34| o homem grisalho

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A coisa ficou feia entre Abella e sua amiga

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A coisa ficou feia entre Abella e sua amiga. Ela disse que esperaria no quarto até que Vitória ligasse para as duas conversarem, mas algum tempo depois, quando o pessoal e eu estávamos conversando na sala de estar esperando o resultado da conversa, a porta se abriu. A loira passou por ela feito uma tempestade perguntando onde estava Abella, chamando seu nome e não deixando nenhum de nós dizer nada até que a morena estivesse descendo as escadas.

A primeira coisa que Vitória fez foi agarrar a amiga pelos ombros e a chacoalhar enquanto gritava algo — apesar de eu não falar português, sabia que não eram palavras amistosas. Mesmo nós que estávamos acostumados com a violência nos levantamos do sofá em alerta, antes que Abella segurasse os pulsos da loira com força ao responder no mesmo tom.

As duas iniciaram uma discussão acalorada, levantando cada vez mais suas vozes e nos fazendo perguntar o quão alto um brasileiro poderia falar e brigar. Elas gesticulavam, Vitória apontou para nós, suas bochechas vermelhas, seu pescoço fino saltando as veias, e Abella abriu os braços, em seguida, passou o dedo pela cicatriz em sua testa, se esquivou de um tapa ou dois de sua amiga e então segurou seu rosto em suas mãos para refutar algum argumento mais veemente entre dentes cerrados.

— Será que devemos intervir? — Katrina sussurrou, vendo que as duas garotas estavam perto de começar a se bater.

Neguei com a cabeça. Ive também.

— Será que devemos apostar? — Jake sugeriu — Alguém apostaria na loira?

Norman segurou a mão de Braun antes que ele tirasse a carteira do bolso.

— Vocês acham que ela está dando uma bronca na Ab? — Lil perguntou interessado. Ele franzia as sobrancelhas como se isso fosse ajudá-lo a entender o que elas diziam.

— Elas são irmãs? — Kimberly também tinha suas dúvidas.

Não eram em sangue, apenas. Podíamos ver claramente, através da barreira do idioma, sua conexão quase de parentesco. Se Abella e Cody sempre pareciam estar controlando a vontade de se socarem no nariz, era pior entre elas. Tamanha intimidade e proximidade bastavam para que não houvesse freios na hora de apontar os erros uma da outra.

Nós sabíamos que Vitória estava repreendendo Abella por andar com criminosos armados que tentaram atirar em seu pai e coisa e tal — merecido — e que sua amiga tentava justificar e mostrar o seu lado da história. Eu sabia, também, que a agressividade e indignação nas palavras da loira traziam preocupação, cuidado e medo por trás. Gritei da mesma forma com Cody quando ele começou a dever para traficantes.

E tudo se comprovou rapidamente quando, no momento em que a adrenalina acabou, Vitória cuspiu todos os palavrões e Abella contou sua versão, as lágrimas começaram a fluir.

Assim que Abella e Vitória começaram a chorar, os Folks perderam o interesse na discussão. Eles estavam esperando o confronto físico e ver as duas aninhadas no chão, choramingando, se abraçando e se desculpando, não era divertido.

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