Daniel.
Assim que chegamos na ONG e descemos do carro eu me dou conta do quão nervoso eu estou. Minhas pernas estão moles, não sei como estou conseguindo caminhar. Isso tudo pode parecer um grande drama de minha parte, mas juro que não é. Eu me sinto com medo do que está por vir. Será que vão me julgar? Que moral vou ter pra ajudar vítimas de estupro sendo que eu sou um estuprador? Eu sinceramente não sei onde estou com a cabeça ao levar isso a diante. Porque uma parte de mim insiste em pensar que possa ser uma boa ideia quando claramente não é.
Deixo meus pensamentos e medos de lado assim que olho kelly. Seu estado está igual ou até pior do que o meu. Ela está parada no meio da rua, como se estivesse travada. " Droga. Tudo isso é culpa minha, foi eu quem fez isso com ela, foi eu quem tornou a sua própria mente uma inimiga para ela. Como posso concertar isso? Como eu vou conseguir conviver com tudo de ruim que causei a uma garota que eu amo tanto?"
Decido que preciso ajudá-la. Como? Nem eu sei, mas preciso que ela dê esse passo, preciso que as coisas fiquem melhores para ela. Respiro fundo algumas vezes antes de me aproximar um pouco mais de forma temerosa.
— Hei kelly, o que houve? Pergunto baixinho, colocando minha mão em seu ombro bem devagar.
— Eu não sei Dan, eu acho que não consigo. Eu não vou conseguir me abrir. Kelly me olha como se estivesse em desespero, como se fosse uma criança que está com medo do monstro que encontrou debaixo da cama. E eu não tiro a sua razão, ela tem monstros para lidar, e com certeza eu faço parte disso.
— Mas quem disse que você precisa se abrir agora? Kelly você só está aqui pra conhecer a ONG, saber como é o trabalho. E mesmo que um dia você venha a frequentar você só vai falar algo quando estiver confortavel e a vontade para isso. Ninguém irá te pressionar a nada. Você já foi tão forte, já chegamos até aqui, tem certeza que vai desistir agora? Kelly continua com seu olhar fixo em mim antes de voltar a dar mais alguns passos em direção a porta de entrada da ONG.
— Você tem razão, nós já chegamos até aqui, eu não posso desistir agora. A gente só precisa caminhar mais um pouquinho e já estaremos lá dentro. Ouço sua respiração pesada enquanto ela continua caminhando determinada e eu a sigo, tentando ter a mesma determinação que ela está tendo nisso.
— Isso aí kelly, depois estaremos com profissionais, tudo vai dar certo. Não consigo conter um enorme sorriso assim que chegamos na porta de entrada e colocamos os pés dentro do local.
— Conseguimos! Ela exclama sorrindo feito boba. Acabamos gargalhando juntos parecendo dois adolescentes felizes porque acabaram de ganharam um celular novo.
Nem percebi que nos guiei até o balcão da recepção, só me dou conta disso quando ouço a voz da mulher falar.
— Boa tarde. No que posso ajudá-los? A moça pergunta, alternando o seu olhar entre mim e kelly.
— Oi... Meu nome é Daniel de Moura, eu acho que já tenho um horário aqui com a dona Sônia, diretora da ONG. E essa é kelly. Digo apontando para a garota que está ao meu lado aimda com um sorriso lindo e bobo no rosto. — Ela gostaria de conhecer melhor o espaço, saber como é o trabalho aqui, talvez ela venha a fazer parte da ONG. Quando termino de falar percebo a ansiedade voltando a tomar conta de mim, pois sinto o frio na barriga dominar todo o meu corpo e minha garganta ficando cada vez mais seca.
