24| Los Cazadores

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Os gritos animalescos já estavam prestes a me deixar surdo, e a intensidade só aumentou quando o filho da puta começou a desabotoar a camisa

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Os gritos animalescos já estavam prestes a me deixar surdo, e a intensidade só aumentou quando o filho da puta começou a desabotoar a camisa. 

Jake Braun não tinha o corpo coberto por tatuagens como a maioria de nós, mas por cicatrizes. Profundas, algumas bem cicatrizadas, outras maltratadas. Ele as exibia como troféus, sua marca registrada.

Ive Mogilevich, por outro lado, não se deu ao trabalho de fazer qualquer exibição. Apenas prendeu o cabelo num rabo de cavalo alto e conferiu se os cadarços estavam bem amarrados. Seus coturnos, com aquela plataforma alta e pesada, eram armas por si só. Quando ela alongou o pescoço e as costas, seus músculos se destacaram sob a pele.

Eu não conseguia acreditar que aquela merda estava realmente acontecendo. Parte de mim queria subir naquele ringue e acabar com tudo antes que estivéssemos fodidos, mas... Cara, isso era algo que eu queria ver. Além disso, quem ganhasse levaria a grana das apostas, então, no final, meu lucro estava garantido.

O palco improvisado, montado sobre tambores, era instável. À medida que Jake e Ive se moviam em círculos, a madeira tremia sob seus pés. Eles se encaravam, cada um esperando o outro dar o primeiro golpe. Mogilevich mantinha a postura ereta, encarando Jake de cima, com aquela expressão tranquila, quase desdenhosa. 

Era óbvio que Braun seria o primeiro a atacar. E, como esperado, ele foi. Jake avançou com tudo, mas foi recebido com um soco direto no lado esquerdo do rosto. Ele se manteve firme, como se nada tivesse acontecido. Um sorriso malicioso surgiu em sua boca.

— Só estava testando sua força. — provocou, tocando o olho machucado.

Abella, que estava à minha frente, começou a pular e gritar, as mãos em concha ao redor da boca, depois soltando um assobio agudo com os dedos. Ela vibrava junto com a plateia a cada novo ataque de Braun, sempre sendo rebatido por golpes mais ferozes de Ive. 

Quando Mogilevich cansou das provocações, decidiu assumir a ofensiva. Jake teve facilidade em desviar da maioria dos golpes, até que um chute na costela o fez cair pela primeira vez. Ele aproveitou a queda para agarrar as pernas de Ive e puxá-la para baixo, fazendo os dois rolarem na madeira velha. Em seguida, conseguiu acertar o rosto dela uma, duas vezes. Depois da terceira, Ive inverteu a situação e, de repente, era ela quem estava por cima.

Braun, sendo Braun, fez o que sabia fazer de melhor: riu, provocando, enquanto segurava a cintura dela como se estivessem transando. O que ele recebeu em troca foram cotoveladas rápidas no queixo, tão fortes que me fizeram cerrar os olhos, como se eu sentisse pena dele. Mas, sinceramente? Ele merecia.

Mogilevich era forte e sabia lutar, só que Jake era baixo e jogava sujo. Mesmo apanhando, ele alcançou uma faca presa ao cinto e cortou a barriga dela. Não queria esfaqueá-la de verdade, era só um corte superficial, suficiente para afastá-la. E funcionou.

Ive se levantou, tocou o sangue que manchava sua blusa e, naquele momento, o clima mudou. A diversão havia acabado. Jake se agarrou à faca sabendo que teria que se preparar para o que viria a seguir. Os dois se lançaram um contra o outro ao mesmo tempo, sem hesitar, os golpes tão rápidos e violentos que logo o ringue estava manchado de sangue.

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