Cada "capítulo" será uma história diferente. Algumas mais fofas, outras +18, outras mais sérias e assim vai. Terá MUITO DANIDIO; mas não será só isso.
Provavelmente sairá uma oneshot por semana, toda sexta-feira ou todo domingo. ( não prometo nada )...
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Pov Elídio
Hoje completo duas semanas que estou nesse quarto, no hospital. Tive uma intoxicação alimentar muito grave e precisei ser internado. Eu já me sinto bem, porém o médico quer me manter aqui por pelo menos um mês.
Todos os dias insistia para ele me dar alta, mas foram todas tentativas em vão. O jeito é aguentar esse lugar por mais duas semanas. Pelo menos o quarto não é dos piores. Ele é pequeno, tem uma janela razoavelmente grande, um pequeno banheiro e uma televisão na parede. Fico praticamente o dia todo deitado na cama, assistindo qualquer coisa na tv, e ás vezes pego uma cadeira e sento-me em frente a janela, observando a cidade.
Diria que a comida é a pior parte daqui, mas lembrei-me do palhaço que vem todas as quintas-feiras, sábados e domingos. Ele passa esses dias fazendo companhia para as crianças, alegrando-as e fazendo algumas brincadeiras com elas e os pais.
Eu detesto palhaços. Não vejo graça neles. São só pessoas com um nariz vermelho, uma maquiagem exagerada e roupas coloridas.
Uma coisa que não entendo é porque ele sempre passa no meu quarto, mesmo eu já deixando bem claro que não gosto dele desde a primeira vez que entrou aqui, que foi num sábado. Fui grosseiro, não abri um sorriso sequer, porém ele sempre passa aqui, me deixando irritado. Por que alguém iria querer ver um palhaço quando se está no hospital? Só as crianças mesmo.
Hoje é quinta-feira, portanto ele vai estar aqui. Preciso me preparar para a tortura que vai ser. Depois de horas, pois imagino que ele deve atender primeiro o andar das crianças e depois ficar um pouco com os pacientes adultos, vejo a porta do meu quarto sendo aberta. Olhei de relance, e era ele.
─ Boa tarde, Elídio! Como está hoje? - perguntou alegre, me estendendo a mão.
Olhei para sua mão esticada na minha frente, depois olhei para seu rosto que tinha um sorriso e voltei a olhar para a televisão.
─ Estava ótimo até você entrar. - respondi, seco.
Ele não falou nada por um tempo. Após uns minutos, virei meu rosto para vê-lo, e notei que estava segurando uma flor.
─ Eu já conheço esse truque. - falei, ironicamente.
─ Que truque? - perguntou, cheirando a flor. - Hm, essa flor é muito cheirosa, quer sentir seu perfume? - falou, se aproximando de mim.
─ Não sou idiota, sei que quando eu "cheirar", você vai espirrar água na minha cara. Então nem pense nisso. - falei, sério.
─ Tudo bem, se não quer sentir esse belíssimo aroma, não posso fazer nada. - deu de ombros. Levou a flor até seu nariz novamente; olhei para sua mão que estava dentro do bolso da sua roupa. Ele a cheirou, e no mesmo instante, levou um jato de água na cara. - Oh, você viu? É um flor mágica, ela espirra água! - exclamou, surpreso.
Olhei para ele de um jeito sério, sem esboçar nenhuma reação.
─ Gosta de balões? Sei fazer algumas coisas... Animais, espadas, chapéus... - falou, guardando a flor, pegando umas bexigas.