15| clube do livro

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Não podemos acreditar em tudo que lemos no Google

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Não podemos acreditar em tudo que lemos no Google.

Desde que encontrei Abella, me interessei pelo Brasil. Quando a vi pela primeira vez, passei a noite pesquisando sobre o país, sua cultura, costumes e idioma. Dito isso, meu choque foi compreensível quando pousamos na cidade natal de Abella.

Primeiro, a temperatura era muito baixa para um país tropical. Segundo, as pessoas em Curitiba não eram tão amigáveis quanto eu pensava, principalmente tendo Del Corneto como referência, e elas estavam vestidas com roupas quentes. Terceiro, o céu estava cinza e não vi nenhuma praia pela janela do táxi. Abella me disse que Curitiba não tinha praias e eu entendi por que ela foi embora.

— Você não está no Rio de Janeiro. — ela revirou os olhos quando perguntei sobre o calor.

A brasileira não gostava de responder perguntas idiotas sobre o Brasil. Ela disse que os americanos deveriam tirar a cabeça da própria bunda e conhecer melhor o resto do mundo. Eu estava tentando, mas ela não estava sendo a professora mais prestativa. E eu nem era americano.

Eu gostaria de ter mais tempo para conhecer o resto do Brasil, mas estávamos em uma missão relâmpago. Assim que puséssemos as mãos em Vitória, embarcaríamos no primeiro voo de volta.

Quando estávamos no banco de trás do táxi, Abella não parava de balançar a perna. Nunca a vi tão apreensiva antes. Talvez, na verdade, ela não estivesse gostando de voltar ao Brasil. Fossem as circunstâncias ou as memórias. Quase esqueci que ela fugiu dali com motivos.

Coloquei a mão em seu joelho.

— Por que está nervosa?

Abella estava tão tensa que mal conseguiu falar comigo desde que saímos da Califórnia. Durante a maior parte do voo, tudo o que ela fez foi deitar no meu ombro e fingir dormir, quando na verdade eu sabia que ela estava se torturando em pensamento.

Eu só esperava que acabasse logo. Se o que Abella queria era jogar aquela loira tagarela em um avião e levá-la para São Francisco, se isso era o que ela precisava para limpar sua mente para haver espaço suficiente para mim, eu esperava que tudo acabasse logo.

Ela olhou para mim e suspirou.

— Eu nem sei por onde começar com ela. — disse, sua voz falhando — Vitória deve estar com ódio de mim.

— Ou deve estar preocupada com você.

Ainda não tínhamos ideia do que realmente aconteceu com Vitória naquela noite. Os Folks foram atrás dela, procurando qualquer sinal de Abella, mas a garota não quis falar com eles e até ameaçou chamar a polícia se os visse novamente. Norman não deu detalhes, mas imaginei que houve muita gritaria.

De uma coisa eu tinha certeza: Vitória amava Abella. Um tipo de amor que transcendia qualquer barreira — distância, diferença, erros, ou qualquer merda. As duas eram irmãs, nada menos. Porra, qualquer um podia notar isso.

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