❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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É a última vez que tento fugir.
É a última vez que tenho esperança.
É a última vez que nado contra a corrente.
É o último soco. — Pensei isso no momento em que Castro se afastou e me deixou ver Eron sentado na cadeira da cozinha, assistindo enquanto eu era espancada.
Goyola nunca me tocou. Eu nem sabia qual seria a sensação de ter seus dedos em mim, e tinha certeza que eu morreria instantaneamente se isso acontecesse. Ele apenas gostava de sentar e observar.
Eron não deixava seus homens me corrigirem ou me punirem sem ele estar por perto. Talvez porque queria ter certeza de que não cruzariam a linha e me matariam de uma vez — porque queriam isso.
E enquanto eu chorava, o português nem piscava. O pior de tudo era que eu acreditava que ele gostava de me ver quebrar, mas não porque me odiava. Goyola me manteve viva o tempo todo, embora não precisasse mais de mim. Ele me deu um apartamento, um emprego e uma vida de merda, mas ainda era uma vida. Eron só gostava de assistir porque, quando me via levando chutes e socos, não era eu na frente dele. O que ele via era Zayn Malik apanhando e então ele podia sentir que pelo menos uma fração do chefe dos Young Folks estava sofrendo.
Eu só não sabia se isso era um sinal de que o plano de Eron havia dado errado e ele estava descontando a frustração em mim. Também não sabia se deveria ficar feliz com isso, porque se tudo o que fiz foi em vão, por que eu ainda estava sofrendo? E se tudo o que fiz foi em vão, meus amigos provavelmente estavam mortos enquanto Castro me batia por tentar encontrá-los.
— Pensei que depois de quase dois anos você aprenderia.
Tive vontade de vomitar, mas não devido aos meus machucados. Era a sua voz.
Eron disse isso, mas sabia que a incidência de minhas tentativas de fuga havia diminuído muito nos últimos meses. Eu estava ficando cansada, estava me partindo ao meio.
É difícil acreditar haver luz no fim do túnel depois de um tempo. Após aprender que toda vez que você se aproxima dela é, na verdade, luz refletindo nos anéis de Eron. E que os dedos dele adornados com joias te apertam cada vez mais.
— Acabe logo com isso. — grunhi.
Meu estômago doía e abracei meu corpo como se isso fosse ajudar.
Eu não me importava com a dor, para ser honesta. Estava acostumada com ela agora. Eu só queria que eles fossem embora e eu pudesse dormir ali mesmo, no chão. Porque quando estava dormindo, eu ficava sozinha em minha mente e podia ir aonde quisesse. Eu podia voltar para São Francisco.
— Você sabe que não gosto muito de interferir na sua vida, mas...
— Então você pode tirar as câmeras e microfones da minha casa e do meu carro.