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Capítulo 34

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Londres, Inglaterra.
Sebastian Sharpe.

Não estava em meus planos beijá-la. Sabia que não era certo, mas ao vê-la ficar comigo depois de tudo que eu disse, não resisti. Mari não me olhou com medo ou julgamento e nem com ódio, ela me consolou de forma que nunca havia sido consolado. Eu quis beijá-la. Quis porque jamais tinham ficado. Eles iam embora quando eu falava que queria ficar sozinho, quando eu só queria que ficassem, sei que não era fácil ficar do lado de alguém que berrava que queria ficar só, mas não era isso que acontecia. Eu estava cansado de ficar sozinho com o que me atormentava dia e noite, cansado de sentir essas coisas, mas não tinha como me livrar de tudo isso. Era meu fardo para carregar. Tinha falado todas aquelas coisas a ela, coisas de que me arrependia totalmente e ainda assim ela não fugiu. Então sim, eu a beijei. Sei que isso traria problemas depois para mim e para ela e sei que foi egoísta da minha parte, mas eu não consegui evitar. Assim que juntei os nossos lábios, achei que ela iria se afastar ou me bater, mas não o fez. Então intensifiquei mais o beijo. Seus lábios eram macios e delicados e tinham gosto de cereja, era muito bom. Pressionei com um pouco de força contra seus lábios e ela mordeu de leve meu, eu precisava admitir que jamais tinha sentido isso. Era como se eletricidade corresse em minhas veias. Como se eu tivesse finalmente acordado depois de muito tempo. Era assustadoramente contagioso o gosto dos seus beijos. Coloquei as minhas mãos em seu rosto e fiz carinho com o polegar. Ela parecia querer interromper o beijo, mas não conseguia, porque também parecia o desejar tanto quanto eu. Mariana levou suas mãos para meu cabelo e puxou de leve, não contive um arfar contra seus lábios. Eu não tinha notado que estava de baby Doll até colocar as minhas mãos contra o tecido de seda. Porra. O que eu estava fazendo? Ela tinha o namorado e eu tinha Dakota. Não era certo. Então por que não consigo me afastar dela?
Apertei sua cintura com um pouco de força e foi a vez dela de grunhir contra os meus lábios. Eu jamais tinha ouvido um som tão sexy em toda a minha vida. Me inclinei um pouco mais para ela e a mesma não recuou, alguma coisa estava muito errada aqui. Era uma mistura de irracional e racional e eu já não sabia mais o que fazer, apenas que necessitava desse beijo, mas sabia que ela iria se arrepender depois. Inferno. Nos separei, ficamos em silêncio por bastante tempo, o choque tomando nossas feições. O que eu fiz? Mariana parecia confusa e preocupada, mas fez um esforço para parecer calma quando disse.

_ o que aconteceu? _ sussurrou.

_ não sei. _ foi tudo que consegui dizer.

Silêncio novamente entre nós.

_ deveria ir embora. _ disse ela.

_ sim, deveria. _ respondi.

_ então por que é que eu ainda estou aqui? _ perguntou ela, baixinho.

_ não sei. _ não conseguia pensar em mais nada.

_ você está bem? Digo, com tudo que me falou. _  perguntou.

Sinceramente eu não sabia como me sentia em dizer aquilo tudo em voz alta depois de muito tempo, estava assustado por ter dividido isso com ela, mas também aliviado por ter feito. Não sabia. Não sabia.

_ ficarei. _ foi tudo que respondi.

_ tudo bem. Tenho que ir. _ disse enquanto se levantava.

_ tá. _ sussurrei.

Observei enquanto ela saia, seu cabelo preto escorria por sua pele macia e cheirosa e a cor do seu baby Doll de seda lhe caia bem. Merda, por que essa garota tinha que ser assim? Eu sentia vontade de compartilhar tudo que pensava e às vezes desejo com ela, por que ela não poderia ser normal? Por que ela tinha que ter ficado ao invés de ter me dado as costas? E por que ela tinha que beijar tão bem? Droga. Droga. Droga.
Preciso de um tempo, não posso vê-la. Não até que ela esqueça tudo que aconteceu. Até que eu esqueça tudo que aconteceu. Não posso me distrair com isso agora, não com ela. Eu já tenho problema demais para me preocupar. Deveria ter pensado nisso antes de beijar a garota. Vai pra merda, Sebastian! Me levantei e fui para a dispensa, peguei alguns sacos de lixo, uma pá e uma vassoura, precisava limpar tudo aquilo e apagar qualquer vestígio do que aconteceu. Comecei a pegar todos os caquinhos de vidro e restos dos porta-retratos e guardar dentro do saco, depois varri todo o lugar e joguei dentro da lixeira. Em seguida tirei o tapete para lavar e depois passei um pano em toda sala. Pronto. Quando acabei fui para o banheiro e tomei um banho quente, precisava esquecer tudo aquilo. Fechei os olhos e dessa vez fui atormentado em lembrar do seu beijo.

Meu querido vizinhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora