❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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Minha vontade era apelar para a violência, na tentativa de conseguir arrancar a verdade dos dois rapazes que se faziam de idiota. Zayn e Norman insistiam em me dizer que também não sabiam onde Cody estava, por isso haviam perguntado. Não precisava ser nenhuma gênia para perceber que estavam me escondendo algo.
— Abella... — Malik começou a falar, sendo interrompido imediatamente.
— Ab! — corrigi impaciente — Ele se meteu em confusão, não é? O que foi? Meu primo arrumou briga com alguém ou está fugindo da polícia?
Os dois se entreolharam. Respirei fundo. Se continuassem se fazendo de desentendidos, eu provavelmente pularia no pescoço deles.
— O Cody sempre some. — era vergonhoso assistir Hillebrand tentar contornar a situação. Seu talento para mentiras era nulo — Você ainda não teve tempo para se acostumar. Não precisa ficar preocupada, ele deve aparecer daqui a alguns dias.
— Então acho que não tem problema o meu tio ficar sabendo... — ameacei colocando as mãos na cintura. Novamente, a dupla conversou pelo olhar — Mark deve estar mais acostumado do que eu, vai saber o que fazer nessa situação.
Zayn se aproximou de mim rapidamente. Suas mãos pousaram em meus ombros, com uma leve pressão, e seus olhos desceram para ficar no meu nível. Tentei continuar firme enquanto encarava suas íris escuras pelo mau-humor abrupto.
— O Mark fica fora disso. — sua voz soou grave e ameaçadora — Nós vamos encontrar o Cody. Sozinhos. Não aja como se estivesse preocupada com ele, afinal você já deixou bem claro que não gosta do seu primo.
— Cody não é minha preocupação, realmente. — segurei seus pulsos e tirei suas mãos de mim — Mas me importo com o meu tio. Se eu puder fazer alguma coisa para evitar que ele encontre o filho morto, farei.
— Eu nunca deixaria isso acontecer. — Malik riu pelo nariz, se afastando de mim. O moreno me olhou de cima a baixo e balançou a cabeça em negativa — Você não sabe nada mesmo.
— O que eu preciso saber, Zayn? — dei um passo em sua direção, erguendo a camiseta do rapaz. Ele tentou se esquivar, porém foi o suficiente para o cabo da pistola pendurada no seu cós refletir — Que vocês são marginais? Que gostam de ser criminosos, apostar corrida de rua, beber e usar droga até ficar inconsciente? Pelo amor de Deus, eu não sou idiota.
Pude perceber que Zayn e Norman ficaram surpresos por eu notar que andavam armados. Estavam sem palavras e com os olhos arregalados. O que eles pensavam? Que eu era burra?
Já tive uma fase na qual também não andava com as melhores companhias quando morava no Brasil. Então, vindo do país que eu vim, sabia reconhecer quando algum moleque era encrenca. Além do mais, os imbecis não fizeram questão de serem discretos no dia em que estive no racha. Bastava somar dois mais dois para perceber que me levaram a um evento onde as leis não chegavam.
— Vem comigo. — Zayn deu meia volta e foi a passos largos e zangados até o Jaguar. Entrou pelo lado do motorista e bateu a porta. Busquei Norman com o olhar, tentando entender o que estava acontecendo, mas ele parecia tão perdido quanto eu — Entra no carro, Abella!
Hillebrand e eu nos entreolhamos sem reação por um tempo. Eu não sabia se deveria obedecer ou bater o pé, mas meus impulsos falaram mais alto e me guiaram até o lado do passageiro.
Norman colocou a mão na frente da porta para impedir que eu prosseguisse. Apoiado na lataria, abaixou o rosto até a moldura da janela e sussurrou para o amigo:
— Pense bem no que você vai fazer.
— Abre a porta, Norman! — Malik ordenou ao ligar o motor, recebendo apenas hesitação como resposta — Faz o que eu estou mandando, porra!
Apesar da expressão descontente e sobrancelhas grossas franzidas, Norman obedeceu e abriu a porta do veículo para mim. Rapidamente, passei por ele e me sentei no banco antes que mudasse de ideia. Hillebrand amaldiçoou minha existência e saiu pisando alto para dentro da casa.
O trajeto, que duraria cerca de 20 minutos, foi concluído aproximadamente em dez. O motorista corria de forma absolutamente insana pelas ruas de São Francisco, fazendo eu me agarrar no banco de couro para não ser jogada para todos os lados quando virávamos uma esquina.
Se seu plano era me assustar, teria que se esforçar mais. Eu não iria recuar tão fácil.
Reconheci o bairro South of Market quando comecei a assistir diversos galpões e prédios empresariais passando quase como um borrão pela janela. Zayn permanecia em silêncio, sem olhar para mim e sem dizer o motivo daquilo tudo.
Esperei por explicações quando estacionamos em uma rua estreita e pouco movimentada. Calado, o moreno desceu do carro e o acompanhei. Notei que a rua era composta por pequenas casas brancas, todas iguais, como um condomínio residencial.
— Sabe quantas pessoas moram aqui? — questionou abrindo os braços para sinalizar os imóveis e depois se voltou para mim, ficando de costas para as casas mencionadas — Oitenta e sete, só nessa rua. É gente que não tem para onde ir, a quem recorrer. Estavam todas condenadas até esse marginal aqui fazer algo a respeito.
— Então você comanda algum tipo de ONG?
— Pode debochar, Abella. Pode pensar que somos só um bando de rebeldes procurando por problemas. — Zayn se aproximou de mim e dei um passo para trás que foi compensado por dois dele. Eu ainda estava me acostumando com suas alterações de humor, então não sabia se era seguro continuar tão perto assim — No final do dia, é nas minhas costas que está o peso dessas vidas. Sou eu quem toma as decisões difíceis e bate de frente com quem entra no nosso caminho. Eu mantenho todo mundo vivo. Eu mantenho o Cody vivo.
— Essa é a sua família. — ergui meu olhar para encará-lo. Malik cerrou o maxilar e não quebrou o contato visual — Mark é a única que eu tenho agora. Então deixa eu ajudar minha família como você faz com a sua.
Pude assistir em seus olhos a batalha que Zayn travava com os próprios instintos. Suas narinas estavam dilatadas, como se tentassem levar mais oxigênio para o cérebro poder pensar na melhor atitude.
O rapaz ficou longos segundos sem dizer nada, apenas filmando minha expressão teimosa. Ergui uma sobrancelha para incentivar sua resposta a ser mais rápida. Ele apertou as pálpebras e puxou os cabelos negros para trás ao soltar um longo suspiro.
Meu sorriso não se conteve quando Malik me estendeu sua mão e me guiou de volta até o Jaguar.
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