The Kill

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ᴄᴏɴᴛᴏ ᴅᴇ ʜᴀʟʟᴏᴡᴇᴇɴ

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ᴄᴏɴᴛᴏ ᴅᴇ ʜᴀʟʟᴏᴡᴇᴇɴ

O carro barulhento parou devagar em frente à mansão construída com pedras escuras e desgastadas. As paredes estavam cobertas por marcas de infiltração, e o mofo tomava conta da parte de baixo da estrutura. A fachada parecia esquecida há anos. Pela primeira vez desde que saímos da cidade, olhei para Zayn. Ele mantinha as mãos firmes no volante e observava as flores apodrecidas no chão, os arbustos secos e tortos, e o jardim tomado por ervas altas. As trepadeiras estavam espalhadas por toda a entrada, cobrindo partes das janelas e da varanda. Nada parecia ter sido cuidado.

No meio do pátio, uma fonte rachada deixava escorrer um resto de água suja, com espuma parada e cheiro ruim. O som da água era o único ruído ali. Destravei a porta e saí do carro com dificuldade. Esticar a coluna depois de quarenta minutos presos naquele veículo foi a única sensação boa. Viemos até a casa do meu namorado — que deixaria de ser meu namorado em vinte minutos. O ambiente parecia parado no tempo. As árvores ao redor estavam com galhos secos, e o chão era coberto por folhas caídas e lama.

Não havia vento, mas o clima era frio. Nenhum animal, nenhum inseto, nenhum som além da água escorrendo. Olhei novamente para a mansão. As janelas estavam escuras e a porta fechada, como se ninguém morasse ali. Era estranho pensar que Zayn vivia nesse lugar. Tudo me deixava desconfortável. Senti um arrepio subir pelas costas e fiquei parado, olhando ao redor. Aquele lugar me dava a sensação de que alguma coisa ruim estava para acontecer. Zayn continuava imóvel, olhando para frente, como se já soubesse que não seria uma visita tranquila.

— Falei que não era uma boa ideia virmos para minha casa — ele disse, com a voz seca, antes de girar nos calcanhares e entrar no casarão.

Ele não olhava nos meus olhos desde o momento em que pedi para termos uma conversa particular. Lembrar disso me fez inspirar fundo. Senti o peito pesar, mas fui atrás dele. A sala cheirava a umidade e o ar era abafado, como se ninguém abrisse as janelas há semanas. As paredes estavam manchadas e estufadas, com a pintura antiga aparecendo por baixo das bolhas e rachaduras. Os móveis, por outro lado, estavam limpos, como se tivessem sido arrumados pouco antes da nossa chegada. Era estranho. Em meio àquele ambiente abandonado, só os móveis pareciam ter algum tipo de manutenção.

— Disse que queria conversar — ele falou ao parar perto da única janela que deixava a luz entrar. Ficou de costas pra mim o tempo todo.

Talvez fosse melhor assim. Encarar seus olhos intensos naquele clima já tão instável seria como jogar gasolina no fogo.

— Nós nos conhecemos há cinco meses — falei, limpando a garganta. — Você me pediu em namoro semanas depois. Foi tudo muito rápido. Acho que foi um erro ter aceitado.

Ele permaneceu em silêncio. Nem se mexeu. Por um momento, achei que estivesse falando sozinho.

— A gente não tem conexão, Zayn. Você mal fala comigo, mal me toca. Às vezes eu fico com medo de você. Não entendo a forma como me encara. Não é carinho, não é atração. É um olhar vazio. Não sei o que você quer de mim. Só queria que fosse sincero, que falasse alguma coisa. Talvez desse jeito a gente pudesse consertar o que sobrou.

DEZ CONTOSOnde histórias criam vida. Descubra agora