❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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No meu aniversário de 19 anos, estávamos no México. Eu não sabia se quando eu mudava de cidade, Eron ia junto, ou se ele só aparecia nos dias em que Castro tinha trabalho a fazer comigo. Mas naquele início de abril, ele estava lá.
Goyola entrou pela porta da frente junto do seu braço direito. Ele usava uma horrível camisa de cetim verde colonial e calças brancas. Castro vestia um terno vinho escuro e sapatos brilhantes.
— Você está linda. — o grisalho enunciou a frase de modo que a bile subiu na minha garganta.
Eu estava calçando meus sapatos, sentada no sofá. Meu cabelo estava lavado e penteado, minhas roupas limpas e apresentáveis. Pela primeira vez em semanas, tive coragem de me olhar no espelho e passar um pouco de maquiagem que não fosse apenas para cobrir os machucados.
Fazia pouco menos de um ano desde que fui levada da Califórnia. No começo, eu ainda tentava me comportar como uma pessoa normal, me vestir bem e viver uma vida. Porque assim eu poderia tentar convencer Eron de que estava entrando no seu jogo e ganhar sua confiança. Poderia encontrar brechas na rotina e tentar escapar. Mas, toda vez, eu era descoberta e punida. Com o tempo, essa esperança foi diminuindo, e parei de querer sair de casa e ser vista.
No entanto, era meu aniversário. E se eu ainda estava viva depois de tudo, merecia comemorar. Restara um pouco de entusiasmo pela vida e coragem em mim, então decidi que naquela noite eu iria sair, jantar e fingir ser feliz. Mesmo que, no final da farsa, eu tivesse que voltar para minha prisão e chorar até dormir, lembrando de como no meu último aniversário eu tinha sonhos incríveis, que foram desfeitos em sangue.
— Estou de saída. — avisei.
Eron se sentou na ponta do sofá, se acomodando, e cruzou as pernas.
— Não vou demorar. — ele respondeu, girando seus anéis — Só vim desejar um feliz aniversário. E dizer para você fazer as malas, porque partiremos amanhã de manhã.
— De novo? — a pergunta saiu afiada, minha voz aguda.
Não fazia 2 meses desde que chegamos a Tijuana. Mal tive tempo de terminar de desempacotar minhas coisas. Eu não ligava muito para elas, pois não conseguia me apegar a nada, já que sempre perdia algo durante as mudanças. Mas a sensação de saber que teria que começar tudo de novo me dava náuseas.
— Um novo ano, um novo ciclo. — Eron disse dissimulado. Seu sorriso felino sob o bigode branco me fazia querer arrancar minha própria pele — E não beba muito esta noite. Meus homens estão começando a reclamar de ter que te impedir de morrer engasgada no próprio vômito.
— Não vou embora. — cruzei os braços, me recostando no sofá — Já estou longe o bastante de São Francisco.
Castro contornou o sofá, parando atrás de mim. Sua proximidade gelou todo o meu corpo, e por mais que quisesse resistir, eu sempre sentia medo. Eu tensionava meus músculos e me encolhia, tentando ficar pequena, como se isso fosse tirar sua atenção de mim e impedi-lo de me machucar.