29| Isla San Blas

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Quando acordei, estava deitada na nossa cama, com Zayn praticamente colado em mim

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Quando acordei, estava deitada na nossa cama, com Zayn praticamente colado em mim. Suas pernas estavam jogadas sobre as minhas, seus braços firmemente entrelaçados ao redor do meu pescoço, e eu mal conseguia me mexer.

A escuridão dominava o quarto e o loft estava mergulhado em um silêncio profundo, interrompido apenas pelo som da nossa respiração. Não sabia há quanto tempo estávamos dormindo, mas parecia uma eternidade. Meu corpo protestava contra qualquer tentativa de movimento, cada músculo parecia ter sido esfolado e deixado para se curar sozinho.

Até abrir os olhos doía. Pisquei algumas vezes, tentando me livrar da sensação de areia raspando minhas pálpebras, e demorei alguns minutos antes de conseguir soltar um grunhido arrastado. Zayn não reagiu. Seu sono era pesado, profundo, como eu não via há algum tempo.

Tentei falar, mas minha voz falhou. Respirar fundo foi um esforço dolorido e, no último impulso de força, tossi alto. Dessa vez, funcionou.

Zayn abriu os olhos num sobressalto, piscando algumas vezes ao se apoiar no cotovelo e olhar para mim, os traços marcados pela preocupação.

— Você está bem? — eles estava rouco, carregado de sono.

Assenti devagar, o que foi suficiente para fazê-lo soltar um longo suspiro e cair de costas no colchão outra vez.

— Há quanto tempo estamos dormindo? — minha voz saiu baixa e fraca.

— Não por tempo suficiente. — resmungou de volta, se espreguiçando com um gemido preguiçoso.

Meus olhos percorreram nossos corpos. Ainda estávamos cobertos de sangue seco, suor e sujeira, vestindo as mesmas roupas da noite anterior. Meu cabelo estava duro, os fios grudados uns nos outros, e minha pele coçava por baixo da crosta de poeira e sangue ressecado.

— Preciso de um banho. — suspirei, passando a mão pelo cabelo, sentindo a aspereza entre os dedos.

Zayn não hesitou. Mesmo visivelmente mais machucado do que eu, ele se levantou primeiro e me pegou no colo com facilidade, como se meu corpo não pesasse nada. O caminho até o banheiro foi curto e, quando ele me colocou de pé no chão frio, um arrepio percorreu minha espinha.

Ele abriu o chuveiro, regulou a temperatura da água e começou a tirar as próprias roupas antes de me ajudar com as minhas.

A primeira sensação da água quente batendo contra minha pele foi um choque — uma mistura de alívio e dor ao mesmo tempo. O sangue seco se desprendia em finas correntes avermelhadas, escorrendo pelos ladrilhos amarelos até desaparecer pelo ralo. O cheiro de suor, poeira e pólvora era lentamente substituído pelo aroma limpo do sabonete. Eu observava tudo, sentindo como o dia anterior começava a se dissolver em flashes confusos de barbárie, violência e sangue.

— Precisamos planejar. — quebrei o silêncio abafado pelo som do chuveiro — Temos o que precisamos para ir atrás do Eron. Não precisamos mais esperar.

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