*a cia bbxs não existe aqui* "porque ás vezes, aquele abraço que você deu em alguém, pode ser o último."
Ou
"porque por mais que você não esteja mais aqui, eu continuo falando com você."
**ps: pode-se dizer que talvez, apenas talvez, essa daqui possa ser uma... "continuação" das oneshot's "Porque a vida continua." e "missing you."; mas é só talvez mesmo... mas na real talvez não seja de fato uma "continuação", e sim só... um fragmento 'perdido' por aí? enfim jsaasnajsn desculpem
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─ Se eu soubesse que aquele seria o nosso último abraço... – Daniel pausou por um momento, respirando fundo. – ... Com toda certeza, eu teria te abraçado por mais tempo e com mais força. – sussurrou com a voz chorosa para si mesmo enquanto novas lágrimas formavam-se e desciam por seus olhos, molhando seu rosto outra vez naquela madrugada fria e chuvosa.
Enrolado num cobertor quentinho, se encontrava sentado numa cadeira em frente a janela pouco aberta, observando os pingos de água caindo, não se importando quando, ás vezes, a brisa fria atingia seu rosto ou alguns pingos atingiam sua face, se misturando com as lágrimas já presentes nas bochechas geladas e molhadas.
Por Deus, só Daniel sabia o quanto aqueles últimos dias, semanas, meses estavam sendo terrivelmente difíceis para ele. Já havia lidado com algumas perdas, mas porra, parecia que essa doía mais do que todas as outras juntas; Parecia que era uma dor que não passaria nunca. Quando pensava que estava conseguindo lidar com tudo e seguir em frente... Uma lembrança, memória, música, foto, vídeo, filme, piada ou qualquer outra coisa o trazia para o fundo do poço novamente e o ciclo se repetia. Daniel estava exausto pra caralho. Tanto mentalmente, quanto fisicamente.
Não conseguindo respirar direito por conta do nariz tampado e entupido, assoou algumas vezes, jogando os papéis no cesto de lixo perto de si, agora respirando um pouco melhor. Respirou fundo e voltou a falar consigo mesmo.
─ Eu sei o que você deve estar pensando... Certeza que tá me xingando por que daqui a pouco vou pegar um resfriado, não é? – sorriu minimamente quando, assim que terminou, sentiu a brisa fria bater nas bochechas, fazendo-o tremer um pouquinho e se encolher mais no cobertor quente. – Desculpa, eu sei que vou ficar doente, mas fazer o quê? Ficar aqui olhando a escuridão lá fora, escutando a chuva, vendo ela cair... Isso me acalma um pouco e, de certa forma, me faz lembrar de você, que amava barulho de chuva. – sorriu pequeno novamente com as lembranças que lhe vieram a mente.
Sentia tanta, tanta falta de tudo.
─ Sinto falta de viajar com você, sabia? De parar nos postos no meio da estrada e deixar o nosso rim pra comprar um salgado e um refrigerante. – riu sem humor, soltando um arzinho pelo nariz. – Sinto falta das suas palhaçadas pra deixar o dia mais leve... – suspirou, fechando os olhos por um instante, rindo outra vez ao lembrar-se de uma das piadas velhas, repetidas e tecnicamente ruins que sempre era 'obrigado' a escutar. – Sério, as suas piadas... O cara chega na padaria e pergunta: "o pão já saiu?" e o padeiro responde que sim, já saiu... – prendeu um riso entre os lábios. – ... e o cara pergunta "que horas ele volta?" – Daniel sorriu um pouco maior e verdadeiro ao, na sua mente, escutar a gargalhada alta que tanto sentia falta e sempre ouvia num único vídeo que conseguiu gravar. Porém queria tanto, tanto escutá-la pessoalmente, ao vivo...
Ás vezes, a saudade era cruel até demais.
