*Nota: essa vai pra quem gosta de um leve sofrimento...
Pov Daniel
Há exatamente 1 ano Elídio Sanna se casou; e não foi comigo.
Oh, que noite foi aquela. Eu me lembro de cada parte, cada detalhe. Elídio estava tão lindo, tão radiante. Seu sorriso não abandonava seu rosto em nenhum momento. Ele estava transbordando de felicidade, com um toque de nervosismo que eu, como melhor amigo e padrinho, precisava acalmá-lo.
Céus, Elídio não ficava parado um segundo sequer, tão animado. Eu me senti mal por não estar tão feliz quanto ele, mas o que eu podia fazer? Eu estava prestes a perder o meu melhor amigo, o cara por quem sempre fui apaixonado e nunca tive coragem de me declarar.
Um dos momentos que nunca saiu da minha mente, que fica guardado num lugar para que eu nunca me esqueça dele é de quando Elídio me pediu ajuda para arrumar a gravata. De tanto puxá-la devido ao nervosismo, acabou deixando-a desarrumada e ele não conseguia fazer o nó novamente.
Eu respirei fundo e fui ajudá-lo, porém para meu desespero – e talvez certa felicidade –, nós ficamos muito mais próximos do que o necessário enquanto eu o arrumava para entregá-lo a outra pessoa. Elídio não parava de falar, sorrir, fazer gestos com as mãos. Seu sorriso era enorme, mostrando seus dentes tortinhos e suas ruguinhas ao redor dos olhos, coisas que eu particularmente sempre achei um charme, deixando-o ainda mais apaixonante.
Depois que terminei de ajeitar a gravata nele, Elídio segurou minhas mãos, deixando-me completamente nervoso com o toque suave e gostoso. Ainda com um sorriso no rosto, ele disse: "Que noite especial para mim... A melhor noite e o melhor dia da minha vida... Obrigado por fazer parte disso, Dani" Seus olhos brilhavam e eu, sem ter o que falar ou responder, apenas sorri, mesmo estando quebrado por dentro.
Quando eu lembro daquela noite... Oh, que noite...
Sabe, eu nem sabia o nome dela... Mas depois que soube, nunca mais fui o mesmo. Ela havia conquistado o coração do meu Elídio e assim que eu a conheci, entendi o que ela tinha de especial.
A primeira coisa que pensei quando a vi, alguns meses antes do casamento, foi "Oh, que mulher... maravilhosa" apenas olhando e conhecendo sua beleza externa. Mas depois, ao longo do jantar e da conversa que iniciamos, soube que ela era ainda mais bonita por dentro, em todos os sentidos. Ali, com todos os sorrisos que Elídio a sua noiva trocavam, eu soube que tinha o perdido, sem nunca ter tido ele antes.
No dia do casamento, eu não conseguia tirar meus olhos de Elídio. Ele estava tão nervoso, mas nunca parava de sorrir. Por um momento – na verdade durante todo o tempo –, eu desejei ser o motivo do sorriso tão lindo e radiante dele.
E quando finalmente a música tocou e a noiva começou a entrar pela igreja e caminhar em direção a Elídio, eu precisei desviar meus olhos dele ao notar que ele chorava, emocionado em como sua mulher estava tão linda. E eu me senti estranho, mas apenas disfarcei e enquanto a cerimônia seguia, fiquei perdido nos meus próprios pensamentos, sabendo que ás vezes eu sorria todo bobo lembrando-me de quando Elídio estava com o rosto tão próximo do meu.
A cerimônia terminou e eu nem percebi o tempo passar. Logo todos estavam na festa e eu estava sentado na mesma mesa que os recém casados, mais especificamente ao lado de Elídio. E céus, toda vez que ele me olhava com aquela droga de sorriso perfeito e radiante no rosto e com aqueles olhos tão vivos e brilhantes, me envolvendo e me hipnotizando, algo dentro de mim se iluminava, ao mesmo tempo que algo se quebrava quando sua esposa lhe chamava a atenção.
Mas eu não ficava chateado ou com raiva dela – talvez sim –, eu só ficava com ciúmes, afinal, ela era tudo que eu sonhei que seria. Ou melhor, ela tinha a única coisa que eu queria: o amor de Elídio. O amor romântico de Elídio. Ela era o amor de Elídio.
