Lonely Hearts Killers

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ᴄᴏɴᴛᴏ ᴅᴇ ʜᴀʟʟᴏᴡᴇᴇɴ

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ᴄᴏɴᴛᴏ ᴅᴇ ʜᴀʟʟᴏᴡᴇᴇɴ

Zayn tentava conter o riso, mas a cena era patética demais para ignorar. Harry, largado na cadeira de veludo como se estivesse em um boteco de beira de estrada, enfiava os dentes em uma coxa de frango com as mãos engorduradas, ignorando qualquer resquício de etiqueta ou os olhares críticos dos outros clientes. Estavam sentados ali havia pouco mais de uma hora, em um restaurante fino que servia pratos com nomes difíceis e porções pequenas demais. Já tinham provado metade do cardápio, bebido três garrafas de vinho caro, e em nenhum momento sequer cogitaram a possibilidade de pagar a conta. Era só mais uma noite comum para os dois — completamente fora da lei e da moral, do jeito que gostavam.

Zayn, encostado com o cotovelo na mesa e o queixo apoiado na mão, observava tudo com um brilho divertido nos olhos. Debaixo da toalha branca que cobria a mesa, ele esticou a perna e começou a massagear com o pé a parte interna da coxa de Harry, subindo lentamente até a virilha. O toque foi sutil, mas firme o bastante para que Harry erguesse o olhar por um segundo, arqueando a sobrancelha antes de voltar a mastigar um pedaço de bife mal passado como se nada estivesse acontecendo.

— Você olhou o banheiro? — Zayn perguntou em tom calmo, quase entediado, embora estivesse prestando atenção em cada movimento ao redor deles.

Harry assentiu com a cabeça e engoliu sem pressa.

— Uhum. Tem uma janela bem grande.

Ele deu um meio sorriso ao terminar de falar, com os lábios ainda sujos de gordura. Ajeitou a postura quando viu um dos garçons se aproximando, limpou a boca com o guardanapo, pegou a taça e deu um gole do vinho tinto sem tirar os olhos de Zayn.

— Desejam mais alguma coisa? — perguntou o garçom, depois de pigarrear, claramente incomodado com o jeito desleixado que Harry mastigava de boca aberta.

Zayn nem hesitou.

— Pode trazer a conta?

O garçom se afastou para pegar a ficha com o consumo da noite. Nesse instante, Zayn olhou discretamente para Harry e piscou com um leve movimento de cabeça. Foi o suficiente. O outro entendeu na hora, como se já tivessem ensaiado aquela cena dezenas de vezes.

Harry, em ato preciso e dramático, derrubou a taça de vinho em cima de si mesmo. O líquido escorreu pelas pernas da calça clara, e ele se levantou em um pulo, gritando alto o suficiente para virar todas as cabeças da sala. Começou a limpar as manchas com um guardanapo, fazendo um espetáculo desastrado que prendeu a atenção de todos.

— Vou ao banheiro! — avisou, já com as duas mochilas nas costas, caminhando com pressa em direção ao corredor e ainda lançando um sorriso disfarçado quando passou por Zayn.

Zayn ficou mais alguns segundos ali, observando o caos leve que tinham provocado. Levantou com calma e colocou a mão no ombro do garçom, que ainda fazia contas em um bloco de notas pequeno e sujo.

DEZ CONTOSOnde histórias criam vida. Descubra agora