Capítulo 61 / último Capítulo.

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Duas semanas depois.

Kelly.

Em minha vida as coisas andam acontecendo tão rápido que é até difícil de processar todas essas mudanças.

Eu decidi que irei me mudar para são Paulo com minha mãe. Eu pensei muito durante alguns dias, foi muito complicado para tomar essa decisão. Não pelo fato de mudar em si, afinal eu não tenho tantas coisas que me prendem aqui. Trabalho não é uma das minhas maiores preocupações, já que são Paulo e um lugar com muitas oportunidades para quem quer realmente trabalhar e se qualificar.

Quanto a uma moradia Marcos, o quase namorado da minha mãe está nos ajudando nessa busca. Ele nos sugeriu que morassemos em um de seus apartamentos, mas é claro que não aceitamos, eu e dona Carolina somos perfeitamente capazes de alcançar as coisas aos pouquinhos, mas por mérito próprio. Então ele se limita a olhar algumas casas ou apartamentos que encontramos na internet. Ele vai até o local, tira fotos e nos envia por mensagem, além de nos dizer suas impressões sobre o lugar. Estamos quase fechando negócio na escolha do novo apartamento, ele fica bem próximo da clínica que minha mãe faz fisioterapia e que muito provavelmente vai trabalhar. Já é mobilhado e o aluguel não é tão caro, com o dinheiro que minha mãe receber da clínica vai servir pra pagar, e o que vamos receber com o aluguel desta casa e o emprego que eu espero arrumar logo vai nos permitir arcar com nossas despesas. Por enquanto o acerto que receberei na farmácia também serve para o começo dessa loucura toda. No caso de algum aperto temos o dinheiro da pensão de Matheus, que eu espero só usar com as necessidades dele, mas em caso de uma emergência podemos contar com essa ajuda.

Inclusive Daniel foi a parte mais difícil de por na balança e tomar a decisão entre ficar aqui ou não. Meu medo era de afastar Matheus do pai, e talvez lá no fundo eu mesma não quisesse ficar longe dele, mas eu preciso, isso tudo que sinto com relação à ele é errado, muito errado.

Mas foi a conversa que tive com Daniel que fez com que eu me sentisse um pouco mais tranquila em deixar tudo pra trás e recomeçar em uma nova cidade.

Flashback on.

— Hei Kelly, vim o mais rápido que pude assim que você me ligou. O que precisa falar comigo que esteja te agoniando tanto? Daniel indagou ao mesmo tempo em que se sentava em meu sofá logo depois de ter encostado a porta assim que entrou. Desviei o meu olhar que já estava percorrendo todo o seu corpo e havia parado em seu rosto.

Parece até loucura da minha cabeça, mas Daniel me olhava com tanto carinho, seu olhar é sempre tão expressivo que eu simplesmente não consigo me sentir desconfortável ao lado dele, por mais que o meu lado racional grite que eu estou sendo uma maluca.

— Eu preciso te falar uma coisa um pouco complicada... Dou um longo suspiro antes de continuar: — Bom, a minha mãe está indo embora pra são Paulo, e ela quer que eu vá junto. Eu não quero que pense que eu esteja querendo afastar o nosso filho de você, eu juro que não quero. Inclusive se achar que o fato de eu me mudar pode afastar vocês eu posso repensar essa ideia, eu não sei.

Daniel fica em silêncio por longos segundos, suas mãos vão até o seu rosto e ele se mexe no sofá antes de voltar a me olhar com uma certa tristeza em seus olhos.

— Você está querendo ir, não está? Você nem deveria estar me perguntando isso, deveria estar apenas me comunicando se essa é a sua vontade. Kelly, eu nunca vou te dizer o que você deve ou não fazer. Se acha que são Paulo vai ser o melhor pra você, então vai em frente. Eu sempre achei que essa cidade era pequena pra você, sempre achei um desperdício que nunca tenha saído daqui antes. Então relaxa, desbrave o mundo se quiser garota. Ele me dá um sorriso leve e eu sorrio de volta para ele. — Mas eu não posso negar que vou sentir sua falta, falta dessa nossa convivência e proximidade sabe? Mas acho que será melhor assim. Bom, eu vou tentar ir pra são Paulo toda a semana pra ver o Matheus, talvez eu tenha que comprar uma casa por lá pra não ter que gastar com hotel toda vez que eu estiver lá., eu ainda não sei como vou organizar a minha vida, mas vai sim viu? Ele sorri de leve mais uma vez, ao mesmo tempo em que faz um pequeno carinho em meu rosto.

Marcas do PassadoOnde histórias criam vida. Descubra agora