❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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A primeira coisa que senti ao despertar foi a dor. Uma pulsação intensa latejava em minha cabeça, me fazendo desejar desmaiar outra vez. Meu corpo parecia feito de pedra, pesado e lento. O gosto amargo na minha boca denunciava o gás que ainda impregnava meus pulmões.
Tentei abrir os olhos, mas a claridade azulada me fez cerrá-los novamente. Respirei fundo, forçando meu peito a expandir, e deixei o ar frio infiltrar-se em mim. Um cheiro metálico pairava no ambiente — ferro e algo mais, quase estéril.
Desta vez, quando forcei meus olhos a se abrirem, a visão foi se ajustando aos poucos. O teto era feito de aço reforçado, com pequenos tubos de ventilação. As paredes ao meu redor eram lisas, escuras, com luzes azuladas embutidas no rodapé, criando uma atmosfera fria e hostil.
Não era um porão qualquer. Era um bunker. Um covil.
Meus dedos se arrastaram pelo chão firme, tentando me impulsionar para cima. Quando finalmente consegui me erguer até os cotovelos, meus olhos captaram o resto do cenário.
Armas. Muitas armas. Fuzis e facas enfileirados em suportes na parede, pistolas organizadas meticulosamente em bancadas de aço inoxidável. Caixas de munição empilhadas como se fossem meros suprimentos de cozinha. E dinheiro. Dinheiro em pilhas mais altas que eu, atrás dos vidros embutidos nas paredes, como mercadorias em uma vitrine.
Depois, vi as celas. Gradeadas, reforçadas.
Vazias... todas, exceto uma.
Minha garganta se apertou quando meus olhos pousaram em Zayn. Ele estava encostado contra a parede da cela, as mãos para a frente. Sua cabeça estava baixa, mas quando me mexi, ele ergueu os olhos lentamente. Um corte fino sangrava em sua têmpora, mas ele parecia consciente.
— Abella? — sua voz soou rouca, como se já estivesse acordado há um tempo.
Engoli em seco, sentindo meu coração martelar no peito. Minha mente ainda estava nublada, mas uma coisa era clara: estávamos presos. E quanto mais eu olhava ao meu redor, menos enxergava uma saída.
A voz de Zayn chamou a atenção dos guardas. Dois brutamontes, um diante da minha cela e outro da dele, giraram os corpos feito engrenagens bem treinadas, armas erguidas em um reflexo automático. Como se ainda pudéssemos ser uma ameaça, mesmo encurralados.
Minha boca estava seca como papel queimado. Engolir era doloroso, falar parecia impossível. Mas soltei um grunhido irritado e, com esforço, um palavrão rasgou minha garganta.
— Aí está. — a voz despertou memórias antes bloqueadas, familiar o suficiente para revirar meu estômago — O espírito selvagem que tanto admiro.
Atrás de um dos capangas — quase tão grande e intimidador quanto Castro — ele emergiu, um fantasma do passado vestido em um terno impecável. O som ritmado de seus sapatos de couro contra o piso de concreto ecoava pelo porão como um prenúncio.