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Um indesejado flashback fez eu fechar os olhos quando a onda gelada bateu na minha canela

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Um indesejado flashback fez eu fechar os olhos quando a onda gelada bateu na minha canela. Me lembrei de quando era pequena e meu pai me levava para as praias do Paraná, mesmo quando estava frio, pois eu não poderia ficar muito tempo sem visitar o mar ou começava a fazer birra. Ele permanecia de mau humor na areia enquanto eu brincava sozinha na água, já que era acostumado com o calor da Califórnia e preferia não estar ali.

Deixei as ondas lavarem minhas memórias, mergulhando a cabeça pela água salgada, afogando os pensamentos.

Era para eu estar acostumada com aquela temperatura, contudo, alguns minutos depois a corrente fria do Oceano Pacífico começou a me fazer tremer e arrepiar. Talvez a minha ideia tivesse sido um pouco estúpida, eu deveria voltar quando o sol estivesse no céu. Talvez a lembrança de nadar sozinha na água fria estivesse revivendo lembranças inconvenientes.

O mar estava escuro e agitado, portanto voltei a nadar em direção à areia antes que a maré subisse demais. Conforme eu lutava contra a correnteza para chegar mais perto da costa, pude ver entre a noite que havia alguém parado na escada onde deixei minhas roupas. Por um instante fiquei eufórica, acreditando que Zayn havia desistido do seu compromisso. Entretanto, quanto mais eu me aproximava, maior aquela figura ficava. Não era seu corpo esguio; era um homem baixo e musculoso.

Parei na parte rasa da água, fingindo torcer os cabelos, tentando analisar melhor aquela sombra. Ela simplesmente estava parada ali, imóvel, me observando — ou vigiando.

Comecei a descartar teorias. Seria demais imaginar que Malik havia enviado um de seus peões para me escoltar de volta para casa ou algo do tipo. Cody também não iria tão longe em sua implicância a ponto de mandar alguém me assustar.

A voz de Hillebrand ecoou em minha mente, ruidosa como o barulho da maré, violenta como as ondas do oceano. Parecia que eu a ouvia no interior de uma concha: "Onde, quando e com quem quer que vocês estiverem, sempre vai ter alguém tentando matar o Zayn. E, se você estiver do lado dele, vão querer te matar também."

Minha nuca começou a doer e meus tímpanos a latejarem. Sinal que a pressão sanguínea estava subindo, o coração acelerando e os músculos se enrijecendo. Eu podia pressentir o perigo.

Tentei raciocinar, apurei os sentidos e os olhos para visualizar melhor a minha saída pelo escuro. Precisava me afastar, ganhar distância. Era o caminho mais longo, porém a única alternativa seria subir pela rampa de cimento, desviando da escada, e esquecer minhas roupas. Foi o que fiz.

Busquei andar com confiança pela areia grossa, sentindo meu corpo todo formigar enquanto lutava contra o impulso de olhar para trás. Fiz esforço extra para subir a rampa, meus joelhos de repente pareciam endurecidos e eu tinha que lutar duas vezes mais para conseguir dar um passo. Quando contornei a curva necessária para alcançar a trilha, pela visão periférica pude notar que o homem continuava na escada, só que agora um brilho azulado emanava contra seu rosto através do celular posicionado na altura da orelha.

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