Capítulo 42
Kelly
Eu saio do hospital como se estivesse em uma espécie de estado de choque. Vejo as pessoas passando por nós, mas sem ver de verdade.
Sinto como se nada ao meu redor importasse. Tudo o que eu queria poder fazer agora era me deitar em minha cama e ficar lá por muito tempo sem fazer nada.
Nem chorar eu estou conseguindo nesse momento. Sinto meus passos cessarem e me dou conta de que André me olha atentamente com sua mão ainda na minha como se me desse força assim.
— O que houve? — Pergunto, sem entender o motivo de pararmos.
— Você tem certeza que consegue voltar a trabalhar assim? — Ele acaricia levemente minha mão e depois alisa rápidamente meu rosto, recolhendo a mão logo em seguida.
— Acho que eu já aprendi a fazer coisas no modo automático querido. Não quero ter que faltar assim, em cima da hora. — Falei tentando dar um tom divertido a minha voz, mas acho que falho miseravelmente.
— Creio que seria um situação aceitável. Você está grávida e está vivendo repetidas situações de estresse. Não acredito que te achem folgada por faltar nesse caso. Vai que você comete algum erro por estar no automático?
— É, talvez você tenha razão. Além do mais eu já estou quase de licença maternidade e nem faltei durante a gravidez. Mas temos que ir lá pra avisar, acho que é mais correto.
— Ou eu posso conversar com minha mãe e ela dá um jeito por lá. Você pode ir para casa ficar sozinha, ou.. — Ele sorri levemente antes de continuar. — Ir lá para o meu trabalho. Lá na sala dos mensageiros tem um sofá super confortável onde podemos ficar conversando ou só calados enquanto não aparece serviço para mim.
— Tudo bem. Muito obrigada por isso. Então, vou com você. Acho que vai ser bom ter alguém ao meu lado, mesmo sabendo que eu nem poderei ser chamada de uma companhia para você. — Eu digo sorrindo sutilmente para ele.
— Não se preocupe, querida. — Ele abre ainda mais o sorriso, beijando levemente a minha mão que segura a dele. — Estarei ao seu lado mesmo que seja para ouvir o seu silêncio. Vou só ligar para minha mãe e seguimos para meu trabalho.
Ele diz discando o número da farmácia no celular. Eu espero sua conversa com a mãe sem desviar meus olhos dele.
André é a melhor pessoa que conheci nos últimos tempos. Eu acho tão lindo o seu jeito divertido de ser e principalmente o quanto ele é maravilhoso comigo. Agradeço muito a Deus por ter me presenteado tanto ultimamente.
— Vamos? — Ele pergunta e eu nem percebo que terminou a ligação. Não sei se foi a emoção de ouvir tudo aquilo ou se a delicadeza que André é e sempre foi comigo. Talvez seja tudo junto.
Eu solto a mão dele e envolvo sua cintura em um abraço forte, deitando a cabeça em seu peito. Consigo ouvir suas batidas acelerarem enquanto ele hesita alguns segundos antes de retribuir o abraço.
Ele me envolve de forma dócil com uma mão enquanto a outra desliza em meus cabelos. Uma dose de carinho era tudo o que eu precisava depois de ouvir tantas verdades doloridas.
Nem me importo quando um beijo é plantado em minha testa ou quando André me aperta um pouco mais logo antes de me soltar. Seu abraço é diferente e me traz paz ao invés de desespero.
— Eu já te disse alguma vez o quanto o seu abraço me conforta? — O surpreendo com a pergunta e acaricio seu ombro.
— Acho que não. — Ele diz se fingindo de desentendido. Com certeza querendo que eu o elogie mais.
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Marcas do Passado
AcakDaniel e Kelly, dois corações machucados e marcados para sempre pelo passado de cada um. Será que o amor pode uni-los e cicatrizar as marcas que o passado deixou? Venha ler e embarcar nessa história com muito drama e romance. **** Atenção, essa hist...
