralha. Senti algumas lágrimas quentes rolando sobre meu rosto, às enxuguei. Lá de cima, vários arcos e flechas estavam apontados para mim, e alguém gritou:
-Μην πυροβολείτε! (Min pyrovoleíte!/ Não atirem!) -A voz era firme e me parecia familiar, tentei ver quem era porém, não consegui.
Me senti fraca, os lábios secos, já com sede, meus pés tremeram e eu caí no chão, vi o enorme portão se abrindo, quando virei para o outro lado, avistei, meio de longe, três cavalheiros e apaguei completamente.
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𝔼𝕞 𝕞𝕖𝕦 𝕞𝕦𝕟𝕕𝕠...
Historical FictionSafira é uma garota de dezesseis anos e que tem uma rotina bastante normal. Nas suas férias de julho, em uma noite, ela resolve assistir seu filme preferido: Tróia (2004), quando algo diferente acontece e ela entra para dentro do filme. Tudo no fi...
