Daniel
Assim que chego em casa vou caminhando rapidamente mas a passos leves até o meu quarto. Rezo para que não tenha ninguém em casa, mas minhas preces não são atendidas, pois ouço a voz firme de minha mãe me chamar, o que me faz parar no mesmo instante.
— Daniel! Espera, eu preciso conversar com você. Ela se aproxima de mim ficando em minha frente.
— Precisa mesmo ser agora mãe? Não dá para deixar isso para uma outra hora por favor? Eu estou exausto.
— Eu não vou te obrigar a nada meu filho, se você não quiser conversar agora eu vou respeitar você, mas eu realmente estou preocupada Daniel. Eu estou muito preocupada com você.
— Ok mãe, a senhora venceu, vamos conversar. Eu pego em sua mão e a guio até a sala, solto apenas quando ela se senta no sofá, me sento também, ao seu lado.
— Pode me explicar o que aconteceu? Pode me explicar o porquê você bebeu até praticamente não parar em pé e o motivo de ter ido até a casa da kelly? Por acaso você não pensou que isso poderia ser um problema? Que isso causaria gatilhos nela? Essa moça já sofreu muito Daniel.
— Nossa mãe, muito obrigado, sério, como se eu já não soubesse de todo o sofrimento que eu causei a ela e de todos os gatilhos que ela tem. Eu realmente necessito que a senhora me lembre disso tudo agora porque eu até já tinha me esquecido disso,sabia? Acabo sorrindo sem humor algum.
— Tá, me desculpa ok? Talvez não tenha sido a melhor maneira de começar isso, e que você me deixa nervosa poxa. Eu estou preocupada, com você, com ela...
Suspiro tentando encontrar forças para continuar um diálogo que seja minimamente coerente, porque eu realmente estou exausto emocionalmente. Juro que estou me perguntando se um dia eu não acabarei enlouquecendo e indo parar em um sanatório. Eu me sinto cansado de tudo isso, como se já não bastasse a minha própria mente que não me deixa em paz por um só segundo desde que eu fui naquela maldita praça, desde que eu estuprei a kelly, ainda tenho que lidar com todo esse julgamento que parece que será eterno, como se eu já não me julgasse o suficiente caralho. Eu entendo todo mundo e sei que mereço isso, e só que eu não aguento mais, o peso disso tudo está me consumindo.
Deus que me perdoe, mas neste momento eu até me sinto feliz ao pensar na possibilidade de que isso esteja me matando aos poucos. Eu prometi que nunca mais tentaria o suicídio, pois eu precisava enfrentar as consequências do que eu causei, era o justo a se fazer já que Kelly teve que suportar um sofrimento ainda pior é está viva. Mas se meu corpo e minha mente não aguentarem mais, se minhas crises emocionais voltarem com tudo, fazendo com que eu fique doente com frequência, e por isso eu acabe morrendo de algum problema físico eu não estarei sendo tão fraco e egoísta, certo?
Meus pensamentos são interrompidos pelo contato de minha mãe que volta a segurar minha mão e me abraça em seguida. Eu retribuo com força, como se com esse abraço eu pudesse me sentir só um pouco mais forte, como se com esse abraço eu conseguisse ter a chance de trazer só um pouco de alívio para a minha mente por alguns segundos.
— Você não está nada bem né? Minha mãe pergunta ao mesmo tempo em que acaricia o meu rosto. — Você já estava mais estável, o que aconteceu pra isso ter mudado tão rápido? Eu acho que você deveria ampliar suas consultas com o psiquiatra e voltar a um psicólogo.
— Hei mãe, calma ok? Não precisa se preocupar tanto comigo, está tudo bem, certo? A senhora quer saber o que aconteceu, não quer? Pois então, eu vou te contar tudo. Eu reencontrei o meu pai. Eu digo de uma vez, a fim de mudar o assunto e tirar o foco de mim mesmo.
Vejo os olhos de dona Kátia se arregalarem, a expressão de surpresa está explícita em seu rosto.
— Você encontrou com o Carlos? Como assim? Ele tinha ido embora da cidade.
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Marcas do Passado
RastgeleDaniel e Kelly, dois corações machucados e marcados para sempre pelo passado de cada um. Será que o amor pode uni-los e cicatrizar as marcas que o passado deixou? Venha ler e embarcar nessa história com muito drama e romance. **** Atenção, essa hist...
