Capítulo 24

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Não sei como processar. Nunca tive um relacionamento propriamente dito e o Léo sendo fofo desse jeito mais me confunde do que esclarece. 


Sim, obviamente tenho medo de mais uma vez ser passada para trás, ser feita de idiota e agora com o agravante de ferir também meus filhos, em especial a Gabi que já é maiorzinha.

Outro dia ela me perguntou onde estava o pai dela. Confesso que partiu meu coração. Amo tanto meus meninos que queria garantir que não tivessem qualquer decepção ou dor na vida. Sei que é impossível, se decepcionar faz parte e até fortalece  mas sou mãe e eu aguento mas meus bebês se eu puder evitar farei de todo custo.

Deixei claro para ela que existem famílias de várias formas e que a nossa era composta por mamãe, filhinhos e a Ana que é uma tia querida. Se um dia a mamãe casar ai ela terá um papai, mas que se não casar sere,os felizes da mesma forma. Ela se eu por satisfeita com essa conversa, mas acho melhor deixar Ana ciente de que rolou essa dúvida. 

Quanto ao Léo, vou pensar e conforme for esse final de semana teremos uma conversa séria. Não sou mais adolescente para ficar de namorico. Como dizia meu pai, bebe a cachaça ou largo o copo.

Não bastasse a rotina e essas questões na minha cabeça, ainda tinha que suportar 105% das mulheres hétero da base babando no Léo e até algumas homossexuais.  O cara é lindo? Gostoso? Sim, com certeza mas não sou obrigada a ver tudo calada. Para o benefício dele, não o vejo sendo mais do que formal com todas as piriguetes.

Sexta saí da base pronta para um final de semana com meus bebês. Hoje vamos fazer festival de pizza. Não quero ter que ir para a cozinha.

Cheguei em casa, tomei um banho e já arrastei todo mundo para um rodízio. Fomos de táxi, afinal sou filha de Deus e hoje pretendia tomar um chope.  As crianças  adoraram ainda mais que no local tinha uma área Kids.

Tomei meu chop, comemos pizza e estava conversando com Ana que de repente ficou muda olhando a porta. Quando olhei para saber o motivo não pude deixar de zoar com ela.

- É Ana, ainda tá viva! São uns gatos né? - perguntei mas a Ana só soube ficar sem graça. 

Entrava no restaurante um grupo de rapazes lindos, que chamava a atenção de todos. Todos com corte militar, corpos sarados, sorrisos no rosto. Cena de filma de hollywood, só faltou a câmera lenta. 

Assim que eles chegaram mais perto reconheci Léo, Charles, Wesley e Montanha. Ele estava lindo e sexy como sempre. Minha calcinha foi para o brejo. Ele estava muito gostoso. 

Quando eles me viram foram para minha mesa. Já tinha conhecido os amigos de Léo na base mas nunca conversado mais que uns poucos minutos.

Ana é tímida, mas estava mais calada que nunca. Acho que tanto hoje em gostoso junto a intimidou, ou os olhares de inveja das mesas vizinhas.

E como eles eram divertidos! Estávamos rindo horrores mas alegria de pobre...... dura pouco. Até Ana estava se soltando até duas piriguetes resolverem perturbar.

- Que desperdício! Tanto gatinho mal aproveitado. Venha comigo!  Dou conta de vocês fácil.  - diz uma das descaradas.

- Aí amiga... não seja egoísta.  Desses dois aqui eu dou conta. - disse a segunda descarada apontando para Léo e Charles.

Toda a mesa ficou muda. Os meninos simplesmente olharam para elas e um a um as rejeitaram com o olhar. Léo foi o primeiro a se pronunciar.

- Acredito que a senhora esteja nos  confundindo com alguém. 

- Não gostoso, quero você mesmo. Posso...

- Acho bom a senhora partir. Não a conheço e está constrangendo minha namorada. - interrompe ele e coloca as mãos no meu ombro.

- Quem? Essa coisa esquisita? - disse a descarada me apontando. Não aguentei e levantei também.

