Londres, Inglaterra.
Mariana Sharma.
Estava sentada na mesa desenhando alguns modelos de interiores quando meu celular tocou, peguei o mesmo e sorri.
Chamada - Christopher.
- Olá, querida. C.H
- Olá, amor. M.S
- Então, como foi o primeiro dia? C.H
- Foi incrível, Chris. Tudo lá é melhor do que eu imaginei. M.S
- Há, que bom. C.H
- Sim. M.S
- Fez algum amigo? C.H
- Sim. Eles se chamam Dakota e Jhonatan. M.S
- Pelo visto está se adaptando.. C.H
- Sim. M.S
- O que está fazendo acordada uma hora dessas? C.H
- Trabalhando e você? M.S
- Também. Bom, não vou te atrapalhar. Boa noite, eu amo você. C.H
- Boa noite, Chris. Eu amo você. M.S
Chamada encerrada.
Honestamente, minhas conversas com o Chris sobre minha vinda cá estava me deixando mal. Eu o amava, mas não suportava o fato de que ele estava infeliz com minha mudança. Coloquei meu celular de volta em cima da mesa, não iria permitir que isso me deixasse abalada, bebi um gole do vinho e voltei para meus desenhos. Fiquei até mais tarde trabalhando e só parei quando ouvi um tombo ao lado, não demorei muito para me levantar do meu lugar, pois logo o mesmo som foi repetido e soube que alguma coisa estava muito errada.
Peguei meu robe e sair do apartamento, o corredor estava completamente escuro e não tinha sinal de nenhum morador procurando se informar do tal barulho e foi aí que me perguntei se havia mais algum morador aqui ou se eles apenas estavam acostumados com isso.
Bati duas vezes seguidas na porta, mas não tive nenhuma resposta ou nenhum sinal de que ela seria aberta então por um acaso deslizei minha mão pela maçaneta da porta e virei, foi quando a mesma foi aberta e com um certo cuidado eu entrei. O lugar estava uma bagunça completa e tinha vários cacos de vidro espalhados ao redor dos móveis. Em cima da mesa americana tinha duas ou três garrafas de cerveja e do lado seu celular, procurei ao redor, mas ele não estava em lugar nenhum, supus que tinha ido para o quarto. Não vou mentir, eu não pude não notar como era bonita a decoração da sua casa, uma mistura de rustico e moderno, era incrível. Estava observando cada detalhe quando ele surgiu diante da porta do quarto, ainda usava a mesma roupa molhada de algum tempo atrás e o seu semblante estava péssimo, o cabelo bagunçado e os seus olhos vermelhos.
_ Vá embora._ disse, rouco.
_ Não, não em quanto você estiver fazendo todo esse barulho._ respondi
Ele se aproximou de mim e pude sentir um cheiro forte de bebida, não acredito que ele estava bêbado uma hora dessas.
_ Por favor, saia agora._ falou mais uma vez.
_ Eu disse que não. Não até você parar de ficar bebendo e me incomodando tanto._ respondi.
Eu realmente estava irritada, desde que me mudei ele tem implicado e sido um péssimo vizinho. Tem tirado meu sossego e me deixando maluca com todo esse barulho, será que ele não podia viver em silêncio como uma pessoa normal? Será que ele não podia seguir as regras? Será que é tão difícil para ele ser um homem organizado e responsável?
Estava tendo meu surto psicológico quando ele se aproximou e teve uma reação que eu não iria imaginar de jeito nenhum. Seus olhos ficaram marejados e o vi fechar suas mãos em punhos e seu peito subir e descer mais rápido.
_ Será que você só pensa em você? Será que você não percebe que não é só você que tem problemas?_ sua voz falhou no final.
Eu não gostava nem um pouco dele, mas ao notar uma lágrima escorrer pelo seu rosto, meu peito se apertou e talvez ele não estivesse bêbado e tudo aquilo fosse apenas dor. Uma dor absurda ou talvez ódio. Acredito que um pouco dos dois.
_ O que aconteceu?_ perguntei e seu olhar fixou em mim.
_ Nada._ respondeu distante.
_ Eu sei que aconteceu alguma coisa, você é insuportável, mas não assim._ respondi.
Ele permaneceu em silêncio e eu soube que ele não falaria. Tudo bem. Ele não me conhece e não sou sua amiga para que dívida as coisas comigo. Mas, eu também não poderia sair e fingir que estava tudo bem, não quando ele não tinha se dado o trabalho de tirar as roupas molhadas.
