Chega uma hora em que a gente quer seguir com passos firmes na vida, quer olhar pra frente e seguir pelos caminhos que valem a pena. Chega uma hora que a gente aprende a ter um olhar observador, que a gente vai se conhecendo um pouco melhor e sabe como não cair tão facilmente nas armadilhas dos medos, das culpas e do julgamento exacerbado do outro.
Chega uma hora em que a gente quer viver coisas de verdade, conviver com pessoas de verdade, entrar em aventuras para evoluir e não para se estrepar; a gente sabe que o tempo é curto, você sabe, não sabe? Sabemos que a vida é rara, que não dá para parar e prestar atenção em tudo, não dá para ouvir o que estão pensando e falando da gente e de verdade? Não vale a pena, não vale o esforço, eu entendi aqui que não dá para pegar no colo dores emocionais que já não me dizem respeito.
Tem uma hora que a gente decide não tentar consertar o que não tem mais jeito, que a gente já não quer discutir com pessoas que estão em caminhos tão diferentes, que a gente não acredita em gastar tanta energia para se explicar demais, ir além demais e no mar de possibilidades acabar tomando um caldo dos bons, porque por muito tempo eu permaneci nas profundezas de águas não tão cristalinas, de areias movediças, de cabeças quentes e olhares vazios de si.
A gente não quer mais se culpar por ter abandonado um pensamento velho, na verdade queremos construir outros, novos. O novo está sempre a porta e esse sim a gente precisa observar, com calma, carinhos e xícaras de café.
É um momento em que gente já não quer ser muleta, ouvido, colo... A gente quer ser troca; a gente não quer ceder energia, a gente quer reciprocidade. A gente não quer fazer por merecer, a gente quer ser a nossa verdade e sabe que para pessoas que valem a pena, isso basta, o que somos é suficiente e bom. E só o que queremos é sermos minimamente bons, e a gente é. Muitas vezes a gente desacredita disso mas basta um sorriso discreto e aconchegante que quer nos ouvir e bem, ficamos horas a fio contando o quanto não éramos bons e então a gente se surpreende porque existem pessoas que não se importam com que passou, que querem estar no seu hoje, presentes, ouvintes e isso desmonta toda a estrutura de culpa que a gente constrói em volta da gente mesmo.
Hoje eu só quero que o meu coração saiba se respeitar em sua amplitude e necessidades.
Eu acredito que a gente tem que filtrar, abandonar, perdoar sim, mas não querer mais participar de danças que nos limitam, irritam, fragilizam.
Pra mim, hoje, liberdade mesmo é isso: seguir minha vida e ser dona do meu próprio umbigo. E o que vale a pena vem junto comigo. vem não para viver um futuro de mares profundos mas vem porque quer a minha companhia, porque aprecia meus devaneios e carinhos na orelha, vem porque quer, sabe do meu pacote, sabe o que carrego e mesmo assim escolhe ficar, porque ficar é a escolha mais bonita que alguém pode fazer por nós, especialmente quando queremos que fique.
um sincero, bonito e cheio de afeto: obrigada.
você me inspira a decorar strokes, a reviver meu eu mais intrínseco do qual eu havia esquecido, obrigada por me dizer que eu mereço carinho, que eu sou rara, que eu posso querer ver o céu, agarrar o mundo e você vai estar aqui, ali ou acolá me vendo sorrir no mais alto dos céus porque sabe que eu preciso voar agora mas quando eu voltar, tem colo e mordida na bochecha me esperando.
22/03/2022
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Quimeras Abortadas
RandomDevaneios, ilusões, pseudo-conclusões, questionamentos. Sou o que escrevo.
