❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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Minha língua passava cada vez mais naquele dente quebrado no fundo da boca. Tanto que começou a ficar cortada. E, mesmo assim, eu continuava: sentindo a dor, o ódio, a frustração.
O sangue se acumulava mais na minha boca a cada golpe que eu desferia no saco de areia. Tirei ele do gancho no teto e o joguei no chão. Subi nele, usando todo o peso do meu corpo. Braços, pernas, cotovelos, mãos. Tudo o que eu tinha, depositava ali.
A areia começava a vazar pelos furos, grudando no suor da minha pele. Uma irritação que me dava ainda mais força para continuar. A música alta, o eco dos meus grunhidos pelo galpão — tudo era combustível para extravasar minha raiva.
Os nós dos meus dedos estavam roxos, assim como cada parte do meu corpo que batia contra o saco. E nada parecia suficiente.
Um grito escapou da minha garganta, selvagem e descontrolado. Acertei um último chute, fazendo o saco rolar. Caí ao lado dele, as mãos se enfiando no cabelo, puxando os fios como se pudessem arrancar aquela sensação de impotência da minha cabeça. Como se suportar a dor física fosse capaz de me fazer sentir forte.
Se eu quisesse encarar Goyola, teria que treinar mais. Precisava procurar Ive, pedir sua ajuda. Meu corpo tinha que estar forte, resistente. Não poderíamos desperdiçar nossa próxima chance. Eu não poderia ser uma inútil naquela luta.
Minha respiração estava descompassada, o peito subindo e descendo de forma irregular. Eu era um desastre, molhada de suor, exausta. O galpão ainda estava escuro, mas logo o sol nasceria. Já fazia horas que eu estava ali.
Deixei uma mensagem para Zayn, dizendo que não consegui dormir e precisei sair para respirar. Mas se ele acordasse e não me encontrasse, viria atrás de mim. E se me visse nesse estado, eu teria que dar explicações. Teria que aguentar ele tentando me consolar.
Então bati a areia do corpo, refiz o rabo de cavalo e fiz o possível para parecer controlada. Depois, voltei para o loft.
O lugar estava vazio e silencioso. Passei de cômodo em cômodo, sem encontrar vestígios de ninguém. Quando voltei à cozinha para pegar um pouco de água, notei a porta metálica do porão semiaberta, fazendo os pelos do meu braço se arrepiarem.
Jake e Cody tinham que estar lá embaixo. Eles nunca seriam descuidados a ponto de deixar aquela porta aberta.
Bebi a água, comi algumas frutas. Fiquei na cozinha, andando de um lado para o outro, fingindo estar ocupada. Mas, na verdade, só tentava ouvir alguma coisa. Qualquer sinal de que havia gente no porão.
Nada.
Soltei um palavrão antes de abrir a porta por completo e começar a descer os degraus. Pisei devagar, tentando não ser notada, sentindo meu coração bater mais rápido a cada passo.
Voltei a respirar quando vi os três no centro do porão. Castro estava sentado em uma cadeira e os Folks estavam de pé, de frente para ele, imóveis, quietos, braços cruzados.