Algo que eu nunca seria.
E quando eu tive que fazer o discurso, eu senti algo como um raio caindo na minha cabeça e tomando conta do meu corpo. Céus, eu tinha travado e só consegui me restabelecer quando senti o toque macio e delicado dos dedos de Elídio nos meus disfarçadamente por debaixo da mesa. Eu olhei para ele no mesmo instante e ele sorriu, aquele sorriso que ao mesmo tempo acaba com as minhas estruturas e me dá forças. Eu respirei fundo, fiquei em pé e recitei o discurso, improvisando em algumas partes e nas entrelinhas, me declarava para Elídio.
Ao final, todos aplaudiram e algumas pessoas choravam, sendo Elídio uma dessas pessoas. Eu ainda estava em pé. Ele se levantou e me envolveu em seus braços acolhedores e gentis, num abraço quente e aconchegante. E antes de me soltar, sussurrou em meu ouvido: "eu também te amo", fazendo meu coração acelerar e meu fôlego sumir por um segundo.
Porém sem perder tempo, me restabeleci e continuei o discurso contando algumas das nossas histórias, aventuras e palhaçadas, fazendo todos rirem. Modéstia parte, eu arrasei no discurso; Mesmo estando cada vez mais quebrado por dentro. Oh, que noite.
Quando eles foram dançar para abrir a pista de dança, novamente eu me senti estranho quando eles entraram no salão. Elídio estava tão feliz e eu me sentia um lixo, um péssimo amigo, a pior pessoa do mundo por não conseguir ficar totalmente feliz por ele. Eu estava sendo egoísta, não?
Eu lembro que tudo acabou cedo demais, ao menos pra mim, que fui embora assim que a pista de dança estava oficialmente aberta e tocando músicas dançantes e animadas. Eu não aguentava mais ficar no meio de toda aquela felicidade.
Fui embora sem falar com ninguém. Apenas vesti meu sobretudo, já que naquela noite estava ventando bastante e deixei o salão, caminhando em passos lentos para fora. Oh, que noite.
E enquanto caminhava, lembrava-me da noite da despedida de solteiro de Elídio.
Ao final dela, ele estava completamente bêbado e eu não estava muito diferente dele. E como dois bêbados, nós não poderíamos ter deixado de fazer o que toda pessoa bêbada faz: alguma besteira.
Nós estávamos sozinhos, todos haviam ido embora. Não sei como aconteceu. Não sei como chegamos a fazer aquilo. Não me lembro quem avançou em quem. A única coisa que me lembro é de que, quando me dei conta, sentia os lábios macios de Elídio contra os meus. Foi somente um selinho demorado e delicado. Ao final dele, abri meus olhos e segundos depois, Elídio abriu os dele. Ele sorriu, e com nossas testas coladas, sussurrou: "eu amo você, Dani".
Segundos após a declaração, ele se afastou e vomitou no chão. Eu fiquei sóbrio na hora, pronto para cuidar dele.
E nós nunca comentamos sobre isso. Quer dizer, eu nunca comentei sobre isso, já que tenho certeza que Elídio não se lembra dessa noite ou mais especificamente, dessa parte da noite. Mas afinal, do que adiantaria comentar? Ele iria se casar dali alguns dias e eu não iria estragar tudo na sua vida.
Apenas guardei esse momento no meu coração.
Porém tem vezes que me pergunto... Eu deveria ter falado sobre isso com Elídio? Deveria ter contado que com aquele doce, inocente e bobo selinho, eu finalmente vi a luz? Parecia tão errado contar, mas agora parece tão certo. "Será que tudo teria sido diferente?" Essa é uma resposta que eu nunca vou ter.
Sempre que penso nisso, sempre que essas lembranças aparecem, sempre que essas dúvidas me atormentam, eu sinto como se um raio estivesse caindo na minha cabeça e tomando conta do meu corpo.
Oh, que noite.
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One Shots - Barbixas
FanficCada "capítulo" será uma história diferente. Algumas mais fofas, outras +18, outras mais sérias e assim vai. Terá MUITO DANIDIO; mas não será só isso. Provavelmente sairá uma oneshot por semana, toda sexta-feira ou todo domingo. ( não prometo nada )...
