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Algo que aprendi desde que comecei com toda essa coisa de gângster foi calcular riscos

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Algo que aprendi desde que comecei com toda essa coisa de gângster foi calcular riscos. Um passo em falso e poderia ser o meu fim. Era impossível ser exatamente cuidadosa, mas se eu cortasse o fio errado, a bomba poderia explodir em minhas mãos.

Eu precisava medir meticulosamente minhas atitudes e ações, resistir aos meus impulsos.

E essa foi a única razão pela qual decidi não enfiar aquele salto alto na garganta de Kevin. Pois eu sabia o que Mogilevich faria comigo se eu não me controlasse.

— Para de fazer careta a cada peça de roupa que visto. — resmunguei enquanto colocava os saltos no meu pé — Ive deve ter vergonha de ter um irmão com um senso de moda tão básico, por isso te esconde.

— Você está parecendo uma cafetina. — Kevin rebateu.

— É a intenção! — gritei de volta.

Kevin tinha o direito de opinar na minha escolha de roupas, afinal foi ele quem me emprestou o dinheiro. Esse direito, porém, era muito frágil, pois em cada loja de roupas e salão de beleza que passamos durante nossas compras, ele usou um cartão falsificado diferente.

— A peruca não é um pouco demais?

— A peruca é a peça chave.

— Se você for sequestrada e eu não conseguir te encontrar por causa disso, da próxima vez vou implantar um chip em você.

Esse era outro pequeno direito dele. Kevin foi quem desenvolveu o software de reconstrução e reconhecimento facial, mas ele ainda não era infalível.

O software era recente e tinha alguns bugs. A prova disso é que tivemos a certeza de que criamos o rosto idêntico de Castro quase 10 vezes, mas não conseguimos a combinação perfeita em nenhuma delas. Era como se faltasse um detalhe, um formato diferente de sobrancelha, um nariz um pouco torto, para acharmos o safado. O rosto tinha que ser idêntico para ser encontrado.

A peruca loira, com os fios quase chegando à cintura, certamente mudava minhas feições. Sem mencionar a maquiagem preta esfumaçada nos olhos e o batom vermelho bordô. Apenas meu corpo permanecia o mesmo, as curvas inconfundíveis sendo realçadas pelo tecido metálico do vestido curto e justo.

Mas eu não seria sequestrada. Bem... eu esperava que não. De novo não.

Eu estava posando em frente ao espelho, analisando meu visual, quando vi o flash disparar do outro lado do vidro. Quando me virei, Kevin estava tirando fotos minhas.

— Por garantia.

— Envie as fotos para Jake. Ele vai adorar. — pisquei para o irmão de Mogilevich e abri as cortinas do provador.

Havia poucas mulheres na loja, escolhendo suas roupas de grife e bebendo champanhe em taças de cristal. Qualquer uma lá poderia ser famosa, afinal estávamos em Los Angeles. As vendedoras riam de tudo o que diziam e corriam atrás delas recomendando bolsas e sapatos que provavelmente valiam o suficiente para os Young Folks investirem em armamento para iniciar nossa operação.

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