— Claro, vou pedir que alguém acompanhe a kelly em um passeio pela ONG, e a dona Sônia já está lhe aguardando na sala dela, fica nesse corredor na segunda porta a esquerda. Ela responde com o seu olhar fixo em mim. Me pergunto qual é o motivo desse olhar tão intenso, será que ela já sabe quem sou e não me aceita aqui? Decido não pensar nisso agora, definitivamente eu tenho coisas mais importantes pra me preocupar neste momento. Vejo a mulher sair de trás do balcão e logo se afastar do nosso campo de visão.
— Eu vou ficar com você até que alguém chegue pra te acompanhar no passeio pode ser?
— Claro Dan, muito obrigada, mas eu não quero te atrapalhar, você já tem um horário marcado com a diretora daqui. Eu não quero te atrasar.
— Quando eu chegar lá e explicar o motivo do meu atraso eu tenho certeza que ela vai compreender. Eu digo sorrindo para ela.
— Mais uma vez muito obrigada viu, por estar aqui comigo agora, por ter me convencido a vir. Acho que se não fosse por sua ajuda eu não estaria aqui hoje.
— Não tem o que me agradecer querida, o mérito e seu. Eu apenas te sugeri algo, você quem teve a iniciativa de enfrentar os seus medos e veio até aqui. Eu te admiro tanto sabia? Você é a garota mais forte que conheço, depois da minha mãe e claro. Gargalho me aproximando um pouco mais dela e tocando sua mão. Ela entrelaça minha mão na sua e sorri junto comigo
— Viu, tudo o que acontece com a gente tem um lado positivo, até as coisas ruins. Porque você me fez forte Daniel, o que aconteceu me fez forte. Eu tive que aprender a me reconstruir. Eu juntei as partes que você quebrou quando eu era uma criança e você um adolescente. Não sou a mesma de antes porque quando algo se quebra não há como voltar ao seu estado natural, mas acho que sou melhor, mais forte.
Fico sem saber o que responder depois de ouvir suas palavras. Eu não me canso de me perguntar como ela consegue pensar assim? Antes que eu me recomponha e possa responder qualquer coisa vejo a recepcionista chegando com mais alguém que ainda não consigo ver de imediato, mas assim que vejo sinto meu coração acelerar e o meu corpo todo ficar mole tamanha e a minha surpresa. A garota parece sentir o mesmo, pois vejo seus olhos se arregalarem assim que ela me vê.
— Daniel! Ela exclama e logo me dirige um sorriso largo vindo em minha direção.
— Ana! Eu não acredito, o que está fazendo aqui? Eu acabo sorrindo também, mas sinto que ainda não digeri toda a surpresa que me toma.
— E uma longa história, espero que um dia eu possa te contar. Isso se você ainda quiser falar comigo né, já que me evitou por tanto tempo. Bom mas eu preciso ir, tenho que acompanhar essa moça linda por um passeio pela ONG. Oi... Seu nome é kelly né? Desculpa essa loucura toda, meu nome é Ana e eu vou acompanhar você.
— É, eu sou a kelly sim, e um prazer conhece-la. Vejo o olhar de kelly alternando entre mim e Ana, ela está claramente confusa e eu não a julgo, porque até eu ainda estou assim
— O prazer é meu. Quer me acompanhar então? Ana diz começando a caminhar e kelly a segue. Vejo ela me lançar um último olhar antes de sumir completamente do meu campo de visão.
Eu fico parado ali por nem sei quanto tempo, isso claramente e uma grande brincadeira do destino comigo.
Oi amores, tudo bem com vocês? Eu espero que sim.
O que acharam do capítulo?
Eu acabei de criar um grupo do livro no whats, pra gente trocar ideia sobre o livro. O link está aqui e na biografia em meu perfil.
Um beijo e até o próximo capitulo.
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Marcas do Passado
AléatoireDaniel e Kelly, dois corações machucados e marcados para sempre pelo passado de cada um. Será que o amor pode uni-los e cicatrizar as marcas que o passado deixou? Venha ler e embarcar nessa história com muito drama e romance. **** Atenção, essa hist...