_ Você precisa tirar essas roupas._ falei.
_ O que?_ perguntou confuso.
_ Suas roupas. Elas ainda estão molhadas._ respondi meio desconfortável.
Ele olhou para si mesmo, mas ainda assim não pareceu se importar e eu tive que me segurar para não reclamar por ele ser um idiota e não cuidar da própria saúde. Com esse tempo ele poderia muito bem pegar algum resfriado, se é que já não tinha pegado pelo tempo.
_ Anda. Vá se trocar e eu farei um chá para você._ ordenei.
_ Não precisa._ respondeu.
_ Vá. Agora._ disse irritada.
Ele pareceu não ter gostado nenhum pouco do meu tom, mas seguiu para o quarto e ficou um tempo por lá. Em quanto isso, preparei o chá, pois ele precisava ingerir algo que ajudasse evitar uma gripe e também para aliviar a tensão dos músculos. Depois que ficou pronto, ele não deu nenhum sinal de que havia terminado então eu aproveitei e limpei toda a bagunça da sala. Não conseguiria sair e deixar tudo naquele estado, nós poderíamos não nos dar bem, mas eu ainda era uma boa pessoa e jamais daria as costas para alguém em horas assim, mesmo que fosse esse idiota.
Assim que terminei de limpar, ele não tinha voltado então peguei o chá e uma pequena xícara e as coloquei em cima de uma bandeja qualquer e segui para o quarto dele. Não entrei logo de cara, pois não queria encontra-lo pelado dentro daquele quarto. Bati duas vezes na porta e quando não obtive resposta abri a mesma.
_ Estou entrando._ avisei.
Ele não respondeu. Estava sentado na cama, só que dessa vez estava com uma calça de dormir cinza e com uma camisa preta. Respirei fundo para tomar coragem e me aproximei dele. Senti seus olhos me encontrarem e ao analisá-lo, notei uma leve melhora no seu físico, porém só no físico, pois através do seu olhar sabia que o que quer que tenha acontecido, ainda tinha um grande efeito sobre ele. Coloquei a bandeja em cima da cama e o encarei.
_ É chá. Beba._ disse tentando parecer firme.
_ Não gosto de chá._ respondeu.
_ Não me lembro de ter perguntado se gostava, apenas mandei beber._ respondi.
_ Porque você está aqui?_ perguntou.
_ Eu não sou uma pessoa ruim, não tanto. E você me ajudou com o chuveiro frio, então fiquei devendo uma._ respondi.
Ele ficou em silêncio e minutos depois colocou o chá na xícara e o levou até a boca. Assim que ingeriu o líquido, sua expressão era de alguém que tinha queimado a língua e não pude conter uma risada diante daquela visão. Ele me olhou feio. Não me importei.
_ você é cruel._ comentou.
_ com você, eu tento._ respondi.
Ficamos em silêncio depois disso e eu soube que precisava saber o que tinha acontecido com ele naquela noite, então com cuidado sentei ao seu lado na cama e senti o mesmo ficar um pouco mais tenso do que já estava.
_ O que houve?_ perguntou baixinho.
Por um momento, eu acreditei que ele também não iria comentar nada, mas apenas escutei quando ele respondeu.
_ Recebi uma ligação do hospital. A paciente que tinha sido operada momentos antes de eu chegar em casa não resistiu. Morreu._ disse.
Suas palavras estavam carregadas de dor e de algo que eu não sabia descrever o que era. Mas, ao pensar naquela situação, senti meu peito apertar e por um momento eu fiquei mal por ele. Não deve ser fácil receber uma notícia dessas...
_ Eu sinto muito._ respondi sendo sincera.
_ eu também._ foi tudo que disse.
Sem pensar, levei uma de minhas mãos até o seu joelho e a pressionei sobre o mesmo. Fiz uns movimentos gentis e em seguida senti que seu olhar estava fixo em mim. Então foi como se eu tivesse tido noção do que eu tinha acabado de fazer, o soltei como se tivesse tomado um curto choque. Minha bochechas ardiam e eu sabia que estava na hora de ir. Me levantei mais rápido do que planejei e disse.
_ Preciso ir._ falei e voltei para casa.
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Meu querido vizinho
RomanceMudar geralmente é uma decisão muito difícil, principalmente quando o futuro parece tão incerto. Muitas pessoas estão acomodadas e acostumadas com a rotina que levam que tem medo do novo, medo de que alguma mude e estrague a vida "perfeita" que se e...