─ Eu ainda escuto as músicas que nós amávamos, até fiz uma playlist delas e outra com músicas que me lembram você, mas... – respirou fundo, voltando a observar as gotas de água caindo lá fora. – Mas elas soam diferentes agora que estamos separados. – sentiu o peito apertar e a vontade de chorar chegar novamente. Decidiu então ficar em silêncio por algum tempo, se permitindo acalmar ao som da chuva ficando bem mais fina agora, chegando a beirar o silêncio que, de uns tempos pra cá, passou a ser uma espécie de... sensação boa que levava Daniel para outro mundo.
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─ "... Cuidado com o destino, ele brinca com as pessoas... Tipo uma foto com sorriso inocente, mas a vida tinha um plano e separou a gente..." – sussurrou baixinho, lembrando-se de uma música meio antiga.
Daniel continuava na mesma posição: sentado na cadeira em frente a janela, enrolado no cobertor, sentindo o vento frio no rosto e agora, nas mãos também, que estavam descobertas segurando uma pequena polaroid de borda colorida.
─ Sabe, eu... – falava olhando para a fotografia que tinha entre os dedos. – Eu realmente espero que você possa ouvir todas essas palavras que eu nunca consegui dizer. – a voz embargada se fez presente outra vez naquela noite, ao que Daniel fechou os olhos – que já ardiam, assim como a cabeça doía, parecendo que explodiria a qualquer momento de tanta dor – com força, numa tentativa praticamente inútil de fazer com que lágrimas não saíssem dessa vez. – Me desculpa se eu não fui capaz de demonstrar o quanto eu te amava enquanto você ainda estava aqui. Por favor, me desculpa. – desabou, deixando pingar algumas gotas no papel que já tinha algumas marcas de outras vezes que havia derramado lágrimas ali.
─ Só me desculpa pelas coisas que eu tenho feito, por favor... – sussurrou entre suspiros e lágrimas escorrendo pelas bochechas, tão culpado. Daniel olhava os sorrisos bonitos, felizes e sinceros na foto e só desejava, de todo coração, ter aquilo de volta. – Eu só... Só não aguento mais e quero tanto, tanto ver você... – prendeu o ar, respirando fundo. "A vontade de te ver já é maior que tudo... E não existem distâncias no meu novo mundo." a parte de uma música ecoou dentro da sua mente, ficando por poucos segundos, logo saindo de seus pensamentos. – Não sei se você tá por aqui e nem se lê meus pensamentos... – a brisa fria lhe fez um carinho nos cabelos bagunçados, demonstrando que talvez tivesse alguém ali consigo. – Me desculpe por eles, eu tô tentando parar, mas... – respirou profundamente. – É difícil, bem difícil na verdade. Mas eu tô tentando e isso é bom, certo? – sorriu pequenininho ao, agora, sentir a brisa nas mãos, quase como se, literalmente, o vento segurasse suas mãos, fizesse um carinho ali na sua pele e dissesse vai ficar tudo bem. – Obrigado por me escutar e me acalmar. – fechou os olhos por alguns instantes, exausto depois de ficar acordado praticamente a noite toda, ao que o céu dava indícios do nascer do sol.
Cansado, bocejou, puxou um pouco as cortinas, – evitando que boa parte da claridade da manhã entrasse no quarto – levantou-se da cadeira com o cobertor enrolado em si, andando em direção a cama para tentar dormir e descansar por algumas bem poucas horas. No caminho, deixou a polaroid em cima da mesinha de cabeceira, ao lado do celular que desconectou do carregador.
Deitou o corpo acabado na cama e a cabeça exausta no travesseiro.
─ Sabe, eu ainda não tenho certeza se eu tô ficando doido ou se você realmente tá por aqui e me escuta... Mas saiba que eu ainda estou e vou continuar falando com você. – murmurou, fechando os olhos, só querendo ter um sonho bom naquele pouco tempo que teria para recarregar um pouco – ou ao menos tentar recarregar – suas energias para mais um dia.
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One Shots - Barbixas
FanficCada "capítulo" será uma história diferente. Algumas mais fofas, outras +18, outras mais sérias e assim vai. Terá MUITO DANIDIO; mas não será só isso. Provavelmente sairá uma oneshot por semana, toda sexta-feira ou todo domingo. ( não prometo nada )...
