Londres, Inglaterra.
Sebastian Sharpe.
Os dias estavam passando muito depressa e eu estava muito irritadinho ultimamente, amava o meu trabalho, mas até lá eu não conseguia me manter concentrado. Também não tinha saído muito com meus amigos, meu senso de humor estava incontrolável e tudo isso porque eu não conseguia parar de pensar nela. Estou ficando louco. Pensava nela todos os dias, em todos os momentos e saber que a mesma morava aqui ao lado e eu não podia falar com ela... Péssimo.
Me esbarrei com ela duas vezes no elevador e a mesma não me disse nada além de uma droga de um, bom dia. Bom dia para quem? Não falei nada de volta. Imaturo? Com certeza. Mas, foi a dona espertinha que desejou que fosse assim. Acredito que ela tenha ficado irritada comigo, já que ao sair do elevador ela estava com uma expressão muito, muito feia. Não me importei. Depois disso parece que ela se esforçou em não sair de casa, somente no horário do trabalho e, ainda assim, tentou muito sair antes de mim. E eu sei disso porque sempre ouvia a porta sendo fechada às 07:00AM em ponto. Ótimo. Não dou a mínima. Meus dias tinham sido péssimos e eu realmente acreditei que não tinha como piorar até essa manhã, quando recebi uma ligação do meu pai. Minha mãe e ele marcaram um jantar e queriam muito que eu fosse. Estou mal desde aquele momento. E não, eu amo meus pais e eu não tenho nada contra eles, mas desde aquele maldito acidente, não consigo ficar perto deles sem acreditar que ambos me odeiam pelo que aconteceu com Sophie, sinto que toda vez que ambos me olham, tentam se convencer que eu não tenho culpa para que possam ficar bem ao estarem comigo. Não quero passar por isso. Eu não quero sentir essas coisas, seria muito fácil dizer que não iria, mas faz meses que não vejo eles e eu tenho saudades deles, muitas até.
Passei minha tarde toda pensando nisso e quis muito poder dividir isso com a Mariana, saber o que ela faria em minha situação e poder sentir o conforto do abraço dela quando eu fosse um tanto teimoso e ela me envolvesse nos braços. Estou perdido. No fim, decidi que eu iria. Sou um homem feito e não posso ficar fugindo de meus pais para sempre.
Tomei um banho quente e em seguida coloquei minha calça jeans escura e uma camisa grafite, calcei meu sapato, coloquei uns acessórios, vesti uma jaqueta e pus um cachecol por conta do frio. Peguei minhas chaves e em seguida me vi saindo de casa e não me contive, virei para a porta ao lado e desejei que ela estivesse saindo e tendo que dividir o elevador comigo. Dessa vez eu iria responder a droga do, boa noite. Porém, ela não saiu. Respirei fundo e então segui meu caminho.
*
Restaurante estava cheio de pessoas da alta e mais fina sociedade, sempre soube me comportar nesses ambientes por conta dos encontros de negócios do meu pai, mas nunca gostei deles. Às pessoas eram sempre antipáticas e apesar de acreditarem que eram, não eram educadas, nem mesmo gentis. Sempre odiei a maneira que se referiam aos garçons, como se fossem gerados para servirem os outros e não como pessoas.
Esse pensamento quase me fez voltar para meu carro e conduzir para casa, se eu não tivesse os visto em uma mesa um tanto no canto do lugar e se o sorriso da minha mãe não me aquece-se por dentro. Respirei fundo e me aproximei. Ela se levantou e praticamente se lançou em meus braços e pude sentir seu perfume doce invadir meus sentidos.
_ Olá, mãe. _ cumprimentei.
Ela me soltou apenas para me avaliar de modo geral e então seu sorriso ficou ainda maior.
_ Há, Barsh. Como você está crescido. _ disse com uma voz doce.
Apenas sorri fraco e nos sentamos. Toda minha atenção estava em meu pai, que me encarava com uma certa curiosidade.
_ Olá, pai. _ cumprimentei quando não estava aguentando mais aquela análise.
_ Quanto tempo, não? _ respondeu de volta.
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Meu querido vizinho
RomanceMudar geralmente é uma decisão muito difícil, principalmente quando o futuro parece tão incerto. Muitas pessoas estão acomodadas e acostumadas com a rotina que levam que tem medo do novo, medo de que alguma mude e estrague a vida "perfeita" que se e...