- Acho bom vocês se retirarem antes que eu perca minha paciência.  - disse entre dentes usando minha altura como fator de intimidação. 

As piriguetes acho que viram que estavam a beira da morte pois eu não estava para brincadeira. Assim que as vagaranhas foram embora pedi a Ana para buscar as crianças  porque ia pagar a conta. Já estava saindo da mesa e Léo me segura o braço.

- Lessa...

Só olhei. Minha raiva era tamanha que acho que ele sentiu. Ele foi comigo e não me deixou pagar a conta. Quer saber? Foda-se. Estava saindo pisando firme e ele parou na minha frente.

- Lessa, gatona, não fique assim. Não fiz nada. Estávamos nos divertindo. Vamos voltar vamos.

- Léo, to cansada. Já não bastasse na base ter que aguentar gracinhas, até quando tir para me divertir?

- Peço mil desculpas, mas só tenho olhos para você.  Ainda não percebeu? - disse e tentou me beijar mas me desvencilhei.

- Acho melhor parar por aqui. Não vai ter futuro para a gente. 

- Pára com isso Alessa, não faça como eu fiz. 

- Léo, eu não sou mais sozinha, tenho hoje duas crianças que dependem de mim e não posso mais me dar ao luxo de tentar. Você tá ciente disso?

- Lessa, eu sei. Quero ficar com você e gosto das crianças, não queria ser pai agora mas posso....

- Não Léo, não pode. É essa a questão. Com as crianças não posso tentar. Tenho que acertar. Sei que erro como  mãe, mas não estou brincando de tentativa e erro. Se ficarmos e não der certo será mais uma decepção para eles.

- E para você Alessa? E se não der certo?

- Eu me refaço, mas ficarei em cacos se meus filhos sofrerem. Tchau Léo. - disse indo para o taxi que Ana tinha chamado. Olhei para trás e vi Montanha segurando Léo. Não entendi o que estava acontecendo mas não me interessava mais.

Fomos para casa. Meus pais chegaram cedo no sábado e eu tinha esquecido que eles vinham com o carro do Léo. Meu pai combinou com ele para ele vir buscar. Dei qualquer desculpa, mas não queria falar com ele,  mas qual não foi minha surpresa ao ver que meus pais tinham chamado Léo e os amigos para o churrasco que meu pais sempre faz?

Fui simpática, mas eu estava nitidamente fugindo dele. Minha mãe que não é boba percebeu e não perdeu tempo

- Alessa, o que está acontecendo?

- Nada mãe.

- Alessa Cristina - pronto. falou o nome composto é porque estava perdendo a paciência.

- Mãe, não vai dar certo. Léo logo se interessa por outra. O que vivemos é legal, mas ele é muito gato, tem a mulher que quiser e logo ele cansa de brincar de casinha comigo. Eu não posso fazer com que as crianças sofram mais mãe.

- Alessa, muito nobre você se preocupar com as crianças, mas será que isso tudo é pelas crianças ou sua insegurança falando? Você é uma mulher linda e porque ele não pode querer você?

- Mas...

- Alessa, minha filha, eu te conheço. Você é adulta e sei que tomará a melhor decisão, mas não deixe sua insegurança te impedir de ter uma história legal.  Ou você acha que foi fácil ficar com seu pai? Eu, professora, sem graça e ele um policial fortão, alto, lindo e gentil. A mulherada caia em cima. 

- Mãe, não tenho a sua força.

- Tem sim, até mais. Eu nunca seria capaz de fazer o que você faz e fez. Você é mãe e sabe que coração de mãe não se engana, mas você é adulta, dona de sua vida. Se você quiser a gente dá um jeito  manda eles embora.

- Não mãe, não é necessário. Eles são amigos de trabalho e muito divertidos. Esse lance com o Léo não pode atrapalhar nossa relação profissional. 

- Claro! 

Ai meu Deus!  Minha mãe teria razão? Será que estou me escondendo atrás das crianças? Pode dar certo? Meu Deus, me ilumine.  

Do meu tamanhoOnde histórias criam vida. Descubra agora