Floricultura.

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Pov Anderson

─ Já está na hora de fechar? – Elídio, meu amigo e sócio, perguntou.

Olhei para o relógio na parede, vendo que marcava 18:45h.

─ Não, ainda faltam 15 minutos. – respondi, enquanto regava algumas flores.

Nós temos um negócio só nosso: uma pequena floricultura. Hoje o dia não foi muito cheio, mas mesmo assim, tivemos bastantes clientes. Amo trabalhar com flores e pessoas. A maioria delas sempre nos procura para comprar um buquê, e assim surpreender seu amado ou amada.

Amo escutar a história de cada pessoa que nos procura. Esse é o nosso diferencial de nossos concorrentes: enquanto eles só se importam com o lucro, Elídio e eu realmente amamos esse trabalho. Amamos conversar, interagir e conhecer um pouquinho de cada cliente.

Bom, hoje é segunda-feira, e espero que nossa semana seja boa.

( ... )

Passados alguns minutos, eu já tinha terminado de regar as flores e estava atrás do balcão, conversando com Elídio. Ele me contava sobre uma série que estava assistindo, e queria que eu assistisse também. Bom, talvez um dia eu a veja, o ruim é que já sei tudo que vai acontecer em todos os episódios... Entretanto, é bem engraçado escutá-lo contar sobre os momentos de raiva, tristeza, medo e alegria que passou.

Elídio não parava de falar um segundo sequer, nem parecia que estava apressado para ir logo para casa. Olhei o relógio na parede, e o mesmo marcada exatas 18:55h. Como faltava somente 5 minutos para fecharmos, decidi interromper meu amigo, que falava sem parar, para arrumarmos as últimas coisas antes de irmos embora.

Contudo, quando ia interrompê-lo, escutei o barulho da porta sendo aberta, indicando que uma pessoa havia entrado. Olhei para o lugar, encontrando um homem um pouco alto, mais ou menos na altura de Elídio. O homem estava parado ali na porta, ofegante, como se tivesse corrido muito para chegar aqui. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, com alguns fios caídos sobre sua testa; Ele usava um terno preto, e logo deduzi que talvez fosse um advogado ou algo assim. Mas o que reparei mesmo era o quanto ele era bonito.

─ Ei moço, sinto muito, mas já estamos fechados. – Elídio disse, me fazendo voltar a realidade. Olhei para o homem, que tinha uma expressão completamente chateada em seu rosto.

─ Por favor, vocês são minha última esperança! – o homem praticamente implorou. Eu e Elídio nos entreolhamos; Em seguida, eu olhei no relógio, que marcava exatas 18:58h.

─ Ainda não estamos fechados, meu sócio errou. – falei, e Elídio apenas concordou, pois percebeu como o homem estava chateado. – Venha até aqui, vamos te atender com o maior prazer! – exclamei animado, vendo que agora o rapaz sorria enquanto caminhava na nossa direção. E que sorriso lindo.

Ele chegou no balcão, e olhava tudo ao redor, parecendo estar encantado. O rapaz elogiou nossa loja, dizendo ser a mais linda que já viu. Apenas agradeci, timidamente. Não sei o que aconteceu comigo, pois eu sempre falo bastante e parece que estou travado. Meu amigo, ao notar meu nervosismo que eu mesmo não sei o motivo, resolveu tomar o controle da situação.

─ Então, é... Eu sou Elídio, e este é meu amigo e sócio, Anderson. Mas pode nos chamar de Lico e Andy mesmo. – sorriu. – E você?

─ Ah, bom, eu sou Daniel. – o rapaz sorriu tímido, alternando o olhar entre nós dois. – Mas podem me chamar de Dani.

─ Então Dani, procurando alguma flor específica? Um presente? Por que estava tão desesperado? – Elídio perguntava. Esse é o nosso procedimento com todos que entram aqui. Gostamos de tratar nossos clientes com afeto, demonstrando que realmente nos importamos com eles. – Nos conte sua história e porque quer comprar flores! – Elídio finalizou, com a voz animada.

One Shots - BarbixasOnde histórias criam vida. Descubra agora