Queria ter o prazer de te desconhecer, voltar no tempo e simplesmente desfazer o momento em que meu olhar cruzou com o seu, e estar dormindo, na minha cama, e olha que engraçado, ao pensar em minha cama, onde nesse instante estou deitada, me lembro quase sem querer que você já esteve até aqui, você deixou lembranças suas em todo canto, e onde não deixou, eu te materializo. Se gosto disso? Não, definitivamente não. Era pra gostar? gostar de lembrar de você seria martirio, masoquismo, sei lá qual palavra mais pode definir a auto destruição ou prazer pela dor. E, olha que eu gosto de um martirio, mas esse é muito cruel pra mim, embora eu ainda não tenha conseguido de fato expulsar você daqui. O que eu posso fazer, amor? penso que nada, somente aquilo que as pessoas chamam de esperar o tempo passar, sabendo que nesse espaço de tempo talvez eu vá lembrar cada dia mais ou não, sejamos otimistas, e de novo, ao pensar em otimismo me vem você, com aquele sorriso que alegrava meus dias, ao dizer "bom dia" e eu sempre sabia que seria mesmo um bom dia, apenas pelo fato de acordar ao seu lado. Você está aqui, está nas musicas, esta nas paredes do meu quarto, está nas minhas roupas e pior.. está na minha pele. Se eu vou encontrar alguém que vá ocupar todo esse lugar, eu não sei, o meu plano agora é ficar bem, mesmo querendo te criar como um holograma por aqui, eu não posso. Sei que as passagens, lembranças e memórias vão se esvair, virar farelo e voar pro vento levar tudo embora, talvez pro litoral. Quando chega a tardezinha assim, eu queria descansar, sabe? mas não descansar de cansaço fisico, descansar, respirar tranquilamente sabendo que tudo se encarregará de se ajeitar. Eu me destraio as vezes, consigo sorrir, fazer piada, dormir, comer, tenho minha vida normalmente, como todo e qualquer ser humano, mas as feridas, companheiras, não só as que você causou, mas todas as anteriormente causadas, incomodam sim, é como se você houvesse fechado os meus machucados e quando partiu, fez com que todos se abrissem e deixasse mais um, esse causado pela sua ausencia. Você não tem culpa por eu me sentir assim, claro que não, e sei que jamais se sentiria culpada, você não é dessas pessoas que carregam a dor dos outros, e possivelmente você está a sorrir por aí, com leveza, crendo que tudo está bem, e talvez esteja pra você, embora eu deva dizer que fico feliz pela sua felicidade ou leveza ou tranquilidade, depois de dizer que você me abriu feridas, estaria sendo hipócrita, e você sabe, meu bem.. Posso ser tudo, mas hipocrisia não faz parte do que carrego comigo, e dói sim imaginar que você muito provavelmente não se lembre de mim nem ao encostar sua cabeça no seu travesseiro, esse travesseiro que já dividimos por vezes. Olha como eu sou detalhista e auto destrutiva, lembro até mesmo dessas peculiaridades, e isso me faz pensar que você talvez sinta algo sim por mim, se de repente soubesse em que estado estou, sentiria pena. Mas, como você não sabe, e por mim jamais saberá, voltamos a tese de que você não sente nada mesmo. E, eu tenho que me acostumar com essa idéia, arrumar a bagunça que você deixou, desfazer, refazer, consertar minha asa quebrada e descansar. Descansar de você, desse relampago que você foi na minha vida, deixar a chuva vir e me preparar pra assistir o belo arco íris depois disso tudo. E mesmo que eu vá pisar em poças d' agua posteriomente, eu vou saber exatamente o que fazer, por que meu bem, o sol também brilhará pra mim, ele brilha pra todos, não é? secará poças, lagrimas e iluminará meu sorriso, como você escreveu naquela cartinha, do meu sorriso iluminado. Ele voltará a ser assim, depois de você. Sinto muito por mim. Sinto muito.
"Não vou me deixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais, podem até maltratar meu coração que meu espirito ninguém vai conseguir quebrar..." Um dia perfeito - Legião urbana
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Quimeras Abortadas
De TodoDevaneios, ilusões, pseudo-conclusões, questionamentos. Sou o que escrevo.
