Capítulo 27

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Daniel

Eu acordo com uma dor infernal na cabeça. Demoro alguns segundos para abrir os olhos. Analiso meu redor e percebo que estou em uma cama diferente, em um quarto diferente.

"Droga, como eu vim parar aqui? O que eu tô fazendo aqui?".  Faço estas perguntas mentalmente e as respostas que eu desejo começam a vir, mas não da forma clara que eu gostaria.

Flashs da noite anterior invadem a minha mente, mas são confusos. A porta do tal quarto se abre antes que eu levante da cama e a bartender da noite anterior aparece segurando duas xícaras.

Ela veste só uma camisa que não chega nem à metade das coxas e eu torço para que esteja usando algo por baixo.

— Bom dia, eu te acordei com algum barulho? Deixei esses remédios para você. — Ela indica algo ao meu lado e encontro um copo com comprimidos que parecem ser aspirinas.

— Obrigado! Por favor, me diz uma coisa — olho novamente para o local onde estou. — Como viemos parar aqui? Nós fizemos algo.. Eu te forcei a fazer algo?

Minha voz sai mais nervosa do que eu pretendia, mas não consigo controlar o desespero que me toma só de pensar que posso ter feito algo de ruim com ela. Ela para no mesmo lugar e sua expressão confusa me deixa mais nervoso ainda. Ela me olha por alguns segundos e nega com a cabeça.

— Acho que deveria tomar o remédio. O álcool ainda está fazendo efeito em você. — Ana caminha até a cama e se senta na ponta, estendendo uma das xícaras para mim. — Fiz um chá também, café te deixaria mais agitado e dolorido. Tome, respire fundo e conversamos.

— Não conseguirei tomar nada antes que me responda. Eu não estou mais bêbado, só estou de ressaca e preciso da sua resposta.

Ana me olha mais atentamente. Ela se aproxima um pouco, deixando as xícaras em cima da cabeceira e se senta ao meu lado na cama. Suas mãos alcançam as minhas e ela se vira levemente para me olhar.

— Nós demos uns amassos lá no bar e tudo esquentou demais. Eu tive a brilhante ideia de vir aqui para casa, já que voce mora com sua mãe e irmã. E eu moro sozinha. Então nós viemos, mas você estava tão bêbado que eu não tive condições de continuar nada. — Sua última frase foi com desapontamento. — Foi até fácil. Você tomou uma ducha rápida, bebeu alguns copos d'água enquanto conversávamos bobeiras sobre nossos trabalhos, depois foi dormir tranquilamente. É muito fácil cuidar de você quando está bêbado.

— Ah, que bom! — Sinto o alívio me fazer relaxar um pouco. — Caramba, como eu não me lembro de nada disso? Só os amassos no bar. A última coisa que me lembro é do beijo que eu te dei porque eu adorei o seu batom.  Eu sorrio um tanto sem graça para ela.

— Ainda bem que não transamos. Você perderia a oportunidade de lembrar como sou maravilhosa na cama. — Ela diz, erguendo o queixo e se fazendo de exibida.

  Eu fico um pouco assustado por um momento só de pensar em transar com alguém novamente.

— Maravilhosa? Nossa, já gostei da sua autoconfiança — eu digo sorrindo novamente.

— Se eu não confiar, quem vai? É o que meus pais me diziam sempre.

Ana se deita na cama ao meu lado e consigo ver sua camisa subindo e exibindo a barra do short curto que ela usa. Meus olhos voltam aos dela e eu vejo intensidade ali.

— Só estava esperando você acordar... — Ela diz mordendo os lábios da mesma forma que fez ontem e que me deixou totalmente atraído.

— Esperando eu acordar para quê? — eu acho que entendi exatamente o que ela quer, mas preferi perguntar para ter certeza de que eu realmente entendi certo e também para ganhar tempo enquanto crio coragem caso seja mesmo o que eu estou pensando.

Marcas do PassadoOnde histórias criam vida. Descubra agora