*a cia bbxs não existe aqui* "porque ás vezes, dói seguir em frente."
**ps: pode-se dizer que talvez, apenas talvez, essa daqui possa ser uma... "continuação" da oneshot "Porque a vida continua."; mas é só talvez mesmo
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─ Eu sonhei com você quase todas as noites essa semana, sabia? – Daniel sussurrou para si mesmo enquanto olhava a fotografia que segurava. – Sabe, já faz algum tempo que você se foi, mas... – pausou por um momento, fechando os olhos com força, prendendo lágrimas teimosas que estavam formando-se, impedindo-as de sair, deixando-o com a visão embaçada e ardendo. – ... Mas eu simplesmente não consigo superar isso, entender isso. – abriu os olhos, encarando a imagem no papel preso entre os dedos, ao que os olhos ardiam ainda tentando prender inutilmente as gotas salgadas que, ao decorrer dos segundos, já escapavam sem controle, escorrendo por suas bochechas.
Sentado num tapete no chão de seu quarto, respirou fundo algumas vezes, aos poucos conseguindo controlar a respiração, porém as lágrimas saiam sem controle pelos olhos.
─ Não consigo entender que não vou mais ouvir a sua risada e nem ver o seu sorriso 'ao vivo'; que não vou escutar você contar aquelas piadas repetidas e horríveis que eu fingia não gostar apenas pra te irritar... – em meio ás lágrimas, esboçou um riso com a lembrança da feição meio irritada, meio chateada que o olhava quando fingia que as piadas não lhe afetavam. – ... Não vou mais sentir o seu abraço, não vou mais sentir o seu cheiro... Quer dizer, eu ainda uso o seu perfume favorito quando sinto muito a sua falta... – novamente, sorriu com os olhos úmidos e as bochechas molhadas. – ... Mas queria poder sentir o seu cheiro de verdade apenas mais uma vez. – sem querer, deixou com que uma lágrima pingasse no papel. – Não consigo entender que não posso mais olhar o seu sorriso tão bonito ao vivo e que, desde esses últimos tempos, o único jeito de ver o seu sorriso é caçando em fotos, já que você sempre odiou tirar fotos e sempre odiou o seu sorriso. – suspirou, respirando fundo, passando as costas das mãos nos olhos. – E o único jeito de escutar a sua risada é assistindo aquele único vídeo que consegui gravar, já que você nunca gostou de fotos, flash's, filmagens e tudo relacionado a tecnologias, não é mesmo? – sorriu pequeno e fracamente, olhando para a imagem em formato de polaroid na mão.
"Por que as pessoas dizem que 'com o tempo, tudo melhora, a saudade melhora, a dor melhora', sendo que parece que quanto mais o tempo passa, mais dói?" pensou, sentindo um aperto no peito, angustiado.
─ Por que não pude me despedir de você? – sussurrou entre soluços e lágrimas. – Por quê? – lamentou-se, ao que começava a ficar com uma leve dor de cabeça. – Sei que eu disse que ficaria bem nas últimas vezes que fui te visitar, mas... – puxou o ar com força, ao que as gotas salgadas desciam incansavelmente pelos olhos, escorrendo pelas bochechas já encharcadas. – ... Mas porra, tá sendo tão, tão difícil. – continuou chorando compulsivamente, ainda sentado no tapete.
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─ Como eu disse: eu sonhei com você quase todas as noites essa semana... – Daniel sussurrou para si mesmo pela segunda vez naquela madrugada, já com os sentimentos e emoções mais controlados. Ele continuava sentado no chão, em cima de um tapete felpudo branco. – Mas em todos eles, eu não consegui ver o seu rosto, nem escutar a sua voz, nem te tocar... Por que será? – questionou para a fotografia que ainda segurava, talvez esperando por alguma resposta. – Mas mesmo não vendo o seu rosto, nem dando o abraço que eu queria tanto dar, todas ás vezes que vi você, você parecia estar tão bem, tão... em paz, sabe? E isso me deixa muito, muito feliz, de verdade. – sorriu pequeno em meio aos olhos marejados, falando para a fotografia. – Porque sinto que, de alguma forma, você quer me mostrar que você tá bem e que eu devo ficar bem também, não é? – falava quase inaudível para si mesmo, sabendo que não escutaria nenhuma resposta de volta.
"Amanhã... Ou hoje, no caso... Preciso acordar cedo e onde eu tô? Isso mesmo, sentado no chão do quarto... quer dizer, tecnicamente no chão não, e sim no tapete, com as costas encostadas na cama, tendo a janela entreaberta só pra iluminar um pouco aqui, olhando pra essa fotografia enquanto choro praticamente a noite toda perdido em lembranças. Parabéns pra mim." pensou, soltando uma fraca risada, sabendo que, se alguém estivesse o observando, Daniel escutaria algumas coisas não muito agradáveis mas que, no final do dia, tudo ficaria bem.
─ Fazer o quê, né? Digo a mim mesmo que eu tô bem, tô me cuidando e tudo mais, mas na realidade, tenho passado muitas noites assim... – sorriu fraquinho, ainda mantendo os olhos na pequena polaroid. – Na real, desculpa a palavra que vou usar agora... – pediu antecipadamente, caso tivesse alguém ali consigo. – ... Mas eu tô bem fudido da cabeça mesmo. Aliás, quem não tá assim hoje em dia, né? – riu soprado, não se assustando quando, absolutamente do nada, uma brisa fria e forte entrou pela janela, tocando seus braços e bagunçando ainda mais seus cabelos. – Eu já pedi desculpas antes! – acusou no tom mais humorado que conseguiu. – Que inferno. Eu sinto tanto, tanto a sua falta. – murmurou, suspirando alto, levantando-se do chão, indo em direção a janela, ainda estando com a fotografia entre os dedos.
No silêncio da madrugada, não saberia dizer quantos mais minutos passaram-se enquanto observava os postes de luz na calçada junto com os poucos veículos que passavam por ali, quase se debruçando na janela e, perdido em meio a mais pensamentos, memórias e lembranças, sorriu pequeno quando, outra vez, sentiu a brisa fria e forte nos braços e no rosto, esfriando suas bochechas e bagunçando os cabelos novamente.
─ Tá me dizendo que eu deveria ir deitar e tentar dormir um pouco antes do sol nascer? – perguntou olhando para o céu, ao que outra vez, sentiu a brisa fria na pele, porém dessa vez, ela não estava forte. – Você ficaria feliz se eu fizesse isso? – sorriu um pouquinho maior quando sentiu a brisa fria tocar suas bochechas bem levemente, quase como se fizesse um carinho ali. – Certo, vou fazer isso. – exausto, deu as costas para o céu, andando em direção a cama, sentando-se e em seguida, deitando e colocando as costas cansadas no colchão macio.
Deixou a foto em cima da mesinha de cabeceira, perto do celular que tocaria o alarme em pouco tempo.
─ Será que essa noite vou sonhar com você de novo? – questionou baixinho, sorrindo ao sentir novamente aquele carinho reconfortante na pele feito através do leve vento, como um leve sopro carinhoso. – Certo, acho que entendi... Boa noite. – desejou já de olhos fechados, adormecendo poucos minutos depois.
E bem, talvez Daniel tivesse uma pequena surpresa no sonho dessa vez.
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One Shots - Barbixas
FanfictionCada "capítulo" será uma história diferente. Algumas mais fofas, outras +18, outras mais sérias e assim vai. Terá MUITO DANIDIO; mas não será só isso. Provavelmente sairá uma oneshot por semana, toda sexta-feira ou todo domingo. ( não prometo nada )...
