31| apostas na mesa

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Eu estava sorrindo

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Eu estava sorrindo.

Antes mesmo de abrir os olhos, meus lábios já estavam curvados. Uma noite escura e sem sonhos — nem bons, nem ruins — ia embora devagar, conforme eu despertava aos poucos.

Tentei me mexer, mas não consegui. Tinha pernas e braços jogados sobre mim, cabelos cobrindo meu rosto. Com cuidado, tirei meu braço esquerdo debaixo de uma cabeça e afastei os fios dos olhos. Só então entendi o que estava acontecendo.

Vitória estava com a cabeça no meu peito, abraçada ao meu corpo como um coala. Do outro lado, Diamond dormia no travesseiro, mas com as pernas atravessadas sobre as minhas. O perfume doce das duas se misturava no ar, e suas respirações calmas e ritmadas enchiam o quarto. Meu sorriso aumentou sem que eu pudesse evitar.

Fechei os olhos de novo. Abracei Vitória com mais força e puxei Diamond para mais perto. Nós três viramos uma bola de conforto — um emaranhado de pernas, braços e calor humano, enfiadas entre os travesseiros.

Consegui cochilar por mais alguns minutos. E acordei sorrindo de novo.

Não fazia ideia de como elas tinham convencido o Zayn a ceder o lugar dele na minha cama, mas estava feliz por terem conseguido. O motivo era claro: elas queriam estar ali, garantir que eu não fosse cair num buraco sem fim depois de concluir minha vingança. Quando o peso de tudo finalmente desabasse sobre mim.

Mas elas não tinham com o que se preocupar.

— Ab... — Vitória murmurou, ainda tentando abrir os olhos, ao notar que eu começava a me mexer — Você está bem?

— Estou bem. — respondi, dando um beijo na testa dela enquanto conseguia me sentar no colchão — Pode continuar dormindo.

Ela piscou devagar, finalmente me encarando. Seus olhos grandes e redondos pareciam tentar desvendar se eu estava escondendo alguma dor. Mas, aos poucos, seu rosto suavizou.

— Te amo. — ela sussurrou, pegando minha mão.

— Ama muito?

Vics apertou meus dedos, sonolenta demais para responder em voz alta, só balançando a cabeça com um sorrisinho de canto.

— Amamos muito. — ouvi a voz baixa de Diamond atrás de mim.

Virei o rosto e vi que ela também estava acordada, olhos castanhos pequenos e cansados me observando. Sorri, dei um beijo na testa dela também e finalmente me levantei.

Ao sair do quarto, notei pela claridade tímida do corredor que o sol ainda estava nascendo. Por coincidência, Norman também saía do quarto dele, fechando a porta atrás de si.

— Bom dia. — sorri ao vê-lo, com o cabelo todo bagunçado e a roupa amassada, como eu quase nunca via — Acordou com as galinhas?

Ele franziu a testa, visivelmente confuso — ou ofendido, talvez. Se afastou da porta e sussurrou, meio sério:

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