Está tudo bem, certo? Tudo bem em não saber o que fazer, em não saber para onde ir. Está tudo bem em permitir que a cabeça entre um pouco em "pane". São só as turbulência, se você já andou de avião, sabe que é normal. E logo tudo aterrissa em solo firme. E se não andou sabe que esse é o processo, ou dizem ser o processo, noite escura representa dia de sol, é mais ou menos assim
No meio da loucura a gente duvida, treme as pernas, pensa que não, pensa que sim, tenta ir, quer voltar e fica parada, quer tanta coisa e não lhe resta muito.No meio dessa coisa de não saber de nada, a gente se perde de si, dos outros e até dos futuros que estão vindo. E eu gostaria muito de dizer que há tempo para tudo isso, mas o tempo é só um amigo que nem sempre nos é fiel. E eu sempre usei o relógio no braço errado.
Essa turbulência pode ter nome. Está lá no dicionário, "cambalear, vacilar sobre as pernas". Estou quase assim porque nem eu sei definir qual estado estou. Eu e metade do mundo. Talvez mais do que a metade. Estou encarando aviões passando no céu e me perguntando o destino. Estou imaginando desenhos nas nuvens e perguntando a elas o segredo. Estou encarando paredes e pichando a mente. Estou escrevendo poemas e escondendo as rimas. Titubeando, estou perdendo o tempo. Estou perdendo para o tempo. Eu quero saber se vou; eu quero aprender a deixar ir. É que tem um tempo que a gente meio que para, né? De ver tanta graça nas coisas que antes pareciam tão cheias de encanto e poesia, mas eu sinto ao mesmo tempo que a gente não pode, não pode deixar parar, assim como os sonhos que se não os alimentamos, morrem, nós se paramos também morremos por dentro.
E aí dizem que somos jovens demais. Dizem que as profissões mudam, os amores mudam, as perspectivas mudam, os lugares mudam, as vozes, os cheiros, os sabores, os gostos. Dizem que tudo muda. E tudo bem. Está tudo certo em não entender mais nada sobre nada. Está tudo bem em querer ir embora sem saber onde chegar. Só deixe estar.
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Quimeras Abortadas
NezařaditelnéDevaneios, ilusões, pseudo-conclusões, questionamentos. Sou o que escrevo.
