❝Abella Del Corneto lambia o cano da arma da morte. Seu apelido poderia ser Sagacidade, Violência, Sensualidade ou Morte, se Ab do Malik já não ocupasse a função.❞
Abella cresceu em um ambiente de negligência parental, o que a obrigou a se tornar um...
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Do aeroporto até a casa do tio Mark era um trajeto de quase trinta minutos. Meu primo e eu seguimos em silêncio durante todo o percurso, exceto pelas vezes em que eu precisava discutir com ele para que dirigisse mais devagar. Só porque Cody dirigia um carro de corrida, não significava que precisava correr como se estivesse em uma competição.
Mandei um SMS para Vitória para avisar que já estava a caminho de casa. Sabia que ela havia pedido para que eu ligasse, mas eu não aguentaria ouvi-la chorando pelo telefone por diversos minutos. Nesse momento, pensei em tentar ligar para minha mãe e contar onde eu estava, porém desisti quando o loiro estacionou o carro na frente de uma casa cor salmão.
Cody abriu a porta para mim e quase me fez acreditar que ele poderia ser agradável. Essa ideia morreu quando colocou minhas bagagens no chão e voltou para o lugar do motorista, dando partida no automóvel.
— Vai me deixar aqui assim? — me queixei batendo no vidro.
— Eu falei que tenho outras coisas para fazer. É só entrar, a porta está aberta. Você não precisa que eu te leve para dentro no colo, né, bebê?
Não tive tempo de responder quando meu primo acelerou e saiu cantando pneu para efeitos dramáticos. Gritei um palavrão e pensei em jogar uma pedra no seu carro caro, mas em poucos segundos ele já estava sumindo pelo fim da avenida.
Passei a mão nos cabelos e peguei minhas malas. Voltei a encarar a casa cor salmão, torcendo para que fosse o lugar certo, afinal o imprestável não havia confirmado que meu tio morava ali.
A frente da casa tinha dois grandes portões brancos os quais aparentemente davam acesso à garagem. Ao lado havia um pequeno portão de ferro que acreditei ser a entrada da casa. Passando por ele, encontrei um corredor de pedra onde grandes vasos de planta trilhavam o caminho à porta principal. Abri a porta lentamente, com medo de dar de cara com uma família completamente desconhecida.
Adentrando a residência, me deparei com um enorme hall de entrada em formato hexagonal, com o chão em tacos de madeira. Não havia nenhum móvel além de um quadro pós-moderno pendurado na parede branca. Olhando para frente havia um pequeno degrau que dava em outro corredor no qual a única direção era a direita, levando até a sala.
A mobília era toda em tons de cinza contrastando com a sala de jantar ao lado, separada apenas por um portal, cujas cadeiras e mesa eram pretas. Quase não havia paredes na sala, ela era toda tomada por enormes janelas de vidro que exibiam a vista do mar. Provavelmente o vidro era muito espesso, pois eu sequer podia ouvir as ondas, como se a paisagem fosse somente um vídeo em alta resolução.
Hipnotizada com a visão, me assustei quando terminei de analisar o cômodo e vi um jovem jogado no sofá assistindo futebol americano na TV. Fiquei imóvel, tentando raciocinar o que fazer. Cogitei sair de fininho antes que ele me visse, contudo antes de terminar meu raciocínio ele se virou para mim e também se assustou com minha presença.
— Desculpa, acho que me perdi. — falei com pressa, andando de ré e gesticulando com as mãos — Devo ter entrado na casa errada.
— Espera aí! Abella?
Ao ouvir meu nome, parei de andar e falar. Novamente fiquei confusa, porque ou eu estava muito sem prática no inglês ou ele falava com um forte sotaque britânico. Tentei processar por que aquele rapaz me conheceria e só ficava mais confusa.
— Ab. — corrigi no piloto automático, por puro costume — Você conhece o meu tio?
O desconhecido franziu a testa imediatamente. Eu já não sabia mais como reagir. Observei seu cabelo curto e castanho bagunçado e reparei que sua roupa estava amarrotada como se ele tivesse acabado de sair da cama.
— Parece que o Mark se esqueceu de comentar algumas coisas com você... — ele coçou a nuca, embaraçado — Meu nome é Liam Payne. Eu moro com seu tio.
— Ele não mencionou que morava com alguém. — se aquele garoto não soubesse o meu nome, provavelmente eu já teria saído correndo dali. Aquilo ficava mais estranho a cada segundo.
— É... Então você vai estranhar mais ainda quando souber que nós somos, na verdade, cinco caras.
— Como é? — cheguei a me engasgar.
Por instinto, coloquei a mão no bolso de trás da calça para procurar meu celular e ligar para tio Mark.
Liam tentou explicar que ele e mais quatro garotos moravam com meu tio há três anos, após seus pais se mudarem da Califórnia. Eu não consegui memorizar os nomes que ele mencionou, era muita informação para assimilar.
Para ajudar a me deixar ainda mais pasma, um rapaz de cabelos descoloridos desceu a escada bocejando. Ele não se assustou comigo como o outro, veio andando calmamente até nós e se limitou a exibir um pequeno sorriso para mim por educação.
Alternei o olhar para Liam, esperando que ele nos apresentasse.
— Você deve ser a Ab. — o loiro se adiantou e me ofereceu um cumprimento. — Sou Niall Horan.
— Oi. — hesitei antes de pegar sua mão. Por que estrangeiros gostavam tanto disso?
— Prazer. — ele acenou com a cabeça e seguiu caminho até a pequena sala de jantar, onde entrou por uma porta e sumiu do meu campo de visão.
Voltei minha atenção para o de cabelos castanhos quando ele se ofereceu para pegar minhas malas. Naquele ponto eu já estava indo com o fluxo e o acompanhei quando ele disse que me levaria até o meu quarto.
Subimos os degraus até chegar ao segundo o andar, onde a primeira vista era um corredor infinito. Encarei a quantidade de portas que havia ali. O que era aquilo, um albergue? Meu tio havia desistido da área da saúde para seguir carreira no setor hoteleiro?
Liam me conduziu até o fim do corredor e parou na última porta. Disse que iria deixar eu me acomodar e que se precisasse de alguma coisa era só procurá-lo. Pensei comigo mesma que precisava de algumas explicações, mas resolvi ficar calada e agradecer por enquanto.
Levei as malas para dentro e corri o quarto com os olhos. Era extremamente espaçoso e a melhor parte, sem dúvidas, era a vista privilegiada para o mar e a Golden Gate Bridge, por mais que ela estivesse pequena e distante. Havia um cobre leito rosa com alguns ursos de pelúcia em cima da cama, o que dava um ar infantil para o ambiente. Sorri pensando que tio Mark tinha aquilo preparado desde os meus 15 anos.
Coloquei a bagagem em cima da cama, decidindo que iria arrumar as roupas no armário depois. Segui até o banheiro razoavelmente grande e quase arrepiei com a ideia de tomar um banho. Eu estava precisando.
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