❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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Demoramos quase uma semana para chegar ao México, um dia e meio para pisar em solo estadunidense e outro dia para estar em São Francisco.
Eu gostaria de ter aproveitado mais o momento em que respirei o ar da Califórnia pela primeira vez em muito tempo. Mas, na maior parte do tempo durante nossa viagem, estávamos na traseira de caminhões de transporte, carros velhos e multidões de imigrantes — Mogilevich fez o possível para nos levar aos Estados Unidos da maneira mais clandestina e indetectável.
Desta forma, eu não conseguia nem ver a estrada em que estava passando. Não vi o céu acima da minha cabeça e o clima mudar a cada parada. Eu estava sempre me escondendo, me esgueirando. Jake e Ive também, e eles pareciam exaustos. Além de se preocuparem em não serem reconhecidos, os dois precisavam me manter protegida e cuidar do meu ferimento. Eu odiava depender deles e não ser capaz de me virar sozinha. Tudo que eu queria era ir logo para a São Francisco e retomar minha vida.
No entanto, eu sabia que isso ainda estava longe. Eron ainda estava por aí. E até o fim, até sua morte, ele estaria me procurando.
Braun não falava se os portugueses estavam atrás ou perto de nós. Eu estava fraca e tinha apagões em certas horas, então ele conseguia se esquivar das minhas perguntas sobre por que seu celular estava tocando tanto nos últimos dias e era sempre o nome de Norman exibido no display.
Eu não perguntei a Ive. Não conversamos muito até chegarmos a São Francisco. Ela estava focada em nos manter vivos e eu estava pensando no fato de que ela literalmente tentou me matar. A garota me caçou como uma presa por 21 meses e atirou em mim. Era algo de se esperar de alguém como ela; mas eu ainda tinha o direito de ficar receosa.
Meu corpo estremeceu quando comecei a recuperar a consciência no banco de trás do carro. Minha memória às vezes falhava e não me lembrei de onde estava por alguns segundos. Havia um peso em meu ombro e outro em meus olhos. Era Jake dormindo sobre mim e as luzes da Golden Gate passando feito flashes pela janela.
Ainda confusa, sonhei que estava me afogando. E eu nadei em direção à superfície, as luzes acima da água eram turvas exatamente como as da ponte que me cegavam agora. Continuei a nadar. E parecia estar tão perto de emergir...
Acordei buscando ar. Jake se assustou e grunhiu, rolando para o outro lado e encostando a cabeça na janela. Ive estava dirigindo no banco da frente e nem sequer olhou no espelho retrovisor quando me ouviu ofegar.
Olhei pela janela. As estruturas metálicas vermelhas eram altas e majestosas. O barulho do tráfego era alto e por causa disso eu não conseguia ouvir as ondas quebrando abaixo de mim, mas conseguia sentir. Senti a presença de água e areia. Meu corpo aqueceu e o banco traseiro da caminhonete pareceu o lugar mais aconchegante do mundo naquele instante.
A Golden Gate era extensa e Mogilevich dirigia devagar, como se soubesse que eu não tinha pressa. Eu queria tirar o máximo proveito disso. Por um momento, desejei que a ponte fosse infinita.